Para algumas pessoas, discordar parece muito mais difícil do que deveria. Uma opinião diferente pode provocar ansiedade, culpa e até medo de que a outra pessoa se afaste.
Então, em vez de dizer o que pensa, a pessoa concorda. Aceita situações que a incomodam, muda de assunto ou tenta encontrar uma forma de falar sem contrariar ninguém. Em alguns casos, pede desculpas mesmo sem entender exatamente pelo quê.
Com o tempo, esse comportamento pode se tornar automático.
A necessidade de evitar conflitos pode ter diferentes origens. Algumas pessoas cresceram em ambientes onde discordar gerava punições, críticas ou afastamento. Outras aprenderam que, para manter uma relação, precisavam se adaptar constantemente ao que o outro queria.
Quando esse aprendizado acompanha a vida adulta, qualquer discordância pode parecer uma ameaça ao vínculo.
A pessoa não está apenas pensando: “Temos opiniões diferentes.”
Ela pode estar pensando, mesmo sem perceber: “E se essa pessoa se irritar comigo?”, “E se deixar de gostar de mim?”, “E se eu disser o que penso e ela for embora?”
Por isso, algumas conversas simples podem gerar um desconforto desproporcional. Dizer que não concorda com algo, recusar um pedido ou apontar um comportamento que incomodou pode ser vivido como um grande risco.
O problema é que uma relação em que você precisa concordar com tudo para garantir a permanência do outro pode cobrar um preço alto.
Você começa a se adaptar tanto que, em determinados momentos, já não sabe o que realmente pensa. Antes de tomar uma decisão, considera primeiro como cada pessoa vai reagir. Antes de falar, tenta prever se aquilo vai causar algum incômodo. E, quando finalmente consegue se posicionar, pode passar horas revendo a conversa e se perguntando se foi longe demais.
Mas discordar faz parte de qualquer relação entre pessoas diferentes.
Ter opiniões próprias, estabelecer limites e demonstrar insatisfação são situações que fazem parte da convivência. Uma relação não deveria depender da ausência de conflitos, mas da capacidade de lidar com eles sem que uma das pessoas precise desaparecer para evitar problemas.
Isso também exige observar com quem você se relaciona. Nem todo medo de discordar vem apenas de experiências anteriores. Há relações em que a outra pessoa realmente pune, manipula, se afasta ou reage de forma agressiva quando é contrariada. Nesses casos, o receio pode estar relacionado à dinâmica atual.
Por isso, é importante olhar para a situação como um todo.
Você sente medo de discordar com qualquer pessoa ou apenas com algumas? O que costuma acontecer quando você expressa uma opinião diferente? Você consegue dizer “não” sem sentir culpa? Precisa concordar para evitar discussões?
Essas perguntas ajudam a perceber como você tem vivido as suas relações.
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Na psicoterapia, é possível compreender por que determinados conflitos provocam tanto medo e trabalhar formas mais saudáveis de se posicionar, sem precisar abrir mão de si para garantir que alguém permaneça.
Se você se identificou com esse conteúdo e percebe que tem dificuldade em se posicionar nas suas relações, a psicoterapia pode ajudar a compreender esse padrão e desenvolver outras formas de lidar com ele. Entre em contato pelo WhatsApp: (11) 99916-1828.
Carla Marçal
Psicóloga • CRP 06/35821-9
