Autoconhecimento

A política como ciência do bem comum

A forma de duas cabeças, uma virada de frente para a outra, feitas de papel. Uma é azul com pedaços de papel vermelho colado. A outra é vermelha com pedaços de papel azul colados.
Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
A epígrafe: “Quem não sabe para onde vai qualquer caminho serve.” (Sêneca) reflete o atual momento que o Brasil está vivendo. Sim, o país está vivendo o clima das eleições. Sejam em níveis estadual ou federal, todos os candidatos, sem exceção, se apresentam como “o mais do mesmo”. Ou seja, não há novidade em curso. Todos falam dos mesmos problemas, sem, contudo, apresentar soluções.

Impulsionado pela leitura do livro “Ciência e Política” de Max Weber (1864-1920), é que quero compartilhar com vocês a seguinte questão: “a política é a ciência do bem comum”. E logo no início devo dizer que: toda ciência é uma atividade tipicamente humana e, como tal, ela pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. No entanto cada um de nós tende a uma inclinação natural para o bem, porque não podemos viver sem amor.

Sete mãos coloridas e curvadas formando um círculo.Sim, o amor é aquilo que nos diferencia dos outros animais. Não o amor egocêntrico, mas o amor verdadeiro, o amor ágape, o amor doação. A política como “ciência do bem comum” teve a sua origem na Grécia antiga e, como o seu próprio nome diz, “visava o bem de todos”. Em outras palavras, o verdadeiro sentido da palavra política é: “fazer o bem sem olhar a quem”.

Mas será que é isso que estamos vivendo no Brasil?

Será que os políticos brasileiros buscam o bem comum? Será que um dia o Brasil viverá a verdadeira política? Em que a prática dos atuais políticos nos ajuda rumo aos novos tempos? Será que os políticos brasileiros sabem quais são as condições necessárias ao funcionamento do estado moderno? Como as “lideranças políticas” se comportam quando alguém pensa o contrário de si? Será que eles sabem que “ninguém é igual a ninguém” e que “a diversidade é sinal de inteligência”?

A sociedade moderna exige líderes racionais e não apenas líderes carismáticos. A “racionalidade” de um líder político depende, em primeiro lugar, de uma distinção entre “viver para a política” e “viver da política”. Em outras palavras: “viver para a política” é ser ético e praticar o bem comum, enquanto que “viver da política” é participar de falcatrua, de desvio de dinheiro público, é buscar o poder pelo poder, enfim, é participar da corrupção na organização política.

Quantos desses candidatos que hoje se lançam a um cargo público, sejam eles para deputado estadual, deputado federal, senador ou para presidente do país, não estão na política apenas para “viver da política”? Será que tem algum deles que estão na política porque “vivem para a política”? Apesar de tudo, eu quero acreditar que sim! Deve existir alguém bom, mesmo no meio de tanta gente ruim! Basta apenas “saber escolher”, “saber votar”.

Mulher branca e loira com o cabeço preso em um coque e ela está usando uma camisa social cor de vinho. Ela está com uma mão na cintura e a outra está com o dedo indicador levantado equilibrando um globo terrestre e ao fundo há um mapa do mundo.

No entanto aqui cabe um esclarecimento sobre esses termos:

“Saber escolher” e “saber votar”. Em primeiro lugar, o que significa “saber votar”? Será que é o eleitor que escolhe o seu candidato? Segundo o sistema eleitoral brasileiro, para que alguém seja candidato a algum cargo público, essa pessoa deve ser filiada a algum partido político. Logo, não é o eleitor que escolhe o candidato, mas, sim, o partido.

Em segundo lugar, a “escolha” do eleitor dar-se-á sempre entre os candidatos que os partidos apresentam. Dessa forma, a maioria dos candidatos são sempre os mesmos, afastando das pessoas o interesse pela verdadeira política, que é a participação do cidadão nas decisões políticas.

Com tudo isso, acaba prevalecendo entre as pessoas de bem a ideia de que política é coisa para “políticos profissionais”, os engravatados, os vereadores, os deputados. Mas isso não é verdade! Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política é a arte de decidir e, como estamos decidindo a todo momento, “somos animais políticos”. Isso é importante que se diga, pois existem muitos “intelectuais” que adoram culpar o eleitor por algo que não saiu conforme o planejado.

Desenho de uma caixinha branca com a palavra vote escrita em vermelho na parte da frente. Na parte de cima da caixa há uma abertura e um pouco acima há uma mão depositando um papel na caixa.No Brasil atual, é comum ouvir expressões do tipo: “O povo não sabe votar!”, “São os analfabetos que elegem os políticos corruptos!”, “O povo tem o governo que merece!”, “São os pobres que elegem os governos populistas!”. Diante de tudo isso, a mensagem é clara, pelo menos para mim, não sejamos simplórios! A realidade brasileira precisar ser melhor analisada, estudada e interpretada.

É preciso ser crítico, analisar por todos os ângulos a realidade política, social e econômica do Brasil, principalmente levar em conta a equação “meios e fins”. O Brasil é um país muito rico para ser tão pobremente estudado. Portanto não se pode dizer que a culpa é do povo que não sabe votar. A culpa é de todos nós, principalmente dos intelectuais, dos professores em especial, que não sabem dialogar com o povo. Enfim, não nos esqueçamos das sábias palavras de Karl Marx (1818-1883):

“As ideias dominantes de uma época são sempre as ideias da classe dominante”.


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Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).