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Da discrepância à diferença: quando a criatividade não se aprende

Ilustração em tons de rosa mostrando um cérebro conectado por um fio a uma lâmpada acesa, simbolizando criatividade, ideias e pensamento.
Stan Horia's Images / Canva
Escrito por Fabiano de Abreu

Criatividade se aprende ou já nasce com você? E se nem toda criatividade fosse a mesma? Entre lógica, emoção e genética, surgem perguntas que desafiam ideias comuns sobre talento e inteligência. Continue a leitura e descubra.

Costumamos falar de criatividade como se fosse uma habilidade única, quase um talento genérico. Do ponto de vista neurocientífico, isso é um erro conceitual. Criatividade não é uma coisa só, e entender essa diferença muda completamente a forma como avaliamos inteligência, comportamento e potencial humano.

Existe o que chamo de “criatividade objetiva”. Ela é comum em superdotados, em pessoas no espectro autista e em indivíduos com síndromes que não comprometem a cognição. Está ligada ao raciocínio lógico, à resolução de problemas, ao reconhecimento de padrões e à reorganização de informações. É mensurável, treinável e, muitas vezes, confundida com inteligência pura.

Mas existe outra forma de criatividade, menos visível e mais profunda: a “criatividade subjetiva”. Ela é impulsionada pela emoção, não funciona apenas a partir da lógica e atua de forma mais silenciosa. Não aparece necessariamente em testes tradicionais. É o tipo de criatividade que permite pensar aquilo que ainda não foi ensinado. Costumo usar Einstein como referência, não pelo mito, mas pelo fato de ele ter formulado ideias que não existiam no currículo de nenhuma escola.

Uma mulher está fazendo caligrafia em um papel pardo. Ao lado, há tintas, pincéis, água e outros objetos.
Cottonbro Studio / Pexels / Canva

Essas pessoas, em geral, filosofam mais sobre a vida. Trabalham o raciocínio lógico com alta intensidade emocional. Neurobiologicamente, há uma interação mais intensa entre funções executivas elevadas e estruturas emocionais como a amígdala, criando caminhos cognitivos menos convencionais.

Ao unir genética e neurociência, algo fica claro: a discrepância é o que faz a diferença. A criatividade objetiva pode surgir como efeito compensatório do cérebro, seja no equilíbrio cognitivo de indivíduos com QI entre 120 e 140, seja em mecanismos de compensação presentes no autismo ou em síndromes leves. O cérebro se reorganiza para manter a eficiência.

A criatividade subjetiva, por outro lado, está ligada à intensidade. Ela aparece com mais frequência em pessoas com QI extremamente alto ou com funções executivas muito acima da média. Não é apenas desempenho, é estrutura, conectividade e forma de ativação emocional.

Criatividade objetiva pode ser treinada. Criatividade subjetiva, não. Ela é inata, nasce com o indivíduo e só se manifesta em perfis genéticos específicos. Por isso, afirmo sem rodeios: somos a nossa genética. Até os fatores ambientais são modulados por predisposições genéticas prévias. O ambiente não cria do zero, ele ativa o que já existe.

Hoje, cada vez mais, testes genéticos caminham lado a lado com avaliações de QI, investigação do espectro autista e outras condições neurocognitivas. Não substituem a análise clínica, mas ajudam a confirmar laudos com mais precisão. Entender o cérebro passa, necessariamente, por entender a biologia que o construiu.

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Pós PhD em Neurociências e biólogo membro das principais sociedades científicas como SFN - Society for Neuroscience nos Estados Unidos, Sigma XI, sociedade científica onde os membros precisam ser convidados e que conta com mais de 200 prêmios Nobel e a RSB - Royal Society of Biology, maior sociedade de biologia sediada no Reuno Unido.

É membro de 10 sociedades de alto QI, entre elas a Mensa, Intertel, ISPE, Triple Nine Society, coordenador Intertel Brazil, diretor internacional da IIS Society e presidente da ISI e ePiq society, todas sociedades restritas para pessoas com alto QI comprovados em testes supervisionados. Criou o primeiro relatório genético que estima a pontuação de QI através de teste de DNA e o projeto GIP - Genetic Intelligence Project com estudos genéticos e psicológicos sobre alto QI com voluntários.

Autor de mais de 50 estudos sobre inteligência, foi voluntário em testes de QI supervisionados, testes genéticos de inteligência e estudo de neuroimagem já que atingiu a pontuação máxima em mais de um teste de QI em mais de um país corroborando com os demais resultados genéticos e de neuroimagem.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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