Arteterapia

Arteterapia: curando o Ser Humano para curar o Planeta

Mulher branca praticando a arteterapia.
golubovy / 123rf
Escrito por Carolina Rodrigues

Alegria, amor, paz, gratidão, respeito, harmonia, liberdade, equilíbrio, consciência, sustentabilidade… Sentimentos, sonhos e valores nos movem e nos mantêm vivos. Mas, quando deparamos com a crise decorrente da fragmentação da percepção humana, da inversão de valores e da desconexão do homem consigo e com a natureza, muitas vezes nos vemos desmotivados, impotentes. A impossibilidade de se expressar no mundo, de maneira integral, espontânea, fez emergir na humanidade doenças que afetam profundamente nossa alma.

Tendo em vista que todos os elementos do Universo estão conectados entre si formando uma imensa teia da vida, entendemos que a cura se dará a partir do momento em que elevarmos nossa consciência à unidade, à integração com o todo. Necessitamos de indivíduos integrais, criativos e sensíveis para superarmos essas crises.

“Queremos o mundo porque ele é bonito, seus sons, seus cheiros e suas texturas, a presença sensorial do mundo como um corpo. Resumindo, por baixo da crise ecológica está a crise mais profunda do amor, que nosso amor tenha abandonado o mundo, que o mundo esteja desamado, é o resultado direto da repressão da beleza, de sua beleza e de nossa sensibilidade para ela. Para que o amor retorne ao mundo, é preciso, primeiramente, que a beleza retorne ou estaremos amando o mundo só com uma obrigação moral […] A beleza antes do amor também está de acordo com a experiência demasiado humana de sermos levados ao amor pelo encantamento da beleza” (James Hillman)

Percebo a Arte como um caminho para a reversão desse quadro. Quando nos deixamos invadir pelo artístico, recuperamos a estesia humana, retornando ao seu mais profundo significado: sentir com o coração. Nós nos re-encantamos! A experiência estética proporcionada pela arte amplia a consciência humana, redirecionando o homem para a liberdade de criação, promovendo o autoconhecimento, amadurecimento pessoal e sua integralidade, tornando-o ser sensível, capaz de criar novas formas de percepção e convivência em sua cultura e com toda a teia da vida, em unidade com ela.

Mãos brancas sujas de tinta.
Amauri Mejía / Unsplash

A expressão artística é a luz que permite que o consciente veja materializado o conteúdo inconsciente, que assim pode observado e ressignificado. Quando damos formas, cores, texturas, sons e movimentos a nossos sentimentos, expressando-os e concretizando-os, conseguimos gerar novas conexões e relações entre nossas questões e conflitos mais íntimos, que nos leva a uma nova harmonia e nos integra, nos forma e nos cura. É este o processo de arteterapia.

O arteterapeuta é um profissional que vai despertar no indivíduo sua criatividade inata, auxiliando a exteriorização dos sentimentos por meio das mais diversas técnicas artísticas e ajudando a lançar novos olhares e sentidos para a criação do paciente. Sem julgamentos e interpretações, o processo criativo, com a condução adequada, levará a um novo entendimento do contexto que envolve o que foi produzido.

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Vivenciar a arteterapia como cura e Educação (sensível, pautada em valores humanos) é missão e necessidade da nossa sociedade. Conforme sabemos mais de nós mesmos, acolhemos e compreendemos melhor o outro, tomamos decisões com mais clareza e coerência, adotando posturas e relações mais responsáveis, éticas e amorosas para conosco, com o próximo e com o planeta. Nesse contexto, é premente a inserção do entendimento da arteterapia na formação de educadores – os quais, para além da mera reprodução de técnicas, vivenciarão seu próprio processo de cura e o transbordarão para seus educandos. É a transformação do ser transformando o mundo.

Sobre o autor

Carolina Rodrigues

Olá! Sou Carolina, uma sonhadora desde pequena. Pés descalços, no chão, cabeça nas nuvens. Sonhava com um mundo em que todas as pessoas fossem felizes, amigas e borboletantes. Fui crescendo e percebi que a Educação seria esse caminho. Ingressei na faculdade de Ecologia, sedenta por saber mais sobre Educação Ambiental e resgatei aí a possibilidade de tecer a Arte, a dança, a autoeducação como revoluções no mundo!

Deparei me com a Arteterapia, facilitei rodas de Danças Circulares e integrei projetos de formação de educadores pelas vias do autoconhecimento e da arte teatral.

A maternidade me impulsionou ainda mais a colocar meus projetos no mundo.

Com Cauê nasceu o Dá Tua Mão, que foi germinando do conto "A Dança de Um Um Lugar Chamado Flores" até tornar-se um Jardim em Flor.

Hoje me dedico à jardinagem de corações e à partilha daquilo que floresce do meu coração para aqueles que acolherem minhas palavras.

Gratidão!

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