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A maternidade depois dos 30

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

muito tempo as mulheres são donas dos seus destinos. A revolução sexual nos anos 60 deu voz às mulheres. Pela primeira vez elas expressaram seus desejos. O casamento e a maternidade perderam o status de prioridades. Houve quem simplesmente desse uma solene banana para essa dupla. Outras a conciliaram com a sede de conhecimento e ao crescimento profissional. As mulheres foram à luta. Ocuparam os bancos das universidades e trabalharam muito.

São anos e anos para obter sucesso profissional. O caminho é árduo. Driblar o machismo de quem pensa que lugar de mulher é na cozinha. Trabalhar o dia inteiro, enfrentar trânsito, o precário transporte público e o comportamento deplorável de alguns homens que se aproveitam dessa situação. Nesse cenário, a maternidade está em último lugar, um sonho distante sem forma definida.

Porém, como passar do tempo, a decisão de adiar a maternidade é posta em xeque. A mulher questiona se fez a escolha correta e as insistentes cobranças fazem muitas mulheres sentirem-se egoístas por terem pensado apenas em seus objetivos profissionais. Afastadas as pressões internas e externas, chega-se a conclusão que ter colocado a carreira em primeiro lugar foi acertada, pois, estabilidade econômica é um dos pilares necessários para ter um filho. A maturidade alcançada com a idade também é fundamental para criar uma criança.

A mulher é cobrada porque demorou a ter filhos. Quando a mulher após os 30 decide engravidar é novamente alvo de críticas.
Ela é chamada de irresponsável, pois, a gestação tardia aumenta as chances de a criança ter Síndrome de Down. Não importa em qual idade, a maternidade sempre é rodeada por julgamentos.

Idade ideal

Até os anos 60, a idade ideal era dos 18 aos 25 anos. Quem dava à luz após os 25 anos era chamada de primigesta idosa. Com o aprimoramento dos contraceptivos, as mulheres puderam decidir quando engravidar. Atualmente, a idade mais adequada para a primeira gravidez é na faixa etária dos 20 aos 29 anos. Antes disso, o aparelho reprodutor ainda não está totalmente formado. Após, há uma queda na fertilidade.

Declínio da fertilidade

As mulheres nascem com aproximadamente 2 milhões de óvulos – quantidade suficiente para toda a vida –   número vai diminuindo mês a mês até zerar, isso acontece aos 45 anos, devido a menopausa. Outra questão que atrapalha a gestação após os 30 anos é a endometriose. A doença faz com que o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero cresça em outras regiões do corpo. Mas, o declínio da fertilidade mais drástico ocorre aos 40 anos.

Cuidados na primeira gravidez

Quando a primeira gravidez acontece após os 30, os cuidados são intensificados. O pré-natal, por exemplo, deve começar antes da concepção. Na primeira consulta com o ginecologista após a decisão de engravidar, o médico realiza uma avaliação clínica. Ele solicita vários exames laboratoriais, hemograma, tipagem sanguínea, sorologias e exame de urina. Também será pedida a realização de um check-up e um teste de imunidade à rubéola e sarampo. Caso não for imune, tome a vacina e espere um mês para iniciar as tentativas. Se os resultados forem satisfatórios, o médico prescreve ácido fólico, uma vitamina do complexo B, para reduzir os riscos de malformação do sistema nervoso central do bebê. A mulher deve tomar por até três meses antes de engravidar e no começo da gestação

Assim que a menstruação atrasar, a mulher precisa procurar seu ginecologista. Aos 35 anos, os índices de aborto espontâneo são mais altos. O ultrassom confirma se o embrião está dentro do útero e se a gestação é múltipla. O exame também diagnostíca a gestação anembrionada, onde há o desenvolvimento do saco gestacional sem a formação do embrião.

shutterstock_267439832Riscos da gravidez tardia

A gestante com mais de 35 anos tem mais risco de ter diabetes. Tânia Regina Schupp Machado, médica obstetra explica que a mulher tem que fazer exame de glicemia em jejum, a fim de dosar o nível de açúcar no sangue. Tânia esclarece ainda que no sétimo mês é feito um teste de tolerância à glicose. Em jejum, a mulher recebe 100 gramas de glicose e seu sangue é colhido de hora em hora durante quatro horas.

Na gravidez aos 35 anos, os riscos de ter hipertensão e a pré-eclâmpsia são 3 vezes mais altos. Com o envelhecimento do útero, a placenta não se desenvolve adequadamente, liberando substâncias que provocam a pressão alta. Tais substâncias atuam no endotélio, na parte interna das veias. O endotélio fica duro, sendo necessária mais força para o bombeamento do sangue. Caso preciso, o médico prescreverá remédios para controlar a pressão.

A pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento da pressão arterial, inchaço do rosto e das mãos, ocorre quando os novos vasos sanguíneos responsáveis por levar sangue à placenta não se desenvolvem corretamente. Diabetes tipos 1 e 2, obesidade, doença renal, doenças autoimunes (lúpus e artrite reumatoide) potencializa o surgimento da pré-eclâmpsia. Seus principais sintomas são alterações da visão, urinar pouco e convulsões. A doença é uma das quatro doenças hipertensivas. As outras três são:

  • Hipertensão crônica: Pressão alta antes da gravidez, ou que surge antes da 20ª semana.
  • Hipertensão gestacional: A pressão arterial é alta, porém, não há excesso de proteína na urina, nem alterações em outros órgãos. Mulheres com hipertensão arterial podem desenvolver pré-eclâmpsia.
  • Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia superposta: Pressão alta antes da gravidez agravada pela presença de proteína na urina.

Casos graves de pré-eclâmpsia exigem hospitalização. O líquido amniótico é medido constantemente. A ausência dessa substância indica que o fornecimento de sangue para o feto está comprometido. Se o diagnóstico acontecer na fase final de gravidez, o trabalho de parto será induzido, porque o colo uterino começa a ficar dilatado e amadurecido.

Síndrome de Down

A síndrome de Down é considerada um dos maiores riscos às crianças. As chances de ter um filho com tal condição é de um para 300. Porém, há quem considere exagero. A psicóloga americana Jean Twenge que engravidou aos 34 decidiu investigar as relações entre gravidez tardia e as anormalidades cromossômicas. Os resultados foram publicados no livro The Impatient Women’s Guide to Getting Pregnant (O Guia para Mulheres Impacientes para Engravidar, em tradução livre). De acordo com o livro, as chances de uma criança nascer com Down é de um em 500 aos 20 anos, um em 400 após os 30 e um em cada 60 ou 70 aos 40 anos.

Translucência Nucal

Entre a 11ª e a 13ª semana, período em que a medida total do feto está entre 45 a 84 milímetros, é realizado o exame de translucência nucal. Esse ultrassom determina uma medida na nuca do feto. Quando houver alterações nessa medida, há chances de doenças cromossômicas, como a síndrome de Down, por exemplo.

Se o exame apresentar alterações, a gestante é submetida a uma biópsia de vilo corial, procedimento invasivo, feito com anestesia local que avalia a placenta. Conduzido pelo ultrassom, o médico insere uma agulha comprida e fina na barriga e tira uma amostra da placenta. O resultado dessa análise revela o número e a morfologia dos cromossomos, ou seja, mostra se o feto é normal do ponto de vista cromossômico. A mulher é 46/XX e o homem 46/XY, qualquer alteração indica um problema.

Caso o resultado da biópsia de vilo corial for desfavorável, após duas semanas, a gestante é submetida a um exame chamado amniocentese, igualmente invasivo. É coletada uma amostra do líquido amniótico para determinar o número e a morfologia dos cromossomos. A amniocentese é a última possibilidade de excluir ou confirmar a Síndrome de Down.

Fertilização in vitro

A fertilização in vitro não é procurada apenas por mulheres com mais de 30 anos. Estudos confirmam que 80% das mulheres que se submetem ao tratamento têm menos de 40 anos. Trompas obstruídas, endometriose ou infertilidade masculina são as causas mais comuns. O êxito da fertilização é maior antes dos 35 anos, estima-se que elas têm 42% de chances de engravidar, o número cai para 27% dos 35 aos 40 anos e chega aos 12% nas mulheres com 40 anos.

O parto

As cesarianas são mais frequentes, entretanto, não o parto normal pode ser feito. A antecipação ocorre por causa da ansiedade materna, que não consegue suportar o trabalho de parto, que pode chegar até doze horas.

Gestantes com mais de 35 anos possuem vidas agitadas. Elas devem colocar o pé no freio, do contrário, diminui a quantidade de líquido em volta do bebê. Os exercícios físicos estão liberados, desde que não haja hipertensão descontrolada, sangramento uterino. As mamães que não praticavam nenhuma atividade precisam esperar o primeiro trimestre. O Instituto de Saúde Pública da Noruega, em Oslo, realizou uma pesquisa, onde os resultados comprovaram que fazer atividade física três vezes por semana reduzem em até 28% as chances do bebê nascer com sobrepeso. As gestantes, tanto as que já faziam exercícios regulares, quanto as que vão começar precisam procurar orientações com um educador físico especializado em gestantes.

Alimentação merece atenção triplicada na gravidez. Carboidratos e doces devem ser consumidos em excesso.

Para ajudar você, vamos listar os alimentos mais indicados, começando pelas frutas:

  • Melancia: Sua composição é 90% água. Por ser diurética e antioxidante, favorece a expulsão das toxinas. A melancia ainda é rica em sais minerais.
  • Mamão: Também é rica em água. Fonte de vitaminas A e C, o mamão ajuda no combate a prisão de ventre.
  • Abacate: O magnésio evita câimbras, combate cansaço e a fadiga. As gorduras do abacate são benéficas, mas, ainda assim deve ser consumido com moderação.
  • Banana: Rica em carboidratos e vitamina B6, que ajuda no desenvolvimento do feto e evita os enjoos das primeiras semanas.
  • Kiwi: Rico em vitamina C, o kiwi tem fibras, que é bom para o intestino.
  • Morango: Também é rico em fibras e vitamina C. Ainda tem ácido fólico, substância fundamental na gestação.
  • Laranja: A vitamina C facilita a absorção do ferro. A laranja ainda é rica em minerais e fibras.
  • Acerola: Mais uma do time da vitamina C. Acerola fortalece o sistema imunológico, evitando resfriados, gripes e infecções.

As dicas de alimentação não param por aqui. Existem outros alimentos que devem fazer parte da vida de toda gestante. Vamos ver quais são eles:

  • Feijão: Fonte de proteína, ferro, cálcio, magnésio, vitaminas do complexo B, fibras, carboidratos. O feijão é um alimento completo. Como ele pode causar gases, deixe de molho antes de cozinhar. Se não adiantar, troque por lentilha ou grão-de-bico.
  • Couve manteiga: Contém ferro, cálcio, vitamina C, potássio e ácido fólico.
  • Sardinha: Fonte de Ômega 3, ferro, fósforo, magnésio, vitaminas A, B, D, E e K. Abaixa o colesterol ruim (LDL) e aumenta o bom (HDL).
  • Patinho (carne bovina): Ferro, vitaminas do complexo B ajudam no combate à anemia.
  • Castanha do Pará: Três ou quatro castanhas do Pará diariamente garantem a absorção de Ômega 3.
  • Aveia: Rica em fibras solúveis que limpam as artérias e reduzem as taxas do colesterol ruim (LDL).
  • Pão integral: Fonte de magnésio, cálcio, potássio, fósforo e fibras que ajudam o intestino a funcionar corretamente.

Ser mãe, seja na idade que for é uma imensa alegria, são vários medos e dúvidas. Entretanto, quando a maternidade vem após os 30 anos, tais sentimentos ficam ainda mais intensos. Os riscos existem, sim, porém, o acompanhamento médico, cuidados com a alimentação e prática de atividade física trazem segurança de uma gestação tranquila.

O melhor momento para a maternidade é quando bater a vontade de ser mãe.
Portanto, não dê ouvidos aos “conselhos” de quem diz que é “melhor ter filho logo”. Se quiser solidificar sua formação e conquistar sucesso profissional, faça-o.

A tranquilidade adquirida com a idade faz com que a decisão de engravidar seja tomada pelo desejo, não por querer agradar os outros.

Passou dos 30 e decidiu engravidar? Sem dramas. Procure seu ginecologista, faça todos os exames necessários e tome as vitaminas que ele indicar. Você está na melhor fase da sua vida e será uma mãe realizada, porque seguiu suas vontades. Seu filho terá muito orgulho de ter uma mãe que usou o livre-arbítrio a seu favor.


  • Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras

Sobre o autor

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