É curioso pensar que passamos a vida inteira acompanhados por uma pessoa que, teoricamente, deveríamos conhecer muito bem: nós mesmos.
Sabemos do que gostamos, conhecemos algumas das nossas histórias, lembramos de experiências que nos marcaram e temos opiniões sobre quem somos. Ainda assim, quando alguém pergunta “quem é você?”, nem sempre é fácil responder.
Muitas vezes, a imagem que temos de nós mesmos é construída a partir do que aprendemos a ser, do que esperam de nós e das experiências que vivemos. E isso pode ser muito diferente de quem somos quando ninguém está olhando.
A diferença entre se conhecer e ter uma opinião sobre si mesmo
Existe uma diferença importante entre autoconhecimento e autoimagem.
A autoimagem é a narrativa que construímos sobre nós: “sou uma pessoa tímida”, “sou muito racional”, “não sei dizer não”, “sou independente”, “preciso estar no controle”.
O autoconhecimento vai um pouco além.
Ele envolve observar como pensamos, sentimos e agimos, principalmente quando somos colocados diante de situações que despertam emoções, inseguranças ou desejos que nem sempre reconhecemos.
Uma pessoa pode se considerar extremamente paciente, por exemplo, até perceber que perde a calma sempre que sente que está sendo ignorada.
Outra pode acreditar que é muito independente, mas descobrir que evita pedir ajuda por medo de parecer vulnerável.
É nesses pequenos conflitos entre aquilo que pensamos ser e aquilo que fazemos que o autoconhecimento começa a ficar realmente interessante.
Nossos padrões dizem muito sobre nós
Grande parte do nosso comportamento acontece de maneira automática.
Escolhemos determinadas pessoas, repetimos determinados relacionamentos, reagimos de formas parecidas diante de críticas, adiamos algumas decisões e insistimos em comportamentos que sabemos que não nos fazem bem.
Quando um padrão se repete, vale a pena fazer uma pausa e perguntar:
Por que eu reajo dessa maneira?
Nem sempre existe uma resposta imediata. E tudo bem.
Autoconhecimento não significa encontrar uma explicação para cada comportamento, mas desenvolver a capacidade de observar a si mesmo com mais curiosidade e menos julgamento.
Personalidade não é uma sentença
Ferramentas de personalidade podem ser interessantes justamente porque ajudam a criar novas perguntas.
Testes como MBTI, Eneagrama e outros modelos de personalidade apresentam diferentes formas de observar características, preferências e padrões humanos.
O resultado, entretanto, não precisa ser tratado como uma definição definitiva.
Uma pessoa não cabe em quatro letras, em um número ou em uma categoria.
Um teste pode apontar uma tendência, mas a história de cada indivíduo é muito mais complexa. Nossas experiências, relações, ambiente, escolhas e momentos de vida também participam da construção de quem somos.
Por isso, talvez a melhor maneira de utilizar um teste de personalidade seja perguntar:
“O que isso desperta em mim?”
Em vez de simplesmente perguntar se o resultado está certo ou errado.
Conhecer a própria sombra também faz parte.
Existe uma tendência de procurar no autoconhecimento apenas aquilo que gostaríamos de encontrar.
Queremos descobrir nossos talentos, pontos fortes, propósito e qualidades.
Mas olhar para si também significa reconhecer aquilo que incomoda.
A necessidade excessiva de aprovação. O medo de fracassar. A dificuldade de estabelecer limites. A tendência a controlar situações. A procrastinação. O ciúme. A comparação constante.
Reconhecer essas características não significa condená-las.
Pelo contrário: aquilo que conseguimos observar deixa de agir completamente no automático.
E esse pode ser um dos maiores ganhos do autoconhecimento.
Afinal, como começar a se conhecer melhor?
Não existe uma única porta de entrada.
Algumas pessoas encontram esse caminho na terapia. Outras na meditação, na escrita, na espiritualidade, na observação dos próprios relacionamentos ou simplesmente na disposição de fazer perguntas difíceis.
Também é possível utilizar ferramentas de autoconhecimento como ponto de partida.
Responder a um teste de personalidade, por exemplo, pode ser uma maneira simples de começar uma investigação sobre os próprios padrões. O importante é não transformar o resultado em um rótulo, mas utilizá-lo como um convite à reflexão.
O AlmaLabs reúne diferentes testes e ferramentas gratuitas de autoconhecimento para quem deseja experimentar esse processo de maneira leve e acessível.
Conheça as ferramentas e descubra a sua essência.
No fim, talvez autoconhecimento não seja chegar a uma resposta definitiva sobre quem somos.
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Talvez seja justamente aprender a fazer perguntas melhores.
Porque nós mudamos.
Aquilo que fazia sentido há dez anos pode não fazer mais hoje. Uma característica que já foi uma força pode se transformar em excesso. Uma dificuldade pode revelar uma necessidade que nunca foi ouvida.
Conhecer a si mesmo, portanto, não é descobrir uma versão final de quem somos.
É acompanhar, com mais consciência, a pessoa que estamos nos tornando.
