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Sobre ser feminista

Mãos de mulheres entrelaçadas
Artem Varnitsin / Canva
Escrito por Fernanda Colli

Seja na TV, na internet ou em qualquer outro meio de comunicação, você facilmente já deve ter se deparado com a palavra “FEMINISMO”. Mesmo sem ter total conhecimento de causa, a maioria das pessoas acaba entendendo um pouco da ideia geral, que é sobre a igualdade das mulheres, no entanto é um movimento com extrema profundidade de causa e por isso muitas coisas precisam ser desmistificadas. Muitas coisas mesmo.

Porque, quando falamos de feminismo, não estamos falando de um sentimento ou algo como “ser simpatizante”. Você não se sente feminista porque concorda com uma premissa ou duas do movimento, nem se torna feminista porque comprou uma camiseta ou fez uma tatuagem feminista. Não se trata de uma crença que se baseia no que “você acredita ou não” ou conclusões baseadas em experiências pessoais, individuais ou até subjetivas. Feminismo também não é religião, grupo de terapia que alivia e consola, nem ao menos te torna uma pessoa melhor ou diferente; não é uma seita que tem líderes nem dirigentes ou chefes. Outra pontuação bem engraçada: o feminismo nada tem a ver com pelos.

Eu posso ser uma mulher heterossexual, branca, com alto poder aquisitivo, religiosa, com filhos, casada, dona de casa, com cabelos tingidos e ser feminista. O feminismo não quer dizer respeito sobre uma mulher ou outra. O feminismo nada mais é que ações organizadas de mulheres (atualmente até alguns homens) contra um sistema que as oprime. A feminista é a mulher que atua organizada com outras para combater esse sistema.

Mulheres feministas juntas sorrindo protestando nas ruas
Jacob Lund / Canva

O feminismo preza a liberdade feminina e isso nada tem a ver com estereótipos dados às militantes, transformando-as em “bruxas” da sociedade. É a atuação constante para o desmantelamento da estrutura opressora.

Há tantos motivos para que comecemos a aprender e a ensinar mulheres a defender-se ativamente, que se torna urgente a luta por leis e medidas para o avanço de pautas que vão trazer mais equidade para a mulher na sociedade, acabar com os mecanismos de socialização de crianças, proteger mulheres da violência masculina, acabar com a exploração reprodutiva e do trabalho doméstico.

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Manter isso em mente, e também no coração, é muito importante, porque o feminismo é uma luta travada por mulheres e para mulheres (e mulheres são pessoas), com as dificuldades próprias da nossa socialização, a rivalidade feminina, o abuso de empatia, a insistente maternagem de homens, que tanto dificultam a manutenção de uma prática organizada.

Quando falamos em uma não soltar a mão da outra, não significa que vamos passar pano para erros de caráter, ideológicos ou políticos que ocorrem na sociedade, independentemente de sexo. Não soltar a mão é garantir que todas nós somos livres para nossas escolhas e também as consequências delas.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli é pedagoga, arte-educadora, escritora e pesquisadora da cultura popular brasileira, com atuação destacada na valorização das tradições caipiras. Especialista em Arte Educação, folclore e cultura popular, desenvolve projetos socioculturais voltados à inclusão, à identidade e ao pertencimento, especialmente em contextos escolares.

Idealizadora do Projeto Folclorear, atua na inserção de manifestações tradicionais, como a catira, no ambiente educacional, promovendo o diálogo entre saberes populares e práticas pedagógicas contemporâneas. Coordenadora de projetos no Centro de Tradições de Araçatuba e integrante de grupo de pesquisa na área cultural, também exerce papel de liderança como presidente da comissão infantopedagógica da IOV Brasil.

Como colunista, Fernanda escreve sobre cultura popular, educação, arte e identidade, trazendo reflexões sensíveis e críticas sobre a importância da memória, das tradições e da formação cultural na sociedade atual. Sua escrita se caracteriza pela defesa da cultura como instrumento de transformação social e fortalecimento das raízes coletivas.