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Aos 50, ainda dá tempo de (re)começar?

Mulher sorrindo enquanto faz exercícios com halteres ao ar livre, acompanhada por um grupo de pessoas.
FatCamera / Getty Images Signature / Canva
Escrito por Leticia Vidigal

Chegar aos 50 traz novos desafios, mas também a dúvida de que talvez seja tarde para recomeçar. Entretanto, a maturidade também nos traz experiência, autoconhecimento e ferramentas que não tínhamos antes. E se nunca estivemos tão bem equipadas?

Um dos maiores desafios que enfrento hoje é continuar confiando em mim mesma apesar da minha idade. Mas, às vezes, também preciso fazer o movimento contrário e segurar um pouco a arrogância justamente por causa dela.

Chegar aos 50 me trouxe algo que eu não tinha aos 20, aos 30 e talvez nem aos 40: experiência. Não aquela que nos transforma em donas da verdade — embora, vez ou outra, a gente corra esse risco —, mas a que nos ajuda a compreender melhor a vida, as pessoas e, principalmente, a nós mesmas.

Hoje reconheço situações que antes me confundiam. Escolho melhor as minhas batalhas. Sei que nem todo conflito merece uma resposta, que nem toda opinião a meu respeito precisa ser considerada e que muitas coisas que um dia pareceram o fim do mundo simplesmente passaram.

Por outro lado, meu corpo faz questão de me lembrar de que toda essa consciência não vem sozinha.

Eu, por exemplo, nunca precisei fazer grandes esforços para perder peso. Isso era algo muito — muito mesmo — mais fácil do que é hoje. Também me recuperava mais rapidamente de uma lesão e não precisava pensar tanto em cuidados que agora fazem parte da minha rotina.

Mulher idosa fazendo alongamento com os braços estendidos, usando fones de ouvido.
Martinedoucet / Getty Images Signature / Canva

A diferença é que hoje compreendo muito melhor por que preciso cuidar de mim.

Quero me exercitar porque quero força, mobilidade, disposição e independência. E, sim, também quero gostar do que vejo no espelho.

Aprendi que essas duas coisas podem coexistir. Posso saber que meu valor não está no tamanho da minha roupa e, ainda assim, desejar me sentir bonita dentro dela. Posso aceitar as transformações do meu corpo sem abrir mão de cuidar dele.

Talvez essa seja uma das melhores descobertas dos 50: a de que aceitar quem eu sou hoje não significa concluir que não quero ou não posso mudar mais nada.

Mas existe outro envelhecimento que me preocupa muito mais do que aquele que aparece no espelho: o envelhecimento dos sonhos.

Em algum momento, uma voz começa a perguntar: “Será que ainda vale a pena?” “Será que não deveria ter começado antes?” “Será que ainda consigo?” “Será que vão me achar velha?”

E é curioso que isso aconteça justamente agora.

Talvez eu tenha menos facilidade para perder dois quilos do que tinha aos 30, mas tenho muito mais recursos internos para enfrentar uma dificuldade do que tinha naquela época.

Aos 50, já errei, recomecei, vi planos darem errado e certezas desmoronarem. Também descobri que somos capazes de atravessar períodos que, enquanto os vivemos, parecem impossíveis de superar.

E hoje consigo fazer algo que nem sempre sabia fazer quando era mais jovem: questionar os pensamentos que tentam me paralisar.

Posso ouvir “você está velha demais para isso” e responder: “será?”

Posso me lembrar de tudo o que aprendi, de quantas vezes recomecei e de quantos recursos tenho hoje que simplesmente não possuía aos 20 ou aos 30 anos.

E, por favor, não quero que me digam que “50 é o novo 30”. Não é.

Tenho 50 anos. E não quero apagar os anos que vivi para me sentir capaz de viver os próximos. Quero levá-los comigo. E, talvez por causa disso, às vezes me sinto um pouco mais pesada.

E não estou falando apenas do corpo. Sei que também carrego uma bagagem com derrotas, perdas, frustrações, cicatrizes, responsabilidades e até mesmo a consciência de que o tempo passou.

Mas escolhi olhar para esse peso de outra maneira.

Porque eu sei que, dentro dessa bagagem, não estão apenas as coisas que hoje me desaceleram. Lá dentro estão também as ferramentas que adquiri pelo caminho: o que aprendi sobre as pessoas, sobre a vida e sobre mim mesma, os ensinamentos de cada erro cometido, as lembranças das vezes em que caí e consegui me levantar, além das boas escolhas e daquelas que espero nunca mais fazer.

É uma bagagem que me ensinou que talvez o grande desafio dos 50 não seja tentar permanecer jovem, mas não permitir que a nossa própria mente nos convença de que já é tarde demais para (re)começar.

E, quando a minha mente fizer isso, eu sei que é hora de abrir essa bagagem e olhar para tudo o que trouxe comigo.

Porque pode ser que eu esteja caminhando um pouco mais pesada.

Mas nunca, nunca eu estive tão bem equipada.

  • Leticia Vidigal

    Leticia Vidigal

    Pedagoga, escritora e facilitadora de Ho'oponopono
    [email protected](31) 99152-6843@hooponoponoanjos@HooponoponoAnjoshooponoponoanjos

    Letícia Vidigal é pedagoga, escritora e facilitadora de Ho'oponopono, com mais de 20 anos de experiência na área da educação. Ao longo de sua trajetória, atuou como professora, coordenadora pedagógica, gestora e, mais recentemente, na gestão de projetos educacionais e sociais.

    Seu encontro com o Ho'oponopono começou a partir das conhecidas frases “sinto muito, me perdoe, te amo e sou grata”. O interesse despertado por elas a levou a pesquisar e estudar a prática em uma época em que o tema ainda era pouco difundido no Brasil.

    Sua primeira leitura foi “Limite Zero”, de Joe Vitale. Em 2015, participou do curso online Zero Limits, com Joe Vitale e Dr. Hew Len, e posteriormente aprofundou seus estudos em formações internacionais promovidas pelo IZI LLC, Pacifica Seminars e Global Science Foundation.

    É autora do Oráculo Ho'oponopono, ilustrado por sua sobrinha Marie Amorim, além de produzir conteúdos, e-books e textos sobre Ho'oponopono, espiritualidade, autoconhecimento e experiências da vida.

    Aos 50 anos, também passou a direcionar sua escrita para temas relacionados à maturidade, aos recomeços e às transformações que acontecem quando aprendemos a olhar para nossa própria história não apenas como passado, mas como ferramenta para construir aquilo que ainda desejamos viver.