Autoconhecimento Psicapometria

A verdadeira sabedoria consiste em deixar ir

Paulo Tavarez
Escrito por Paulo Tavarez

Não somos donos de absolutamente nada nesse mundo. Nada daquilo que possuímos é nosso, nada nos pertence, infelizmente não conseguimos entender que a melhor forma de nos relacionarmos com as coisas, para o nosso próprio bem, é através do desprendimento.

Ainda agimos como crianças que não querem compartilhar brinquedos, criamos uma identificação profunda com as coisas e não percebemos o tamanho do equívoco que estamos cometendo, pois ao perdê-las, nos sentimos como se estivéssemos sido amputados. Todo exagero de importância que damos ao que quer que seja, acaba nos aprisionando. Quanto maior o nível de carência afetiva no indivíduo, mais ele tenta preencher-se com coisas ou pessoas que passa a fazer parte do cárcere de suas ilusões.

Quantos investidores não pularam de prédios naquela fatídica quinta-feira negra, quando houve o crash na bolsa de Nova Yorque  em 1929? Quantos milionários não cometeram o suicídio diante das flutuações do mercado ou de bancarrotas imprevistas? O mundo está repleto dessas histórias trágicas de falências e quebradeiras, pois a vida é feita de vicissitudes, de altos e baixos, essa é dinâmica que coordena nossas experiências. O homem precisa aprender a não agarrar-se à paisagem, deixar o Universo agir, pois é ele que está no comando, assim com nos dá também nos tira, depende da nossa necessidade evolutiva.

Não tem o menor sentido viver agarrado às coisas materiais, justamente por isso: existe muita instabilidade em tudo, nada é eterno, mesmo para aqueles que chegaram ao mais alto nível de prosperidade, há sempre a possibilidade de uma alternância, é preciso estar preparado para a queda e não existe outro meio de nos defendermos das provas que a vida nos impõe que não seja nos desprendendo, por isso é preciso exercitar o desapego.

shutterstock_99954488Precisamos aprender a soltar o que precisa ir, nada daquilo que desfrutamos é nosso, nem pessoas nem coisas, um dia teremos que deixar ir, não é incomum sabermos de casos de almas que ficaram presas às casas em que viviam, aos objetos que possuíam ou assombrando entes queridos. Para quê tudo isso? As pessoas perdem a saúde, a família, a honra, os amigos, tudo pelo afeto extremo às riquezas, isso é muito triste!

Siddhartha Gautama – o Buda, certa vez, recebeu um fazendeiro disposto a se matar porque fugiram cem vacas de sua propriedade. Diante do inusitado e percebendo que seus discípulos estavam chocados, aproveitou para dar-lhes um ensinamento:

Meus amigos, sabem por que vocês são felizes? Porque vocês não têm cem vacas para perder.

Enquanto estivermos ostentando essa estranha cegueira, vitimados pelos distúrbios da razão, servindo à Mamon, nossa consciência continuará obscurecida por um véu, onde a realidade terá contornos distorcidos. A verdadeira sabedoria consiste em deixar ir, olhar o mundo sem os traços da posse doentia, aproveitando ao máximo o que vida estiver oferecendo, mas entendendo que tudo é impermanente. Não é preciso dar tudo aquilo que você conquistou aos pobres, nem é preciso ter medo de prosperar, é preciso apenas não ser possuído pelas ideias fixas e doentias do poder e das riquezas.

Tão triste quanto o apego às coisas é o apego às pessoas, pois é o mesmo princípio. Todo afeto exagerado por alguém sinaliza algum problema emocional, é triste, mas é verdade, e apenas uma reflexão profunda poderá fazê-lo compreender esse fenômeno. As paixões são emoções infladas de carga afetiva, sejam elas as nossas culpas, remorsos, frustrações, enfim, tudo aquilo que nos prende com intensidade exagerada a alguém é um sentimento enfermo, estamos sendo muito mais egoísta do que pensamos, pois não estamos expressando o verdadeiro amor, na realidade,  simplesmente elegemos o outro a solução dos nossos conflitos internos. Os terapeutas de vidas passadas sabem disso, infelizmente o assunto merece maiores considerações e o espaço aqui é curto e o assunto é bastante complexo, além de não tratar-se do tema central desse estudo, mas saibam que a paixão não tem rigorosamente nada a ver com o amor.

Sobre o autor

Paulo Tavarez

Paulo Tavarez

Instrutor de yoga, pedagogo, escritor, palestrante, terapeuta holístico e compositor. Toda a minha vida tem sido dedicada à construção de um mundo melhor.

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