Autoconhecimento • Comportamento • Convivendo

A semente do potencial humano

Imagem de três mãos que seguram uma semente cada uma, simbolizando a semente do potencial humano, o crescimento de cada pessoa.
Kampamba / Pexels / Canva
Escrito por Andrews Rodrigues

A metáfora das sementes revela como cada ser humano carrega em si um imenso potencial, moldado pelo solo em que cresce. Mesmo diante de ambientes áridos, a vida insiste em brotar. O texto convida à reflexão sobre autoconhecimento, cuidado interior e a capacidade de florescer apesar das adversidades.

Encontrei certa manhã sete sementes de guapuruvu. Estavam espalhadas na calçada, lançadas ali por sua grande mãe em busca de um solo rico onde germinar. Contente, as guardei comigo.

No caminho de casa, refletia. Lembrava de ter ouvido em algum lugar que uma semente guarda em seu interior o projeto exato da árvore que será, querendo dizer que, nessas sete sementes que carregava na palma suada de minha mão, estava contido o desenho exato da mesma árvore, sem distinção. Pensando assim, se eu as plantasse, brotariam árvores idênticas, sem diferença; contendo ali o mapa para o seu potencial, a sua natureza. Todavia, no terreno da vida, tudo varia.

Cada semente que eu plantar vai se adaptar ao seu modo no solo que a nutre e a projeta para cima. Cada árvore irá espalhar suas raízes de modo a buscar a melhor nutrição, esticará seus galhos aos céus, buscando o espaço adequado para que suas folhas colham com zelo os raios do astro solar. Seus troncos se fortalecerão de acordo com os nutrientes que o solo lhes oferecer. No fim, todas se diferenciam ao seu modo.

Segui por muitas quadras, caminhando com a atenção voltada ao fascínio por essas sementes que, ali em minhas mãos, eram puro potencial e que, lançadas ao solo, se ergueriam majestosas, cada uma ao seu modo. Naquele momento, parado na beira da calçada, olhando o semáforo com a atenção dispersa, destacaram-se em minha visão transeuntes que se aglomeravam ao meu lado e no lado oposto da rua,  todos de rosto cansado, esperando que a luz vermelha lhes permitisse a travessia.

Nos poucos segundos que se seguiram, olhei aqueles olhos. Ponderei como estavam espalhando suas raízes, se seus galhos alcançavam os raios de sol. Pensei em como eram essas sementes. Cada um ali já fora uma semente com potencial desconhecido, mas idênticos na essência, em sua natureza. Cada semente que precisou se adequar ao solo em que caiu, solo que qualquer um mais atento percebe não ser fértil o suficiente para que uma árvore cresça forte e magnânima, como é de sua natureza. Infelizmente.

Imagem de uma mulher caminhando sobre um solo pedregoso.
Eduard Goricev’s Images / Canva

O sinal fechou para os veículos ruidosos, e os grupos apressados seguiram seus caminhos, sem zelo pelo que estivesse ao redor. Eu segui também, saindo de meus devaneios. Pus-me de volta para casa, com a imagem de sementes com tanto potencial, com uma natureza em comum, a natureza humana. Pensei no solo pedregoso em que brotam e me entristeci. Contudo, após uma quadra, vi uma pequena planta surgindo em uma rachadura na calçada. Ela me acenou levemente com o vento.

Dali em diante, sorri. Segui para minha casa lembrando que a vida brota sempre que encontra uma brecha e que sempre há tempo de nutrir a terra, para que esta faça crescer a natureza de cada semente e de cada broto já crescido.

E você, já ponderou sobre seu potencial, o solo em que se encontra, como se nutre? Saber isso é a base do autoconhecimento. Todo jardineiro sabe o melhor solo para florescer.

  • Andrews Rodrigues

    Andrews Rodrigues

    Agente de Transformação
    [email protected]@andy.creatives@conexaocolablinkedin.com/in/andy-creatives-a776a0102serliricoficial

    A vida é algo raro e a gente parece não se dar conta disso apenas porque vivemos em um oásis onde ela é abundante.
    Quero viver em um mundo que garanta a vida no centro de todas as nossas ações. Um mundo onde possamos desenvolver o melhor do potencial humano, superando o comportamento mecânico que tem nos levado a um caminho obscuro e incerto.
    Quero viver em um mundo onde o indivíduo seja sustentado pelo coletivo, tendo espaço para crescer e fortalecer ainda mais a comunidade. Um mundo que respeite o lugar que cada um ocupa, e no qual cada indivíduo seja responsável ao assumir seu papel.
    Quero viver em um mundo possível, mas que, para acontecer, exige transformação: não no planeta em si, mas no nosso modo de construí-lo. Isso requer abandonar os velhos padrões apoiados no mero instinto de sobrevivência e assumir a plena consciência de nossas ações.
    Convido você a fazer parte desse movimento.Andrews Rodrigues | Escritor, artista visual e estrategista narrativo.