Autoconhecimento

Como usar a psicologia reversa

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Apsicologia estuda o comportamento. Percepção, cognição, emoção e inconsciente são alguns objetos de estudo desta ciência. Quem procura um psicólogo está em busca da sua essência. Nas sessões, o profissional resgata fatos e sensações que ficaram esquecidos em algum lugar do passado. Uma corrente bastante conhecida é a Terapia Cognitiva Comportamental. A TCC tem por finalidade ajudar o paciente a mudar crenças e pensamentos que atrapalham seu desenvolvimento. O profissional orienta seu paciente a reinterpretar pensamentos que causam emoção negativa.

E se dissermos que existe uma corrente cujo fundamento é andar na contramão? A (reverse psychology), psicologia reversa, ou psicologia inversa como é mais conhecida no Brasil, é utilizada na publicidade. É a psicologia do paradoxo, pois, você consegue (ou pelo menos tenta) ter um resultado positivo por intermédio de uma situação negativa. Nas faculdades de psicologia, entretanto, a psicologia reversa ainda não figura entre os assuntos mais discutidos.

Utilizamos essa técnica no dia a dia e nem percebemos.
Vamos entender como ela funciona. Quando você diz a uma criança “você não pode brincar”, a vontade de brincar será muito mais pelo prazer em desafiar os pais. Para a criança, os pais cometeram a enorme falha de tolher a liberdade dela. Mas, isso não funciona apenas com os pequenos. Quantas vezes você fez alguma coisa porque falaram para você não fazer? O contrário também ocorre. Você não faz o que é esperado no intuito de afirmar sua liberdade.

A psicologia reversa já foi assunto do seriado “Os Simpsons”. No episódio, Homer tem uma conversa consigo. Vamos analisar o trecho:

Cérebro do Homer: “Você não entendeu? Você tem que usar a psicologia inversa!”
Homer: “Isto parece muito complicado”.
Cérebro do Homer: “Ok. Não use a psicologia inversa!”
Homer: “Tudo bem. É isto mesmo o que eu vou fazer”

Um exemplo bastante utilizado por especialistas é o “Não pense em um elefante”. As pessoas vão pensar no elefante.

Quando usar?

A psicologia reversa funciona com pessoas dotadas de forte reatância psicológica, as famosas pessoas “do contra”, aquelas que se recusam a fazer tudo o que é solicitado, por acreditar que sua liberdade está sendo ferida. Quando esta reatância psicológica é extrema, a pessoa faz coisas ilegais para reafirmar sua liberdade. Nesses casos, o indivíduo pode agir em grupos. Pichar muros é um exemplo de infração de lei realizada em grupos.

Psicologia reversa: o que falam sobre ela?

shutterstock_228022969 Os pesquisadores consideram a psicologia um tema difícil. Eles ainda não chegaram a um consenso sobre quando ela funciona e quando o tiro sai pela culatra. Um denominador comum é que quanto mais atraente for o alvo da restrição, mais intenso será o efeito psicológico. Os livros Social Psychology and Human Nature, Comprehensive Edition e Theories in Social Psychology confirmaram a nossa atração pelo proibido.

Os estudiosos relatam que a psicologia reversa é uma forma de manipulação. E cá entre nós, por mais boazinha que a pessoa seja, uma hora ela vai perceber que alguém está tentando manipulá-la. A psicologia reversa precisa ser utilizada com muita manipulação. Do contrário, a reatância psicológica atingirá níveis insuportáveis, ou seja, o indivíduo se tornará ainda mais rebelde e vai ultrapassar todos os limites para reafirmar sua liberdade.

Psicologia reversa: variações

A psicologia reversa também pode ser usada para solucionar crimes. Neste caso, a técnica deve ser aplicada por um profissional experiente. Durante a reconstituição, o acusado é retirado do local e uma pessoa inocente é colocada em seu lugar. O acusado sente-se confortável, pois, acredita que cometeu o crime perfeito. Vaidoso, ele começa a brincar com a sorte. É no egocentrismo que ele se perde. O acusado que por algum tempo conseguiu esconder muito bem suas ações, entra em várias contradições e entrega o ouro aos investigadores.

Esta corrente ainda desconhecida tem duas variações. A psicologia primária é prática muito comum aos alunos do ensino fundamental. Quando eles querem sair da classe a todo o momento, a cada 30 minutos falam “eu posso não não não ir beber água?”. Ao demonstrar um aparente conformismo em não poder sair da sala, alguns alunos atingem a meta de sair do local.

A psicologia reversa pode evoluir para a psicologia reversa esquizofrênica, que consiste em contestar sua própria contestação, no intuído de embaralhar as ideias do seu alvo. Confira um exemplo de conversa reversal esquizofrênica.

Bom aqui estou eu (ou até talvez não) Freud tentando completar essa redação.
Mas será mesmo que eu vou completá-la, ou melhor, será que eu preciso completar?
Esse sistema de avaliação pede uma redação, mas, e se eu não fizer?
Bom vou ser rejeitado não é? Ou será que vou ser aceito?
A essa altura você deve estar achando que sou maluco.
Mas e se eu for maluco e quiser passar no vestibular?
Talvez eu só esteja querendo confundir você, mas, na verdade, não sou maluco
Afinal eu não estou tentando te confundir, eu sou só maluco.
Mas você sabe que apesar de tudo eu estou bêbado não é? Ou não.

Ficou confuso? Acha que o nome psicologia reversa esquizofrênica soou como uma luva? Em um primeiro momento ela parece bem maluca mesmo. Para ajudar a compreender como funciona a psicologia reversa e a psicologia reversa esquizofrênica, imagine que é um jogo do contrário. Neste jogo, você deve revelar qual e como será sua próxima jogada, para intuir o outro jogador a fazer escolhas erradas.

Amor e psicologia reversa

A psicologia reversa pode ser utilizada nas relações amorosas. Já ouviu falar que para conquistar alguém, você deve fazer o contrário? Algumas pessoas quando são idolatradas sentem-se poderosas, tanto que fazem pouco caso do sentimento alheio. Agora, quando são ignoradas percebem que estão apaixonadas e correm atrás. Para mostrar como a psicologia reversa usada na difícil arte da sedução, vamos contar a história de um homem interessado em uma mulher mais jovem. Eles conversam por um aplicativo de mensagens:

Homem: Vai ter uma festa super legal hoje à noite! Queria muito ir com você, mas, acho que não rola você passar a noite toda fora, né?
Mulher: E por que não?
Homem: Você é muito criança ainda. Seus pais não vão deixar.
Mulher: Não sou não! Sou mulher faz tempo!
Homem: Ah, é mesmo? Não parece.
Mulher: Sim! E vou a essa festa com você e mostrar que não sou mais criança.

O homem queria ficar com a mulher, porém, usou a tática reversa. Disse ter certeza que ela não poderia ir e se lamentou por isso. O esperado era a mulher ficar em casa.Uma mulher boazinha, concordaria com o rapaz e ficaria em casa. Entretanto, a reatância psicológica dela é muito grande. A mulher sentiu-se provocada a fazer exatamente o contrário e provar que é uma mulher decidida, dona do seu próprio nariz e das suas vontades.

Psicologia reversa: passo a passo

A psicologia reversa é um ataque ao ego. Para exemplificar isso, vamos usar o seguinte exemplo: você pede ao seu irmão para limpar o cocô do cachorro e recebe uma recusa. Analisem o diálogo:

Você: Estou cheio de coisas para fazer. Por favor, limpe o quintal, está cheio de cocô.
Irmão: Eu não vou limpar coisa nenhuma!
Você: Eu não vou limpar. Já que ninguém vai limpar, o cocô do cachorro vai ficar aí para todo mundo ver. Já pensou seus amigos vendo isso? E a sua namorada? Ela não vem aqui hoje? Eu detestaria chegar em uma casa com o quintal cheio de cocô de cachorro!
Irmão: Caramba! Mas, eu sempre limpo o quintal. Não vou limpar porcaria nenhuma. É desaforo! Se quiser, limpe você o quintal.
Você: Está bem, já que você não consegue nem limpar um quintalzinho desse, deixa que eu limpo.
Irmão: Está bem, você venceu! Pode deixar que eu vou limpar o quintal.

Para a psicologia reversa surtir efeito, você precisa saber o que deseja. Caso contrário, seus argumentos cairão por terra e as posições serão invertidas. Você precisa ter em mente as seguintes questões:

  • Na discussão, a luta pelo poder fica mais intensa. Lembre-se que a psicologia inversa é um ataque ao ego. Seu alvo vai tentar mostrar que ninguém manda nele. Use este item a seu favor.
  • Mostre à pessoa que, na verdade, ela não faz o que foi solicitado porque ela não consegue.
  • Seu alvo tentará a todo custo provar que é livre. A discussão chegará a um ponto que ele não terá mais argumentos, será o “eu não vou fazer e pronto”, “você não manda em mim”. A pessoa repetirá esse “mantra” feito um papagaio. Chamamos isso de dissonância cognitiva. É o melhor momento para atacar o alvo.
  • Quando a pessoa mudar o tom de voz, encerre a discussão. Este é momento para mostrar que está magoado.
  • Faça seu alvo sentir-se culpado por ter se recusado a atender ao pedido. No diálogo acima, o irmão pensou na vergonha que sentiria ao ver os amigos e a namorada chegando em casa e vendo o quintal sujo.

Ainda não há muita discussão sobre psicologia reversa. Os psicólogos consideram um assunto complicado. Se um dos pilares da psicologia é falar abertamente, como entender uma técnica que ensina justamente o contrário? Embora todos nós façamos uso dela, sem perceber, o assunto precisa ser debatido.

Convencer o outro a fazer o que você quer é tentador. Se for através de artimanhas, a sensação de poder é ainda mais tentador.
O que era apenas um simples pedido vira uma tentativa de mostrar que você é uma pessoa determinada, que não aceita um não como resposta e não sossega até reverter o jogo.

A psicologia reversa deve ser utilizada com muita cautela. Não custa nada repetir. Esta técnica é uma forma sutil de manipulação. Ao usá-la indiscriminadamente, você pode magoar várias pessoas. Tome muito cuidado para não ser visto como uma pessoa fria e calculista. Pessoas manipuladoras fazem tudo para alcançar seus objetivos. E não vai demorar para você ser descoberto. Ou você pensa que ninguém perceberá?

O ego sempre deve ser combatido. Mas, quebrar o ego alheio e impor sua vontade/necessidade, pela manipulação, é algo perigoso. Afinal de contas, quem é o mais vaidoso da história, o outro que deseja afirmar sua liberdade em fazer o que quer na hora que bem entender, ou você que deseja bancar o “controlador de mentes”?

Claro que, de vez em quando precisamos dar um “cutucão” para que algumas pessoas saiam do lugar e façam sua parte. A psicologia reversa até pode ser esse empurrão, porém, nada substitui uma boa conversa. Esse joguinho de falar que não quer uma coisa, quando na verdade quer é perda de tempo. Pense duas vezes antes de usar a técnica com crianças. Elas podem gostar desse jogo, ou pior, ficarem confusas e acreditarem que a vida é a arte de “falar uma coisa querendo dizer outra coisa”. Utilizar a psicologia reversa nos relacionamentos amorosos também exige cuidado. Já pensou você falar que não quer e a pessoa sumir?

Conversando você conquista muitas coisas. Expor seus pontos de vista, vontades, necessidades, desejos é uma atitude adulta e inteligente. Conversar também é muito mais rápido que aplicar as táticas da psicologia reversa. Falar uma coisa, querendo falar outra, dizer que não quer, quando na verdade quer dá um trabalho enorme.

Falamos aqui sobre como funciona a psicologia reversa. Mostramos quando e como pode ser utilizada. Queremos fazer um pedido a você, pense muito antes de aplicar a técnica. Usar em coisas bobas, do tipo, falar que não quer comer uma fatia de bolo, quando está louco para provar essa delícia, dá para relevar, afinal é uma situação que não oferece perigo. Mas, com crianças, nas relações familiares, amorosas e com amigos a coisa muda de figura. Tudo o que envolve a vida precisa ser levado muito a sério.

Você deve comer doces com moderação. Bebidas alcoólicas e churrasco exigem o mesmo cuidado. Com a psicologia reversa acontece exatamente o mesmo. Se utilizada de vez em quando, não causa problemas. Se virar rotina traz muitos estragos. É isso que pedimos a você, moderação, cautela, cuidado, use o nome que achar melhor. Dessa forma, você não cria armadilhas para seus relacionamentos.


Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]