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Violência sexual: vamos falar sobre

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Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro
Depois que saiu a notícia da mulher que foi abusada dentro do ônibus, e claro, já estamos cansadas de ouvir notícias de estupros e abusos. Semana passada discuti com algumas amigas sobre se é necessário falar sobre isso ou se devemos saber, mas não ficar falando. Foi uma discussão acalorada… 

Lancei a pergunta no Instagram e recebi opiniões divergentes e na mesma linha da conversa lá em casa.

Quando a gente tem uma pergunta, o universo manda as respostas.

Caiu um monte de livros, vídeos e podcasts na minha mão falando sobre isso e eu cheguei em uma conclusão, que é nesse momento uma opinião, que pode ser mudada e que não é a única certa.

Mas a coisa é que, sim, devemos falar sobre isso, devemos parar de ter vergonha e sentir culpa por falar sobre o assunto e devemos falar cada vez mais e cada vez mais cedo. Eu poderia ter evitado várias situações constrangedoras, como ver um cara se masturbando dentro do carro e me seguindo, se tivessem me falado de forma clara e sem enrolação que isso pode acontecer e que eu não deveria ter me sentido envergonhada por isso.

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As meninas devem saber do que pode acontecer, porque vendo pelas experiências que tive, das minhas amigas e das leituras que fiz, e até mesmo da menina no ônibus, é que a gente é pega de surpresa por uma coisa que nem nunca imaginou que poderia acontecer. 

Por ser bizarro, por ser de foro íntimo e se tornar público sem a menor necessidade, por vir de alguém em quem você confia, por vir de um homem muito mais velho que você aprendeu a respeitar.

Sabia que 80% dos casos de violência sexual acontece em situações em que a vítima e o perpetuador têm intimidade? Acontece com namorado, marido e mulher, pessoas da família ou vizinhos. Devemos falar sobre isso com as meninas e sair do estereótipo do monstro escondido no arbusto.

Outra boa questão é que as meninas são criadas para serem boazinhas, quando elas sofrem violência de qualquer tipo, pensam que devem aceitar a vontade do seu parceiro ou violador porque têm que ser educadas e boazinhas. Mas ao mesmo tempo devem ser sexy, mas não sexuais.

Os meninos são criados achando que têm poder sobre o corpo da mulher. O que leva um menino de 18 anos violentar a namorada de 16? Nessa conversa de Thordis Elva, no TedX, você pode entender também a mente do menino que foi educado que ser homem tem a ver com conquista sexual, egocentrismo e dominação.

Também devemos mudar e sair do discurso de que frequentar lugares, usar certas roupas e sair em determinados horários, vai proteger alguém de sofrer violência. Porque dá a falsa sensação de segurança quando você segue essa cartilha, limita a mulher de sair, se vestir e fazer o que quer e ainda a responsabiliza por ser vítima, e como citado, não condiz com a realidade, já que a maioria dos casos acontece dentro de casa nos horários mais “normais”.

E essa conversa deve acontecer com meninos também. Porque ser homem não é dominar, é saber ouvir suas parceiras e saber respeitar. Meninos e meninas devem pensar:

O que faz um homem ser homem?

Assim começamos a erradicar os estereótipos de gênero que separam as crianças e dificulta a ideia real de que meninos e meninas têm o mesmo valor.

Essa é minha conclusão pelo momento, e se você tem algo a acrescentar para esta discussão, por favor, vamos iluminar!

Namastê!

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Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée, depois disso fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de 1 ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pelo Yoga e pela meditação. Hoje, ela é professora de Yoga e terapeuta reikiana em Paraty, RJ.

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