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A música não trai novos nem velhos sentimentos

Homem de fones de ouvido observa o pôr do sol enquanto segura um celular.
Moore Media / Getty Images / Canva

A música tem um poder curioso: basta uma melodia para sentimentos antigos voltarem à tona. Mas por que algumas canções nos tocam tão profundamente? Descubra essa relação entre música, memória e emoção e continue a leitura!

Somos energia contida, como Sigmund Freud sugeriu ao mapear as forças inconscientes que nos governam. De fato, a teoria das pulsões elucida o que as palavras cotidianas mal conseguem tatear: não ouvimos uma música por mero capricho, mas movidos por uma necessidade psíquica visceral.

É comum ver lágrimas caírem ao som de uma melodia, pois a memória afetiva desconhece o tempo do relógio; ela permanece cravada na alma, pronta para disparar a qualquer acorde e nos lançar de volta ao passado — às vezes reabrindo antigas fraturas, às vezes nos fazendo cavalgar em cavalos alados rumo à mais pura felicidade.

Homem usando fones de ouvido, com a cabeça apoiada na mão e chorando.
Yamasan / Getty Images / Canva

Por ser puro estopim de catarse e carga energética, a canção narra nossas vivências mais ocultas e confessa aquilo que jamais teríamos coragem de pronunciar, nem a terceiros, nem a nós mesmos. Daí decorre o ato ancestral de dedicar melodias a quem se ama ou a quem partiu.

A música não negocia com o engano: bate à porta do afeto sem pedir licença e nos desarma, arremessando-nos contra o peso emotivo daquilo que fomos. Do acalanto de ninar aos protestos antiguerra e pelos direitos humanos, esses hinos moldam a história das civilizações.

No cancioneiro brasileiro, a força do som se personifica em marcos indeléveis: Roberto Carlos narra a emoção do retorno, em que até o cão o abraça sorrindo ao cruzar de volta o portão; Chico Buarque retrata com agudeza um país sufocado, onde o simples bedel ousava posar de juiz; Maria Bethânia escancara a dor de um coração ateu em carne viva.

Diante de tais hinos, ficamos suspensos, alheios a qualquer beliscão da realidade terrena. A música, afinal, ignora velhos ou novos sentimentos: ela apenas dá vazão àquilo que somos.

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  • Janio Ferreira Costa (Psicanálise Online)

    Janio Ferreira Costa (Psicanálise Online)

    Psicanálise
    [email protected](21) 97694-1040@psicanaliseminutojaniopsicanalista.wixsite.com/inicio

    Olá, sou Janio psicanalista, estou feliz por estar aqui. Fazer terapia é ler a si mesmo.

    Trabalho com sessão online com adultos, veja meus contatos no final deste artigo. Grato.

    Acredito que você é uma pessoa de grande valor e que nasceu para um propósito; dentro de você há um rico depósito de habilidades, mas a vida acontece e surgem situações que obscurecem a visão da gente, fazendo com que você sinta que "não vale a pena". Com isso pode vir a ansiedade ou uma série de transtornos.

    Se isso ressoa em você, conecte-se comigo hoje e vamos conversar.
    Teremos uma conversa tranquila, privada e (acima de tudo) sem censuras ou críticas.

    Viso criar um espaço seguro e sem julgamentos para você conversar, desabafar e descarregar suas vivências.