Maternidade Consciente

A cobrança da sociedade sobre as mães

Mulher grávida com suas mãos sobre sua barriga
PNW Production / Pexels
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando uma mulher se torna mãe, sua vida muda completamente. Seus desejos, suas prioridades, sua forma de pensar e de agir, a maneira de se vestir e até sua forma de se relacionar com os outros, seja o parceiro, a família e os amigos… É normal que isso aconteça, afinal a mulher praticamente renasce junto com a maternidade. Com esse renascimento vêm também novas cobranças da sociedade que nada tem a ver com a vida daquela recém-mãe, mas que muito exige dela: a forma como se veste, a forma como cria seu filho(a) e as escolhas que faz.

A cobrança da sociedade sobre as mães, principalmente das mães solo, começa desde o nascimento do bebê. A maneira como o bebê vem ao mundo é pauta para julgar uma mãe: parto normal, cesariana, humanizado ou não. A amamentação, a cor da roupa da criança, furar as orelhas, tudo o que a mãe faz ou deixa de fazer é motivo para julgamentos quando, na verdade, é o momento em que a mulher mais precisa de ajuda, mas não sabe, na maioria das vezes, como pedir. O puerpério é difícil, a reconexão da mulher com seu corpo, com seu bebê, as noites sem dormir, os pontos da cesariana cicatrizando, tudo isso dói muito, mas nada dói mais do que os olhos de uma sociedade exigindo que a mãe faça aquilo que os outro acham que é certo ou errado.

A cobrança e os julgamentos apenas sobre as mães

O grande problema da sociedade é pensar que a mãe deve viver exclusivamente para seu filho e deixar o seu perfil mulher, filha e amiga de lado. A mulher não morre com a maternidade. Seus desejos pessoais e individuais continuam com ela; com um pouco menos de prioridade, mas existem. Mães também precisam conversar, sair, desabafar e se divertir; não só precisam, como merecem, e isso não as diminui como mãe, pelo contrário! Isso as humaniza ainda mais. A sociedade está acostumada a jogar o peso da maternidade nas costas da mulher enquanto o homem continua com seu lazer livre; quando faz seu papel de pai e parceiro, ele é visto como o “paizão” ou o “bom pai”, sendo que está fazendo nada mais do que a sua obrigação de pai.

Uma mãe abraçando seu bebê
Kristina Paukshtite / Pexels

A mulher que para seus projetos de vida, doa seu corpo, cuida, amamenta e passa noites sem dormir é mal vista quando sai com as amigas ou quando se sente bem com uma roupa nova que valorize seu corpo, enquanto o homem, que não perde um futebol de domingo com os amigos, quando troca a fralda de cocô é quase um milagre na Terra, e aí surgem as justificativas: “Ah, mas ele é homem, né?”. É? E daí? Ele é homem e aquela mãe é mulher; ambos são seres humanos, ambos são indivíduos com desejos e necessidades que compartilham com uma responsabilidade infinita: um filho.

Um exemplo simples do peso que a sociedade coloca nas mulheres mas não nos homens em relação a um filho é quando ambos estão em um lugar se divertindo e alguém pergunta para a mãe: “Onde está seu filho?”, como se a mãe fosse uma irresponsável de estar ali longe da criança, porque o mesmo não acontece com o pai. Ninguém vê um pai se divertindo e faz a mesma pergunta, já reparou isso? Esse é o primeiro de muitos exemplos que temos quando expomos os comportamentos da sociedade em que vivemos e que precisamos mudar urgentemente.

Os desafios das mães solo

As mães solo são as mães que assumem sozinhas a responsabilidade de criar, amar e educar seus filhos. Esse novo termo existe para substituir a forma antigamente usada “mãe solteira” que, além de errada, era preconceituosa. Uma grande evolução na vida das mulheres mães solo, dado que mãe é mãe e pronto, não é um estado civil. Se ela é solteira, namorada ou casada, não importa a ninguém, e isso não deve estar atrelado ao fato de ser mãe. Essa denominação engloba todos os tipos de mães modernas de maneira respeitosa e consciente. Adote esse termo para a sua vida.

Os olhos da sociedade para uma mãe solo vem mudando e melhorando, como o exemplo do termo citado anteriormente, porém isso ainda se reflete muito na forma como enxergam a mãe, como se o filho que ela teve fosse um ato de irresponsabilidade ou um erro gigante em sua vida e só em sua vida, ignorando a negligência paterna. A sociedade aponta todos os dedos para a mãe, que é quem dedica sua vida e sua energia ao desenvolvimento do seu filho, cobrando dela todos os dias como se estivesse errada, enquanto o pai, ou melhor, o genitor se absteve da responsabilidade e não faz absolutamente nada, seguindo sua vida sem parar de trabalhar e de estudar, sem perder noites de sono, sem dar assistência à criança ou à mãe.

Mãe ajudando a sua filha a estudar
August de Richelieu / Pexels

A ideia de conscientizar a sociedade a cada dia que passa é para mudar esse olhar e essa forma de agir com as mães solo. Em vez de julgar, acolher. Em vez de perguntar, dar suporte. A maternidade, por si só, coloca culpa demais na mulher. Qualquer que seja a dor que você possa diminuir na vida de uma mãe solo, acredite, fará toda a diferença na mãe e na criança.

Mães perfeitas

A ideia da maternidade perfeita idealizada pela sociedade vem sendo quebrada a cada dia. Mães não são perfeitas e ninguém é, isso é fato. Por mais esforços que a mulher faça para acertar em tudo com seu filho, ela sempre vai errar, e isso é normal, acontece com mães de todas as famílias, em todas as idades e circunstâncias. Cada casa, cada família e cada criança são únicas, bem como a relação existente, por isso não existe fórmula mágica nem manual de instruções para criar um ser humano. Consequentemente, não existe mãe perfeita. A teoria da mãe perfeita, que ironia, cai por terra.

O amor de um filho por sua mãe é incondicional, e é esse o combustível de que essa mulher precisa e tem para ser uma pessoa cada dia melhor. Não perfeita, mas a melhor dentro do que já é. Mesmo a mãe mais dedicada, carinhosa e atenciosa tem seus dias ruins. Ela é humana! Todos temos dias ruins. O cansaço bate, os seios fartos de leite, o choro incessante da criança, os brinquedos espalhados pela casa, o marido distante, a família que adora palpitar… Tudo isso cansa. Como manter uma perfeição em vida com tantos aspectos para lidar e ainda sorrir para cada nova fase do seu filho? Criando uma rede de apoio.

A rede de apoio é o colo de que a mãe precisa. Alguém para ampará-la, para acolher sem julgar, para fazê-la aceitar os erros e os acertos da maternidade. Buscar ajuda entre pessoas queridas faz parte do maternar, assim como buscar ajuda psicológica e conhecimento sobre a maternidade. A humildade da mãe em aprender e querer sempre evoluir também deve existir para tornar o processo evolutivo menos doloroso.

Por isso, quando observar uma mãe feliz longe de seus filhos, poupe-a das suas perguntas indiscretas e dos seus comentários maldosos, porque você não sabe o que ela passou ou o que está passando. Aquele momento, para ela, pode ser um dos poucos de lazer longe da maternidade. Ela também merece. Se você é uma mãe, sinta-se abraçada e acolhida em todas as suas escolhas. Se você não for mãe, respeite a luta que você não conhece, seja ela qual for.

Feliz Dia das Mães. Namastê!

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