Há um movimento sutil que antecede a forma. Antes do pincel tocar a tela, antes do verso surgir, antes mesmo que a luz banhe o rosto de um retrato, há uma vibração. Inaudível, invisível, mas real. Como um pulsar quase cósmico, como se o universo respirasse dentro da gente.
Foi pensando nisso que me vi voltando aos átomos, não pela física, mas pela poética.
Li, um dia, que o elétron não descreve um círculo perfeito ao redor do núcleo descreve uma elipse. E que essa elipse, com seus dois focos: um visível, outro oculto é a primeira figura da manifestação. Não o círculo, símbolo da perfeição estática, mas a elipse: dinâmica, assimétrica, viva. Ela tem ritmo. Tem emoção. Tem tempo.
E então entendi: a arte nasce da mesma imperfeição sagrada.
Assim como os planetas giram em elipses como descobriu Kepler, como nos lembra Hermes Trismegisto com seu “o que está embaixo é como o que está em cima”, o artista também se move em órbitas não regulares. Criamos a partir de uma tensão: entre o desejo manifesto e o que ainda jaz em sombra; entre a intenção e o acidente; entre o que se vê e o que se pressente.
Essa polaridade, esse jogo de forças, é o que gera a vibração, aquilo que dá pulsação à matéria e movimento ao espírito.
Eu me pego pensando em fotografias antigas, em retratos de família com luz suave, quase misteriosa. Em como a melhor luz não é a que ilumina tudo, mas a que deixa um mistério no olhar. Um foco claro e outro oculto como na elipse. É ali, na penumbra, que a alma aparece.
Na minha câmera, comecei a perceber isso: não era sobre enquadrar, era sobre sintonizar. Um retrato não é um registro, é uma ressonância. Assim como o elétron vibra pela troca entre positivo e negativo, o retratado e o retratista vibram em campo aberto. Há uma corrente invisível. Uma troca de energia.
Até a iluminação é sagrada nesse processo. Uma luz lateral cria drama, revela contorno, escultura. É como se trouxesse ao mundo a geometria oculta do rosto, um relevo que existia, mas que só ganha sentido com o contraste entre claro e escuro. Assim como o átomo precisa da carga positiva e da negativa, o rosto precisa da luz e da sombra.
E os tattwas, essas forças sutis que mantêm a matéria em forma, em vibração como linhas imperceptíveis que sustentam os eixos do ser, não são, afinal, os mesmos que organizam a paleta, o ritmo, o eixo de crescimento de uma composição?
Quando pinto, sinto isso. Os elementos se organizam em camadas como os elétrons em órbitas. Sete níveis, sete tons, sete tempos. É o número 7, o padrão evolutivo do universo, se repetindo na arte: nas cores do arco-íris, nas notas da escala, nos estágios da alma.
Tudo vibra. Tudo orbita.
E talvez por isso, quando criamos, não estamos inventando, estamos lembrando. Lembra-se do corpo do átomo? Lembra-se do coração do planeta? Lembra-se a alma do que é ser elipse: não perfeito, mas completo. Porque completo não é sinônimo de simétrico, é sinônimo de verdadeiro.
Quando olho uma pintura forte, um verso que arrepia, uma fotografia que não se esquece, sinto que ela veio desse lugar: da vibração original. Daquela que Fohat, a inteligência elétrica do universo, acendeu no primeiro átomo. E que hoje acende o olhar do artista diante do vazio.
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E então, com um traço, uma luz, um movimento, o invisível se torna forma.
E a elipse se fecha.
Mas só até a próxima revolução.
Porque a criação não termina.
Ela pulsa.
Ela orbita.
Ela vibra.
P.S.: Se você sente isso também, aquele tremor sutil antes do gesto criativo, saiba: você não está inventando nada. Você está apenas dançando com o átomo, com o planeta, com a alma do mundo.
