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Como um daltônico enxerga?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Você provavelmente já chamou algum amigo de daltônico quando ele não conseguia enxergar ou distinguir uma cor. Longe de uma brincadeira, porém, daltonismo é coisa séria e pode implicar algumas limitações para exercer determinadas profissões ou tarefas simples do cotidiano, como combinações de roupas.

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Mas já parou para se perguntar: o que é o daltonismo ou como um daltônico enxerga? Ou ainda: será que todos enxergam igual ou existem variações na confusão com as cores? Vamos esclarecer suas dúvidas sobre daltonismo nesta matéria.

O que é o daltonismo?

Discromatopsia, popularmente conhecido como daltonismo, é um distúrbio de visão cromática que se caracteriza pelo não funcionamento das células fotorreceptoras da retina. São essas células, chamadas cones oculares, que diferenciam as cores.

Daltonismo

O nome “daltonismo” é uma referência ao químico John Dalton, que sofria de um tipo de discromatopsia e foi o primeiro cientista a pesquisar o assunto. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que cerca de 5% da população mundial tenha daltonismo. Só no Brasil, são mais de 8 milhões de daltônicos (dados também da OMS).

A causa mais comum do daltonismo é hereditária, devido a alterações genéticas (daltonismo congênito). Mas existem causas externas que podem levar ao desenvolvimento da deficiência, por terem entre as consequências o potencial de danificar a retina. É o chamado daltonismo adquirido.

Nesse caso, os principais fatores de risco são: lesões no nervo óptico ou no córtex cerebral (área do cérebro responsável pelo reconhecimento de imagens), doenças oculares (degeneração macular ou glaucoma), descolamento da retina ou doenças sistêmicas (como o diabetes). Outras patologias que também podem contribuir para o desdobramento do problema: doença de Alzheimer, doença de Parkinson, leucemia, anemia falciforme, síndrome de Kallmann e neuropatia óptica hereditária de Leber.

Daltonismo

Acredita-se que pessoas expostas a determinados produtos químicos – como sulfureto de carbono e alguns fertilizantes – estejam mais suscetíveis ao daltonismo. Medicamentos usados no tratamento de hipertensão arterial e de alguns transtornos psicológicos também estão entre os fatores de risco, com capacidade para elevar as chances de se desenvolver o daltonismo.

Na forma congênita, o daltonismo é causado por um gene “defeituoso” do cromossomo X. Para que ele se manifeste na mulher, ambos os genes X precisam ser portadores do distúrbio. Já para os homens (XY), apenas um precisa apresentar o problema. É por essa razão que a ocorrência do daltonismo é bem maior em homens (aproximadamente 8%) do que em mulheres (menos de 1%).

Não existe cura para o daltonismo hereditário, mas o daltônico acaba aprendendo a diferenciar as cores e a conviver com essa condição. A depender do nível de daltonismo, pode-se usar lentes corretivas.

Diagnóstico

Atualmente existem 4 métodos para diagnosticar se há daltonismo, qual o tipo e o grau do distúrbio:

Anomaloscópio de Nagel – é um aparelho que emite uma luz amarela na metade do campo visual. Na outra metade, aparecem luzes monocromáticas verdes e vermelhas. O paciente deve fazer um ajuste para igualar as cores dos dois campos visuais. Funciona basicamente como um comparativo entre as cores reais e a visualizada pelo paciente.

Lãs de Holmgreen: lãs coloridas que o paciente deve agrupar de acordo com alguns critérios. O diagnóstico será baseado no tipo de falha na classificação das cores.

Teste de Cores de Ishihara: é o principal método usado. Basicamente são cartões pontilhados com várias tonalidades diferentes, com letras, figuras ou números desenhados no centro. Quem tem uma visão normal consegue enxergar esses elementos centrais. Já o daltônico terá dificuldade em identificá-los.

Teste de tonalidades Farnsworth-Munsell 100: é um teste mais difícil, que avalia a capacidade da pessoa em ordenar as peças coloridas na sequência correta. Também é usado para detectar o grau de acuidade visual e outras deficiências visuais.

Daltonismo

Iniciativa revolucionária

A multinacional japonesa Canon (a gigante fabricante de câmeras fotográficas, impressoras, câmeras de vídeo, entre outros equipamentos de ponta) criou um exame de percepção de cores baseado no Teste de Ishihara chamado “ABC para Daltônicos”.

Trata-se de uma iniciativa revolucionária, que visa ajudar pais e professores a detectar sinais de daltonismo em crianças. Para facilitar sua utilização, o exame foi incorporado ao teste de impressão de um dos modelos de impressora da empresa. Assim, ao fim da impressão, o resultado é a criação de um livro abecedário com 26 letras, que, além de ajudar a identificar os traços de daltonismo, ainda verifica se está tudo ok com a impressora.

Tipos de daltonismo

Mas aí você se pergunta: “É tudo igual?”. Não, o daltonismo caracteriza-se por dificuldades em distinguir algumas cores – particularmente vermelho e verde ou azul e amarelo. Mas não é tudo a mesma coisa. Existem três tipos de daltonismo:

Daltonismo acromático: é o tipo mais raro. Nesse tipo, o daltônico apenas enxerga preto, branco e cinzento, não tendo condições de reconhecer nenhuma outra cor.

Daltonismo dicromático: nesse caso, o daltônico não tem todos os receptores de cor, não conseguindo, com isso, identificar uma das três cores. Subdivide-se em três categorias: protanopia (dificuldade em identificar a cor vermelha), deuteranopia (dificuldade em enxergar a cor verde) e tritanopia (dificuldade de perceber a cor azul). Essas são deficiências totais em cada cone.

Daltonismo tricromático: é o tipo mais comum. Subdivide-se em: protanomalia (deficiência parcial no receptor vermelho), deuteranomalia (deficiência parcial no receptor verde) e tritanomalia (deficiência parcial no receptor azul). Neste caso, tratam-se de deficiências parciais, ou seja, o daltônico tem os receptores, mas estes não funcionam perfeitamente. Portanto eles enxergam as cores, mas com contraste e saturação diferentes.

Daltonismo

Como o daltônico enxerga o mundo?

Depois de saber que existem diferentes tipos de daltonismo, você deve estar se perguntando, então, como cada tipo de daltônico percebe o mundo. Para sabermos como um daltônico consegue enxergar as cores, precisamos entender qual é o seu tipo de daltonismo.

Na protanopia, o daltônico enxerga tonalidades de marrom/sépia, verde ou cinza no lugar do vermelho. Na deuteranopia, em vez do verde, ele enxerga marrom. Já na tritanopia, a percepção do azul e do amarelo são distorcidas: o azul é visto em uma tonalidade diferente da original, o amarelo é visto como rosa e o daltônico não consegue perceber o laranja.

Na protanomalia, como a deficiência é em torno dos vermelhos, ela resulta numa sensibilidade menor e no escurecimento dessa cor e de tons semelhantes. O daltônico desse tipo pode fazer confusão entre vermelho e preto. Na deuteranomalia, há a dificuldade em distinguir o verde. No caso da tritanomalia, como há um problema com os receptores azuis, há prejuízo na identificação de cores na faixa do azul e do amarelo.

Existe um site que faz uma simulação com todos os tipos de daltonismo, tanto das deficiências totais como das parciais, além do mais raro, que é o daltonismo acromático. Vale a pena conferir, para saber, na prática, como realmente são as cores na vida de um daltônico: http://www.color-blindness.com/coblis-color-blindness-simulator/.

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