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Boy sober: o alívio de não precisar mais insistir

Imagem de um campo de trigo com uma árvore ao fundo. Em destaque, uma mulher usando um vestido branco. Ela está de braços abertos para o sol, contemplando a sua solitude.
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Escrito por Giselli Duarte

Cansadas de relações frustrantes, mulheres buscam “boy sober”: priorizam a si mesmas, a paz e a autenticidade. Decidem viver plenamente sozinhas, valorizando a qualidade das trocas e o autocuidado, em vez de insistir em vínculos sem reciprocidade.

Tem crescido, de forma silenciosa e contínua, o número de mulheres que decidem permanecer sozinhas. Não por amargura, nem por desistência do amor. Também não por trauma congelado. Mas por discernimento. Por uma lucidez que surge depois de muitas repetições. Após ciclos longos demais, tentando negociar presença, afeto, maturidade e compromisso com quem ainda não saiu do próprio lugar emocional.

“Boy sober”, como muitos estão chamando, é um novo estado de consciência. Um reconhecimento claro de que insistir em relações frustrantes cobra um preço alto demais. E esse preço, quase sempre, recai sobre o corpo, o sono, a produtividade e o brilho vital que deveria estar a serviço da própria mulher, e não a serviço de consertar ausências alheias.

Ser boy sober significa abrir os olhos. Cansar de oferecer profundidade a quem só sabe se mover na superfície. Perceber que, por mais que se evolua internamente, não há como sustentar uma relação sozinha. Investir energia tentando carregar dois vínculos, o da mulher adulta e o do parceiro, que ainda exige cuidados emocionais que nem reconhece, esgota quem já carrega o próprio mundo.

Não é raro esse despertar vir após anos em busca de reciprocidade. Anos de promessas que não se cumprem, conversas que giram em círculos e justificativas que só servem para adiar o que já está evidente. Há mulheres exaustas de serem as únicas conscientes da relação. E há quem esteja redescobrindo a paz de simplesmente não precisar mais disso.

A ideia de que a vida só tem valor quando partilhada pode ser bonita na teoria, mas se torna perigosa quando sustentada por dependência. A vida pode ser plena mesmo sem par romântico. O afeto encontra outras direções: amizades verdadeiras, projetos consistentes, vínculos honestos, solitude nutritiva. Muitas estão descobrindo que o que buscavam em uma relação já existe, criado por elas mesmas.

Enfim, uma mudança de critério. O medo de estar só já não é argumento. O que importa agora é a qualidade da troca. A presença real. A escuta sem defesas. A capacidade de sustentar conversas difíceis. A maturidade para estar em relação sem desaparecer de si.

Muitas cresceram acreditando que suportar tudo era prova de força. Que paciência demais era virtude. Que dar tempo a quem ainda não sabe o que quer era sinal de sabedoria. Mas o tempo mal entregue vira desperdício. Sabedoria, nesse contexto, se parece mais com saber a hora de parar. Compreender que algumas pausas salvam mais que qualquer insistência.

Ser boy sober é um tipo de autocuidado. Um pacto silencioso consigo mesma. Um basta na ideia de que é preciso aceitar pouco para merecer algo maior depois. Um lembrete de que relações não são feitas de promessas, e sim de presença. E que presença não é aparecer. É estar de verdade, mesmo quando o outro não está no melhor momento.

Imagem de mulher preta olhando para o infinito. Ela está debruçada na janela do seu carro. A foto traz o conceito de solitude, de estar bem com você mesma.
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A solitude, antes temida, se torna abrigo. Dormir em paz sem esperar mensagem. Não precisa descobrir traições. Tomar decisões sem medo de rejeição. Fazer planos que não dependem de ajustes alheios. Essa leveza vem de dentro. E não exige comprovação pública.

O celibato, para algumas, vem como desdobramento dessa escolha. Não por repressão. Mas há uma recusa lúcida em entregar o corpo a quem não tem consciência de presença. Há um cansaço legítimo em servir de anestesia para dores mal resolvidas. E uma liberdade tranquila em não precisar mais se colocar nesse lugar.

Não é modismo. Não é mecanismo de defesa. É amadurecimento. É olhar para si com responsabilidade. E perceber que, em vez de investir na falta do outro, há muito mais a ganhar investindo em si.

Nessa escolha existe espaço. Espaço para respirar. Para criar. Para cuidar do que realmente importa. E para perceber que, entre viver para agradar alguém e viver com leveza, a segunda opção é a que fortalece.

Há mulheres inteiras reaprendendo a não insistir. A não implorar por migalhas. A não tolerar relações que se sustentam em jogos. E há, nesse movimento, uma nova forma de amor. Um amor que começa em casa. No próprio corpo. Na própria história. Na própria presença.

Algumas chamam de solitude. Outras de paz. E outras apenas vivem. Porque chega uma hora em que o que mais cura não é ser amada por alguém. É não precisar mais lutar para ser vista.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

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