Convivendo

Animais e poesia: uma união de amor

Patricia Tolezano
Escrito por Patricia Tolezano



Dia 14 de março é o Dia dos Animais e da Poesia. E eu, como poeta que vive com um animal (melhor, vivia), não poderia deixar de poetizar aqui sobre como é viver com estes filhos/pais/amigos/companheiros de quatro patas. Eles nos amam incondicionalmente e despertam em nós um amor tão incondicional quanto são capazes de dar.

Todos, impreterivelmente, se tornam parte e parecido com seus amigos. Seus gestos se assemelham aos nossos. Será que somos nós quem queremos nos ver neles ou eles se apropriam mesmo da nossa personalidade e característica de tanto nos olharem?

Esta pergunta sempre me intrigou. Bom, dizem que são irracionais. Mas sua irracionalidade mais se assemelha a uma diferença semântica de raciocínio. Claro que o “penso, logo existo” é uma peculiaridade nossa. Mas eles fazem associações de raciocínio sim. Apenas conceitual e interessadamente diferentes.

O meu Supla tinha um certo ar rabugento e debochado, mas era extremamente companheiro e, se você estivesse triste, corria a lhe confortar, deitando-se em sua barriga. Como era extremamente agitado, de vez em quando sobravam arranhões até as visitas. Ele adorava amedrontá-las, e eu o ajudava dizendo para brincarem, mas também se atentarem, pois ele tinha suas vontades. Tão semelhante a mim! Mas, se queria agradá-lo, bastava chegar com um embrulho de presunto, um pote de azeitonas ou um pedaço de mamão e ele ronronava feliz como um taurino diante do seu prato favorito.

Tínhamos brincadeiras e músicas só nossas. Ele adorava! Difícil não amar! Difícil não sentir falta! Ele se foi há menos de um mês e me sinto sozinha e estranha em minha própria casa. Até porque ela sempre foi mais dele que minha… Por isto, só desta vez, ao invés de um texto cheio de pensamentos, queria apenas fazer uma homenagem, em forma de poesia, a quem durante 18 anos mais deu amor que recebeu:

Hoje não precisei me afastar da saída do ar…

Hoje não encolhi os pés ao me mexer na cama…

Hoje não tropecei de madrugada ao levantar para ir ao banheiro ou à geladeira…

Hoje não vou precisar limpar toda a área antes de sair para trabalhar e ao voltar…

Hoje não vou cortar duas fatias de presunto bem picadinhas…

Acho que nem comprar presunto, azeitona ou mamão eu vou mais…

Hoje não vou preparar o café da manhã ou o lanche da noite tropeçando em você

Hoje não vou me atrasar para ceder a sua última chantagem….

Hoje não vou precisar sair da ponta direita do sofá de quase dois metros…

Hoje não vou mais me ajoelhar para nossa brincadeira diária, que você já vinha evitando, como a me preparar…

Hoje vou poder tocar meu tambor livremente sem nenhuma censura…

Hoje ninguém vai comer o girassol que insisto em cultivar…

E nada disso me faz feliz!

Seu coração gigante e guerreiro parou de bater e deixou o meu batendo doído pela falta q já estou a sentir.

Quem diz que gatos não amam, não sabem amar sem apego…

Não conheceu você e, se conheceu, não soube ler e reconhecer este amor especial e incondicional que nasce da espontaneidade e não da necessidade.

Por algum tempo, vou sentir sua falta, falta da ausência de brincadeiras, implicâncias e mimos de um cotidiano de pouco mais de 17 anos, que se deram início naquela manhã em que cruzamos nossos caminhos e você resolveu me seguir.

Sei que gatinhos, mesmo do céu, não leem poesias, mas esta é apenas uma maneira que nós, seres pouco especiais que não falamos com o olhar, precisamos para externar amor, compaixão, aceitação e dividir mazelas.

Os dias andam meio vazios e, mesmo assim, sou grata por ti, meu espelhinho de quatro patas, amor da vida, agora fazendo morada no universo colorido dos seres especiais.

Que brinque e seja feliz como sempre o foi e me fez!

Sobre o autor

Patricia Tolezano

Patricia Tolezano

Sou jornalista de formação, marketeira de opinião, analista esportiva de supetão e escritora de coração.

Se tivesse que me definir em uma única palavra, esta seria adaptação. Mas gosto mesmo é de escrever. Sou uma pessoa e escritora em construção. A partir de agora, vocês conhecerão um pouco do mundo à minha volta.

Viva sem culpa, ame sem medo. E, na dúvida, tente sempre! Para mim, isto é ser feliz.

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