Autoconhecimento Psicanálise

Convivência

Ana Racy
Escrito por Ana Racy

Convivência… Uma palavra bastante usada nos dias de hoje, mas será que sabemos realmente o seu significado e, mais que isso, sua aplicação? 

Uma das definições do dicionário online de português, diz que convivência é a ação de coexistir (em um mesmo local) de maneira harmoniosa ou ter um convívio próximo e contínuo. Ouço, com frequência, que conviver é uma arte. Alguns entendem como uma obra valiosa e outros como uma arte mal-acabada.

O fato é que a convivência pode despertar em nós os melhores e os piores sentimentos, porque nos defrontamos com o agradável e com o desagradável. O agradável não nos causa desarmonia e, por isso, parece que nem damos tanta atenção a ele. Mas o desagradável é aquilo que queremos tirar da nossa frente ou fazemos de tudo para mudar para que seja da forma como gostaríamos que fosse. E, nesse exato momento, percebemos a nossa incapacidade para fazer com que as coisas sejam do nosso jeito e, também nesse momento, nos é oferecida a oportunidade para vermos que não temos o controle de tudo como gostaríamos, nem das pessoas.

A convivência é uma grande oportunidade em nossas vidas para aprendermos a lidar com o nosso lado menos nobre: a impaciência, a incompreensão, a inveja, o ciúme… 

Podemos observar como se relacionam as pessoas de uma família: pai, mãe, irmãos. Normalmente, parte-se do princípio de que o amor incondicional é praticado dentro dessa estrutura familiar, mas percebemos que um irmão tem ciúme do outro, que a mãe prefere o filho mais velho do que o mais novo e assim por diante. Como fazer para conviver em harmonia com tantas preferências?

No ambiente doméstico encontramos tudo aquilo que necessitamos para o nosso crescimento moral e espiritual. Estamos no local exato e com as pessoas certas para superarmos e transformarmos a nós mesmos e as nossas relações.

O autoconhecimento é uma ferramenta muito poderosa para auxiliar nessa transformação interior e para mudar a forma como vemos as pessoas que nos rodeiam ou as mais distantes. Ao compreendermos os nossos sentimentos, nossas emoções e reações, enxergamos os outros de forma diferenciada, não julgamos mais porque já não temos mais aquele sentimento habitando em nós.

Sigmund Freud diz que existe um mecanismo de defesa chamado “projeção”, apontar no outro aquilo que é meu, só que é muito duro reconhecer e enxergar aquilo em mim, por isso projeto os conteúdos do meu inconsciente no inconsciente de uma outra pessoa. Isso significa que quando nos incomodamos com determinada atitude de uma pessoa, precisamos entender o porquê aquilo nos incomoda e não esperar que o outro mude seu comportamento para que eu me sinta melhor.

Ao fazermos o exercício de entender o porquê algo nos incomoda, estamos colocando o autoconhecimento em prática. 

Encontramos muitos desentendimentos e frustrações nas relações profissionais, pois as pessoas esperam o reconhecimento que não chega, o aumento de salário, a promoção que não vem e começam a procurar culpados pelas suas frustrações. Será que essa é a melhor forma para aprender alguma coisa com o desagradável ou para melhorar o relacionamento interpessoal?

Não! Essas situações se apresentam para que possamos nos perguntar o que precisamos aprender com as coisas que não se realizam de acordo com o nosso desejo? A resposta é simples: precisamos aprender a perdoar e a compreender as limitações alheias da mesma forma como queremos que nossas limitações sejam compreendidas. Se enxergamos alguém como sendo a pedra do nosso caminho, precisamos nos lembrar que somos igualmente a pedra no caminho de alguém. É justamente essa pedra que testa todos os nossos limites e se soubermos usar adequadamente a adversidade que se apresenta em nosso caminho, conseguiremos superar algum instinto primitivo que ainda fazia parte de nós e, aos poucos, começamos a perceber que essas pedras é que formam o chão firme da nossa evolução.

Gostaria de encerrar com uma pergunta que nos permite refletir sobre o tema:

O que temos feito para alcançar a harmonia interior e para o equilíbrio entre corpo, mente e espírito? 

Desejo a todos uma boa reflexão e que encontrem a paz e a harmonia tão desejadas!

Sobre o autor

Ana Racy

Ana Racy

Psicanalista Clínica com especialização em Programação Neurolinguística, Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente, Microexpressões faciais, Leitura Corporal e Detecção de Mentira. Tem mais de 30 anos de experiência acadêmica e coordenação em escolas de línguas e alunos particulares. Professora do curso “Psicologia do Relacionamento Humano” e participou do Seminário “O Amor é Contagioso” com Dr. Patch Adams.

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