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7 coisas que uma criança aprende com uma mãe guerreira

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Ter filhos é uma das decisões mais importantes da vida. Não dá para simplesmente tê-los e colocar numa caixa quando enjoar igual uma criança faz com um brinquedo. Uma gravidez indesejada pode fazer os pais descontarem as frustrações na criança, consequentemente ela sentirá que é um fardo para os pais. Segundo pesquisas, bebês indesejados têm chances de nascerem prematuros, tristes e ter doenças mentais, pois, o feto sente a entonação das palavras e as emoções dos pais. Mães que engravidaram sem querer liberam catecolaminas, hormônios liberados durante o estresse. Antes de encomendar um bebê é preciso planejar milimetricamente. Vários aspectos devem ser analisados antes de aumentar a família:

Idade reprodutiva
  • Antes: dos 18 aos 25 anos;
  • Hoje: dos 18 aos 35 anos, sendo o ápice dos 20 aos 29 anos.

Cada vez mais mulheres adiam a maternidade. Contudo, a primeira gestação após os 35 anos pede o dobro de cuidados, clique no link e confira.

Estabilidade emocional da união
O casal precisa ter sintonia, abertura de diálogo e companheirismo, sinais que a relação é emocionalmente estável.

Ter filhos deve ser uma vontade comum. Tê-los para salvar o relacionamento é um terrível engano. Um parceiro não pode impor sua vontade ao outro. Trazer uma criança ao mundo somente para compartilhar a alegria do casal. Com isso, os dois conseguem conversar abertamente sobre ter ou não filhos, ninguém fica ofendido com os desejos do outro e não há tentativas de imposição.

Estabilidade financeira

Os casais vão em frente ou adiam o sonho ao chegar neste ponto. Eles precisam analisar suas receitas (salário, rendimentos e renda extra), pois, os custos para criar um filho são altíssimos, de acordo com o do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent) são necessários R$ 2 milhões para manter um filho até os 23 anos, quase R$ 705 mil só em educação. As classes B e C desembolsam R$ 95 mil e R$ 39 mil respectivamente. O casal tem que fazer uma poupança antes qualquer coisa. Veja a simulação para um casal que deseja engravidar em um ano e meio:

Salário dela: R$1500 Total: R$ 4 mil
Salário dele: R$2500
Depósito mensal R$400 / 10% do salário
Saldo em 18 meses R$ 7.746,00
Abrir mão

Com a chegada de uma criança, o casal não poderá mais sair à noite, viajar a qualquer hora nem curtir todas as liberdades de um casal sem filhos. Como o bebê precisa da mãe em tempo integral, algumas mulheres abrem mão da vida profissional para se dedicar exclusivamente ao filho. Tem que pensar em tudo isso antes de aumentar a família.

Como criar filhos?

Isso é uma verdadeira missão. Não há fórmulas prontas, porém, a educação pode dar origem a um adulto consciente ou a uma pessoa inconsequente. Dizer não é a palavra de ordem, segundo a psicóloga infantil Rosana Augone. Com experiência de mais de 30 anos, Rosana fala que dar limites é o grande desafio nos primeiros sete anos, a chamada de fase construtora onde são formadas as estruturas da personalidade. A psicóloga elege os três segredos de uma educação responsável:

a) Falar não, assim a criança aprende que nem tudo é do jeito que a gente quer;

b) Dar autonomia, para a criança tomar decisões e lidar com as consequências delas;

c) Elogiar com sinceridade, ressaltar os pontos positivos dá força e segurança.

As crianças também precisam ajudar em casa. Ensine a ela que todos devem colaborar na manutenção da casa. Veja atividades para cada faixa etária:

A partir dos 2 anos: recolher os brinquedos e guardá-los, ajudar a molhar as plantas;

Dos 3 aos 4 anos: colocar e tirar pratos e talheres da mesa, preparar sanduíches, ajudar nos cuidados com animais de estimação, plantar flores e regar a grama;

Dos 5 aos 6 anos: arrumar  a cama, dobrar e guardar roupas, preparar o lanche da escola, cuidar dos animais de estimação;

A partir dos 6 anos: ajudar a arrumar compras do supermercado, colocar o lixo para fora, separar roupas para lavar.

Filho único

Ainda mais difícil, sem educação correta o filho único pode ser um adulto egoísta. Para acertar na criação de um filho único não pode:

Superproteger: a criança acredita que o mundo gira ao redor dela e torna-se um adulto mimado, chato e inconsequente;

Dar tudo o que a criança quer: quem recebe tudo na hora que deseja não está preparado para as frustrações;

Deixar a criança fazer o tudo que ela quiser: quando o filho recebe um sim após um chilique, ele entende que pode ganhar tudo no grito;

Não enchê-lo de cobranças: os pais deixam o filho único solto para ele aprender a ser forte, ou então, sufocam a ponto dele ser emocionalmente dependente. É preciso ter um meio termo entre acompanhar a criança e não ser grudento.

O que ensinar aos filhos?

Nessa difícil jornada, que é ainda mais difícil no mundo competitivo de hoje, essas simples, porém, valiosas lições devem ser transmitidas todos os dias:

Todos são iguais

O presidente de uma empresa não é melhor que um gari. Ensinar que todos são iguais faz um bem enorme ao seu filho;

Dividir

Acumular coisas não é sinal de prosperidade. Seu filho precisa entender que precisamos compartilhar tempo, conhecimentos, alimentos, roupas e sapatos;

Gentileza

Por favor, licença e obrigado são palavrinhas mágicas que abrem portas. Algumas vezes, essas são as primeiras palavras que muitas pessoas aprendem em outros idiomas. Mostre ao seu filho também como é bom ajudar um deficiente visual a atravessar a rua ou pegar um ônibus. Ajudar um vizinho com sacolas pesadas é outra forma de exercer gentileza;

Ter palavra

Mostre ao seu filho que credibilidade é uma moeda de outro. Cumprir acordos, chegar aos compromissos no horário combinado são sinais de respeito;

Não humilhar ninguém

Somente pessoas pobres de espírito sentem prazer humilhando. Como diz Mahatma Gandhi “O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam humilhar os outros para se sentirem fortes”.  

Mãe e pai ao mesmo tempo

Abandono ou morte do companheiro e produção independente. Várias mulheres encaram sozinhas o desafio de criar uma criança. A psicóloga Maria Eduarda Rosa sintetiza a dificuldade das mães solteiras: “A função paterna possibilita a inserção do sujeito na cultura. Além disso, a figura do pai é caracterizada por dar limites, trazer para o filho a noção de lei”.

Além de não superproteger e dar autonomia, as mães que criam filhos sozinhas ainda precisam lidar com a desconfiança e preconceito de algumas pessoas.

A psicóloga Ellen Queiroz aconselha essas mães a não ter vergonha em pedir ajuda a amigos e família e, sobretudo, não transferir raiva e frustrações, no caso das mães que foram abandonadas pelo companheiro.

Mães guerreiras

Guerreiro: pessoa batalhadora, forte e capaz que vence seus objetivos graças à sua persistência. A definição do dicionário aplica-se muito às mães. Elas mudam de cidade, passam meses no hospital, vendem coisas para bancarem os sonhos dos filhos, entre outros sacrifícios. Toda mãe é guerreira, mas, em algumas a virtude é triplicada.

Vira e mexe o cinema conta histórias de mães guerreiras. Se você é mãe, assista pelo menos um desses filmes para sentir que está diante um espelho, se você é filho, assista a todos para dar valor a sua.

O Óleo de Lorenzo (1992)

O filme do diretor George Miller mostra a luta de Michaela Odone (Susan Sarandon). Mãe de Lorenzo, uma criança de seis anos diagnosticada com adrenoleucodistrofia, doença genética rara que atinge os homens e afeta o sistema nervoso, a mielina (proteína da parte branca do sistema nervoso) e testículos. Michaela ouve dos médicos que o caso do filho não tem solução. Ela não desiste e começa a pesquisar um remédio para salvar o filho.

Zuzu Angel (2006)
O filme traz a luta da estilista Zuzu Angel (Patrícia Pillar) para esclarecer e recuperar o corpo do filho Stuart Jones, estudante de economia que lutava contra a ditadura militar. Zuzu chegou a pedir ajuda aos Estados Unidos, país onde nasceu o pai de seu filho. A morte em um acidente de carro encomendado pelo governo deu fim à luta da estilista.

Um Sonho Possível (2009)
A obra conta a história real da escritora Leigh Anne Tuohy. Um dia, ela vê um garoto dormindo no estádio da escola e o convida a dormir na casa dela. Michael Oher é um menino negro, filho de uma viciada em drogas e sem um lar. Vendo o potencial do Michael, Leigh enfrenta o preconceito de todos e adota o menino. Alguns anos mais tarde, Michael Oher torna-se Big Mike, celebrado jogador de jogador de futebol americano.

O Exterminador do Futuro 2 (1991)

Sarah Connor é uma mulher que se desdobra nos papeis de mãe e soldado nesse filme. Quando sai do hospício, Sarah transmite ao filho John Connor, líder da frente humana contra as máquinas, técnicas de guerrilha e sobrevivência que se mostram muito úteis na luta do filho.

A troca (2008)

Christine (Angelina Jolie) é uma mãe solteira que descobre que o filho de nove anos, Walter despareceu quando vai buscá-lo na escola. Ela começa uma luta incansável para encontrar o garoto. A polícia entrega a Christine um garoto cinco meses após o desaparecimento, ela aceita o menino mesmo tendo certeza que não é seu filho. Christine fica em cima dos policiais para eles encontrarem o verdadeiro Walter.

O que crianças aprendem com mães guerreiras?

Mães que não medem esforços por seus filhos transmitem lições para a vida toda. Como as crianças aprendem pelos exemplos, vamos ver o que elas aprendem quando têm mães guerreiras:

1. O valor da independência

Mães fortes querem que seus filhos também sejam. Elas introduzem conceitos de independência desde cedo. Deixar a criança dormir sozinha é um dos atos de autonomia que a mãe passa, confira os outros:

  • Comer sozinho

Lá pelos oito meses a coordenação motora aumenta. Nessa fase deixe a criança pegar os alimentos. No início, ela vai amassar a comida para sentir a textura, cheirar e perceber as cores. A mãe guerreira sabe que com um ano e meio é hora de oferecer uma colherzinha ao pequeno para ele ficar ainda mais independente;

  • Lavar as mãos

Com dois ou três anos, crianças filhas de mães fortes lavam as mãos sozinhas;

  • Tomar banho, escovar os dentes e trocar de roupa

Outros dois sinais de independência. Mães que não criam seus filhos dentro de bolhas ensinam e deixam os filhos fazerem essas atividades sozinhos, assim não darão trabalho quando dormirem na casa de um amiguinho e, principalmente aprenderão a escolher o que vestir;

2. Amor infinito

Mães guerreiras são rígidas e cobram bons comportamentos e notas, isso prova o quão grande é o amor delas pelos filhos.

3. Autoestima

Uma mãe lutadora não se deixa abalar. A autoestima dela com certeza irradia pelo ar. Os benefícios do amor próprios são vários:

  • A criança aprende a acreditar nela, primeiro passo para os outros acreditarem nela;
  • Autoestima é fator importante para a manutenção da saúde mental. O sentimento atua no sistema imunológico da consciência, deixando-a mais resistente, forte e com capacidade de regeneração.
4. Ser forte e carinhosa na mesma medida

As mulheres sabem muito bem dosar isso, principalmente quando são mães. Elas provam isso quando choram escondidas quando o filho passa por um momento difícil e também quando ficam acordadas até tarde cuidando do rebento queimando de febre. Ser forte e carinhoso ao mesmo tempo é algo muito importante para uma vida equilibrada.

5. Não se lamentar

Pessoas que vivem se lamentando são muito chatas. A mãe guerreira sabe disso e mostra ao seu pimpolho que é tempo perdido pensar no “o que poderia ter acontecido”, no “e se eu tivesse feito” e coisas afins. Essa mãe ensina que devemos olhar o passado para não repetir erros, mas, que o nosso foco tem que estar no futuro.

6. Ser persistente

A vida coloca vários obstáculos em nosso caminho, eles podem ser um incentivo ou motivo para desistir. Mães fortes ensinam desde cedo que não podemos abrir dos sonhos na primeira dificuldade. Uma lição simples, porém, importante não fazer as lições de casa para os filhos, ela acredita na lei da tentativa e erro e sabe que a criança vai aprender somente após errar.

7. Ser forte

Mães lutadoras querem que seus filhos sejam fortes. Elas sabem que é missão delas preparar seus herdeiros para encarar os desafios da vida. Para ensinar os filhos a não fraquejarem na primeira decepção, elas transmitem:

  • A importância de pensar positivo;
  • Deixam os filhos errarem para aprenderem o que é o certo;
  • Ensinam que frustrações fazem parte da vida e que elas podem nos ensinar muitas coisas;
  • Mostram que respeito, atenção e amor não são imposições nem mendigadas, e sim conquistas.

Podem acreditar, pessoas fortes quase sempre são filhos de mães guerreiras. Só não aprende com elas quem não quer. E você é filho de uma mãe guerreira? Fale para a gente o que você aprendeu e o que os ensinamentos dela ajudam na sua vida.


Texto escrito por Sumaia de Santana Salgado da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

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