Convivendo

Consumo consciente em tempos de blogueiras

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

 algum tempo, a internet vem sendo a tecnologia de comunicação mais usada, tendência que só está aumentando. Seu imediatismo, assim como seu grande apelo visual, a fazem atrativa e utilizada pela maioria das pessoas ao redor do mundo.

Além do uso para a comunicação, acesso à informação, exposição e busca de dados e, principalmente, contatos sociais, a internet tem sido também fonte de renda para algumas pessoas.

Nova onda

Dentro do contexto do surgimento da internet e das redes sociais, surgiram junto os blogs. Para quem não conhece, blogs são páginas online em que seus “donos” escrevem seus próprios textos com total liberdade de assunto e exibição.

Esse novo formato proporcionou grande liberdade aos usuários e incentivou o uso desmedido do recurso, que se tornou um grande sucesso. A onda dos blogs vem evoluindo ao longo dos anos com altos e baixos, e gerou o uso de outros meios como os “vlogs”, versões em vídeo, criando grandes celebridades que, até então, eram totalmente anônimas.

Efeitos

Com a efetividade que tiveram, os blogs trouxeram algumas consequências e começaram a ser vistos pelas grande empresas como uma oportunidade de ganhar dinheiro, devido à sua visibilidade e à aderência que teve ao grande público.

Shopping.Sendo assim, algumas empresas passaram a “patrocinar” a exposição de seus produtos nos blogs, porém de uma maneira diferente, utilizando a figura do próprio blogueiro, numa espécie de troca.

Novo mecanismo

Este novo método de divulgação tem sido muito bem aceito e veicula cada vez mais produtos neste formato. Como funciona?

Principalmente entre o grupo de blogueiras mulheres, as marcas fornecem os produtos, sejam roupas, produtos de beleza, higiene, decoração, alimentos e outros, para que essas famosas autoras os utilizem e, ao mesmo tempo, divulguem o uso, valorizando as qualidades da mercadoria para o seu público leitor.

O grande êxito deste marketing está em aproximar ao máximo o consumidor do produto, ou seja, ele é vendido por uma propaganda muito realista: alguém, normalmente uma figura de seu agrado e que você já está habituado a acompanhar o blog, faz uso de algo e demonstra a sua opinião (obviamente, positiva), convencendo facilmente o público da utilidade e qualidade da marca que está realizando o marketing.

Com esta troca, o dois lados ganham muito. A marca, que anuncia seu produto à baixíssimo custo (normalmente é feita apenas a “doação” da mercadoria à blogueira) e não tem gasto com grandes produções “propagandísticas”, e a blogueira, que ganha muito mais seguidores, leitores, fama, roupas, perfumes, cremes, barrinhas de cereal, sapatos, bolsas, entre outros.

Consumismo

Outra grande questão que gira em torno desta “nova moda” é o consumo desenfreado que ela vem incentivando. Por aproximar tanto o produto do leitor por meio de uma identificação direta, apelo visual e emocional, o consumo é quase que certo, exatamente o que as marcas desejam e o que os desatentos sofrem por fazer.

O que acontece é que a vontade de ter o mesmo produto que você viu a blogueira usar é muito grande e a tentação em experimentar o que foi exposto supera as reais necessidades e condições financeiras de cada um.

Além de todos os outros padrões sociais que nos incentivam a ter um corpo perfeito, e aquisições pré-definidas, a imitação de uma figura famosa entra no subconsciente de algumas pessoas e elas simplesmente passam a querer ter a vida de um terceiro, no caso, admirado e “idolatrado”.

Realidade

Tendo esta visão de como ocorre o consumo desenfreado, é importante que todos nós nos atentemos para as reais necessidades de comprar o que não temos. Não é porque a sua blogueira preferida postou uma maquiagem de uma marca internacional, que somente aquele produto será efetivo e os efeitos serão os mesmos em sua pele.

A distorção da realidade é ainda outro fator que pode enganar o consumo.

Fotos e vídeos têm uma grande quantidade de cortes e edições, passando, muitas vezes, ideias falsas e montadas por programas digitais.

Atenção

Uma coisa são boas dicas, outra coisa é imitação impensada. Podemos sim aproveitar as propagandas que fazem os blogs e descobrir novas marcas, encontrar produtos inovadores e conhecer a real atuação de outros. Entretanto, não podemos tornar o impulso maior que o bolso.

Comprar sem necessidade é algo supérfluo e custoso, que só trará problemas a curto e longo prazo.Busque sempre identificar o quão útil aquilo será para você e o quanto cabe em seu orçamento.

O consumo inteligente e consciente faz parte de um controle e autoconhecimento, que devem ser utilizados para livrar a mente de amarras e imagens apelativas. Entenda as suas reais demandas, satisfaça seus prazeres de forma pensada e seja feliz com a sua vida, e também com o seu bolso.


  • Escrito por Julia Zayas da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

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