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Mitologias sobre os oceanos

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Na Grécia Antiga, era comum que a população se entretivesse com histórias sobre divindades e criaturas mágicas. Seres que controlavam os fenômenos da natureza, que conduziam os sentimentos e que davam sentido e forma ao mundo, compunham uma série de narrativas fantásticas.

Essas narrativas envolvendo seres imaginados foram chamadas de mitologia grega. As histórias e as criaturas são tão complexas que já até se tornaram temas de filmes, séries e livros. Um exemplo disso é a série de livros Percy Jackson, que chegou ao cinema por meio de uma trilogia.

Envolver-se com o mundo da mitologia é uma experiência empolgante. A partir dela é possível desvendar os mistérios sobre questões para as quais não há uma explicação consensual. Uma delas é a existência de oceanos e a forma como eles podem se manifestar.

Imagem de uma praia azul. As ondas estão quebrando em uma pedra rochosa.
Imagem de dexmac por Pixabay

Oceano, um deus grego

De acordo com a mitologia grega, Oceano é um titã, que nasceu da união entre Urano (deus que representa o céu) e Gaia (deusa que representa a terra). É importante observar que todos os deuses que originaram outras divindades são considerados titãs.

Sendo assim, o deus Oceano é a personificação das águas correntes e de todas as fontes de água doce que existem no planeta Terra. Nas poesias relacionadas à mitologia, ele é referido como “o rio que circunda o mundo”. Sabendo que a água doce é uma fonte de vida para a maioria dos seres viventes, Oceano é também considerado o pai de todos os seres.

Conforme a mitologia grega foi atualizada com o passar dos anos, Oceano deixou de ser considerado o deus dos rios que circundam o mundo. Na versão mais recente, a divindade tem controle sobre a água salgada, atuando nos oceanos Atlântico e Índico, enquanto Poseidon comanda as águas do Mar Mediterrâneo.

Imagem de uma praia bem azul. Ao fundo uma ilha extensa.
Imagem de Pexels por Pixabay

Herdeiros de Oceano

A irmã do Oceano, Tétis, é quem comanda as fontes de águas puras do planeta, bem como os aquíferos subterrâneos. Ainda que estejam relacionados com um parentesco consanguíneo, os dois tiveram mais de seis mil filhos. Cada um deles, entre deuses e deusas, tornaram-se divindades da água ou de conceitos relacionados aos humanos.

As três mil filhas de Oceano e Tétis eram conhecidas como Oceânides. As que nasceram primeiro representavam conceitos ou fenômenos. Entre as que representam conceitos estão: Métis, deusa da prudência; Clímene, deusa da fama; Dione, deusa do oráculo de Dodona; Tykhe, deusa da sorte; Telesto, deusa do sucesso; Peithó, deusa da sedução; Paregoron, deusa da consolação; Pluto, deusa da riqueza; Hesíone, deusa da presciência e Perseis, deusa dos poderes destrutivos da magia.

As filhas que representam fenômenos da natureza são: Eurínome, deusa das campinas; Dóris, deusa do encontro do rio com o mar; Electra, deusa das nuvens de tempestade; Pleione, deusa da abundância; Rhodeia, deusa do florescer das rosas; Rhodope, deusa das nuvens rosas; Eudora, deusa das chuvas férteis; Polidora, deusa das chuvas abundantes e Galaxura, deusa da brisa que dissipa a névoa.

Imagem de um oceano bem azul com uma onda quebrando no começo do mar.
Imagem de Free-Photos por Pixabay

Já as filhas mais jovens de Oceano e Tétis, com menos poderes sobre os fenômenos naturais, eram ninfas que atraíam os olhares de muitos outros deuses. Elas eram capazes de controlar córregos, chuvas e nuvens, mas a maior atribuição de cada uma delas era a beleza. Por esse motivo, Oceano seria o avô de muitas outras divindades, fruto do relacionamento entre deuses e oceânides.

Os três mil filhos de Oceano e Tétis eram conhecidos como Potamoi. Diferentemente das filhas, representavam todas as formas de rios que existem na Terra e no Inferno. A maioria deles é composta por deuses-rio, que controlam as formações aquosas de locais como África, Ásia e Europa. Um dos deuses-rio mais importantes é Escamandro, o deus do rio de mesmo nome, localizado em Troia.

Ainda que a maioria dos filhos do Oceano tenham boas motivações na Terra, há também três potamis e duas oceânides que controlam os rios do Inferno, e são muito temidos pelas pessoas que creem na mitologia grega. Aqueronte (rio da dor), Flegetonte (rio de fogo), Cócitos (rio da lamentação) são os filhos de Oceano que estão presentes no Inferno, enquanto Lete (rio do esquecimento) e Estige (rio do ódio) são as oceânides que vivem lá.

Foto de uma praia. Ao fundo gaivotas sobrevoam a praia.
Imagem de Pexels por Pixabay

Mitos sobre Oceano

São duas as narrativas que envolvem o deus Oceano. A primeira delas diz que ele se recusou a enfrentar Zeus, o mais poderoso dos deuses, ao lado de seus irmãos. Oceano era um apaziguador que evitava conflitos, assim como Tétis.

Apesar disso, o mito conta que Oceano ajudou Zeus indiretamente, por ter aconselhado a oceânide Estige, sua primogênita, a lutar a favor do grande deus. A participação de Estige foi decisiva no conflito e trouxe a vitória para Zeus.

Assim, Oceano conquistou a admiração e o respeito do mais poderoso entre os deuses. Além disso, Zeus esteve sempre ao lado de dois dos netos de Oceano: Cratos, com o poder da soberania universal, e Bia, com a capacidade de colocar fim a um conflito que parece não ter solução.

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O segundo mito envolvendo Oceano é a jornada de Hélio, deus do Sol, para fazer o dia raiar. Montado em uma carruagem de ouro que voava, Hélio precisava atravessar todo o céu. O brilho do veículo era tão intenso que mortais não eram capazes de permanecer com os olhos abertos.

Depois de cruzar o céu, Hélio e a carruagem de ouro deveriam mergulhar no Oceano, para descansar até o próximo amanhecer. Nesse sentido, Oceano também pode ser entendido como um deus que prega a paz e a tranquilidade, além de controlar mares e rios ao lado de seus filhos e de suas filhas.

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