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Por que você nunca se sente bem o suficiente (e o que o yoga tem a ver com isso)

Pessoa desenrolando um tapete de yoga no chão de madeira, com os pés descalços ao lado.
Fizkes / Getty Images Pro / Canva
Escrito por Sandra Lebrão

Você já sentiu que nunca é o suficiente, não importa o quanto faça? E se essa sensação tiver raízes mais profundas do que parece? Um olhar surpreendente revela caminhos antigos para lidar com isso… Pronta para se enxergar diferente? Continue a leitura!

Você já percebeu como é difícil estar satisfeita com o que você tem? Sempre falta alguma coisa. Sempre tem alguém fazendo melhor. Sempre sobra aquela sensação de que você deveria estar mais adiantada, mais resolvida, mais alguma coisa.

O yoga tem princípios éticos antigos chamados Yamas e Niyamas. São dez conceitos que a maioria das pessoas acha que servem só para quem vive em ashram na Índia. Mas quando você olha de perto, eles falam exatamente sobre essas coisas que a gente vive todo dia.

Vou traduzir sem enfeite.

Ahimsa significa não-violência. Parece óbvio, mas a violência que a maioria de nós pratica é contra nós mesmas. É aquela voz interna que te xinga quando você erra. É forçar o corpo além do limite porque você acha que precisa provar algo. É aceitar relacionamentos que te machucam porque você acha que não merece coisa melhor.

Satya é sobre verdade. Não mentir, claro. Mas também não fingir que está tudo bem quando não está. Não sorrir para agradar quando o que você queria era chorar. Não dizer sim quando o corpo todo está gritando não. Para mulheres que passaram a vida inteira se adaptando para caber, falar a verdade pode ser revolucionário.

Casal em silhueta discutindo em frente a uma janela com cortinas, gesticulando durante a conversa.
Africa images / Canva

Asteya fala sobre não roubar. Mas vai além de não pegar o que não é seu. É sobre não roubar tempo dos outros com reclamação infinita. Não roubar energia alheia com drama desnecessário. E também não deixar que roubem o seu tempo, a sua paz, a sua atenção com coisas que não importam.

Brahmacharya geralmente é traduzido como celibato, o que faz todo mundo ignorar esse princípio. Mas na prática moderna, tem mais a ver com não desperdiçar sua energia vital com coisas que te esgotam e não te nutrem. Aquela amizade tóxica. Aquele trabalho que suga tudo. Aquele hábito que te deixa pior.

Aparigraha é sobre não acumular. Não só coisas materiais, mas também mágoas, ressentimentos, versões velhas de si mesma que você insiste em carregar. É sobre soltar o que não serve mais para ter espaço para o novo.

Esses são os Yamas. Os cinco princípios sobre como você se relaciona com o mundo.

Agora os Niyamas, que falam sobre como você se relaciona consigo mesma.

Saucha é limpeza. Do corpo, claro. Mas também da mente. Parar de ruminar os mesmos pensamentos ruins. Parar de consumir conteúdo que te deixa pior. Escolher o que entra na sua cabeça com o mesmo cuidado que você escolhe o que come.

Santosha é contentamento. Não aquela felicidade forçada de coach. Mas a capacidade de estar ok com o que é, mesmo quando não é perfeito. De reconhecer que você pode querer mais e ainda assim estar grata pelo que tem.

Tapas é disciplina. Fazer o que precisa ser feito mesmo quando não está com vontade. Levantar para meditar. Ir para o tapete mesmo cansada. Fazer a terapia mesmo quando dói. É o oposto da autopiedade que te mantém parada.

Svadhyaya é autoestudo. Olhar para si mesma com honestidade. Perceber seus padrões, suas repetições, seus pontos cegos. Não para se julgar, mas para se conhecer de verdade.

Ishvara Pranidhana é sobre se render a algo maior que você. Pode ser Deus, pode ser o universo, pode ser apenas a aceitação de que você não controla tudo. É parar de tentar segurar o mundo nas costas.

Esses princípios têm milhares de anos. Mas continuam fazendo sentido porque as questões humanas não mudaram tanto assim. A gente ainda mente para si mesma. Ainda acumula o que não precisa. Ainda se violenta achando que está se disciplinando.

A diferença é que agora você pode escolher fazer diferente.

Sobre o autor

Sandra Lebrão

Desde cedo, me movi pela busca de sentido e pela vontade de compreender a alma humana. A maternidade me trouxe ainda mais sensibilidade, e os desafios da vida, incluindo separações e recomeços, ensinaram-me a força da escuta e da transformação interior.

Minha formação em Psicologia e minha prática no Yoga foram caminhos que se encontraram, dando forma ao meu trabalho: ajudar pessoas a reencontrarem o próprio centro, resgatarem sua força e viverem com mais clareza, leveza e presença.

Ao longo dos anos, construí uma trajetória que une ciência e espiritualidade, teoria e prática, sempre guiada pelo desejo de que cada pessoa possa se reconhecer em sua história e abrir espaço para novos capítulos. Hoje, meu trabalho é acompanhar quem deseja atravessar crises, acolher dores e redescobrir a alegria de viver, seja pelo consultório, pelo tapete de yoga ou pelas conexões que a vida nos oferece.

Acredito que cada encontro é uma oportunidade de transformação. É com essa convicção que sigo caminhando, pronta para acolher a sua história.

Meu propósito é estar ao lado de quem busca atravessar suas próprias crises, resgatar sua força e se abrir para novas possibilidades de viver. Sei, pela minha própria história, que sempre é tempo de recomeçar.

Se você chegou até aqui, saiba que este espaço é também para você. Para acolher sua história, sua dor, sua força e sua transformação.

FORMAÇÃO:

Professora de Ballet Clássico: Escola de Ballet “Manon Freire Giorgio”
Magistério: Instituto Coração de Jesus
Psicologia: UNIMESP – Universidade Metodista de São Paulo (SP)
Pós em Psicologia Clínica: Universidade São Marcos – SP
Especialização em Psicodrama: Potenciar – SP
Psicologia do Esporte: Instituto Ricardo Cozac – SP
Pós em Educação Infantil: USP – SP
Formação de professores em yoga: IEPY – SP
Yogaterapia: IEPY – SP
Yogaterapia Hormonal: Profa. Dinah Rodrigues – SP
Anatomia para o Yoga: UNIFESP – SP
Yoga, Educação e Saúde Integral: FAFE – SP
Curso de Especialização em Yoga Props: Profa. Samira Kohn

Ballet Clássico: Despertou a consciência corporal e a determinação em sempre buscar a melhor "forma". A estética que se constrói.

Magistério: A arte de transmitir conhecimento com método e planejamento.

Psicologia: O manejo do inconsciente que se manifesta no real. "Me fez livre para a escuta e compreensão"