Mitologia grega

Quem era o pai de Ícaro na Mitologia Grega?

Cabeça da estátua de Ícaro, coberta por uma espécie de escamas com o rosto à mostra. É visível uma pequena parte de suas asas.
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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A mitologia grega é conhecida, principalmente, por causa de seus poderosos deuses que habitavam o Olimpo, como Zeus, Apolo, Afrodite e Atena. O que pouca gente sabe, porém, é que muitos dos mitos gregos são protagonizados por seres humanos mortais. É claro que as histórias da mitologia grega sempre têm um quê de magia e fantasia, mas esses elementos eram apenas usados como pano de fundo, porque as histórias geralmente falavam sobre falhas humanas, como ambição, ganância, luxúria e ilusão.

Uma das mais famosas histórias da mitologia grega protagonizada por humanos é a de Ícaro, conhecido por não seguir os conselhos de seu pai, sucumbir à ambição e aos seus desejos e morrer tragicamente.

Apesar de essa história frequentemente ser apresentada com seu nome, a verdade é que o verdadeiro protagonista desse mito é o pai de Ícaro! Conheça agora quem é ele e qual é a história completa dessa lenda a respeito da relação entre pais e filhos:

Quem era o pai de Ícaro na mitologia grega?

O pai de Ícaro se chama Dédalo e era um dos engenheiros e artesãos mais habilidosos e conhecidos de toda a Grécia. Como começou a não dar conta de todo o trabalho que surgia conforme seu nome ficava cada vez mais admirado, Dédalo decidiu contratar Talo, seu sobrinho, para ajudar nas tarefas profissionais.

O “problema” é que Talo era ainda mais habilidoso do que Dédalo e começou a chamar atenção, ainda que não tivesse a pretensão de fazê-lo, o que começou a despertar inveja em seu tio. Enciumado, Dédalo decidiu matá-lo para tirá-lo do caminho e o empurrou precipício abaixo no templo dedicado à deusa Atena, na cidade de Atenas, à época a principal da Grécia.

Julgado e condenado pelo assassinato de seu sobrinho, Dédalo conseguiu fugir com seu filho, Ícaro, antes que a justiça colocasse a mão sobre eles. Dédalo encontrou refúgio na ilha de Creta, onde foi muito bem recebido pelo rei Minos, que o contratou como seu artesão exclusivo, portanto proibido de fazer qualquer escultura ou trabalho para outra pessoa.

Estátuas de Ícaro e Dédalo juntos, em que o pai enlaça o filho sem asas com um braço.
Antonio Canone / Culturaeculture.it

Após algum tempo, a rainha Pasífae, esposa de Minos, aproximou-se de Dédalo e revelou a ele que estava apaixonada por um touro, pedindo, após a revelação, que o artesão lhe fizesse uma armadura, para que ela pudesse se relacionar com o animal. Sensibilizado, Dédalo concedeu esse pedido à rainha.

O fruto do amor entre a rainha e o touro foi a criatura conhecida como Minotauro, que tem corpo humano, mas cabeça de touro. Magoado com a traição, o rei exigiu que Dédalo construísse um enorme labirinto, onde o Minotauro ficaria preso pela eternidade, sempre tentando sair, mas se frustrando diariamente.

Após algum tempo, Teseu, um dos filhos de um rei da região, apaixonou-se por Ariadne, filha do rei Minos. O rei já havia prometido que só se casaria com sua filha aquele que entrasse no labirinto, matasse o feroz Minotauro e escapasse da prisão, pois sabia que isso era impossível. Mas os apaixonados encontraram um jeito simples. Levando um simples novelo de lã, Teseu entrou no labirinto; Ariadne segurou a outra ponta do novelo de lã na entrada do labirinto, para que o seu amor pudesse retornar em segurança. Após matar o Minotauro com apenas um golpe, Teseu escapa da prisão e foge com a princesa, enfurecendo o rei, que desconfiou de que Dédalo havia contado ao casal o segredo do labirinto, então condenou o artesão e seu filho, Ícaro, a viver preso nele.

Como não podia sair por terra nem por mar, já que escapar do labirinto era impossível, Dédalo usou toda a sua inventividade para criar asas com as penas de pássaro que caíam no labirinto e desenvolveu um método de voar com seu filho para fora do labirinto. Antes de voarem, porém, Dédalo deu a Ícaro um conselho: não voar tão perto do mar, para não se afogar, nem tão perto do céu, para não queimar as asas e perdê-las.

Não tendo ouvido seu pai, no meio do voo, Ícaro ignorou os conselhos de Dédalo e, encantado com o sol, voou até muito perto da estrela, que derreteu suas asas, fazendo com que ele despencasse e se afogasse do mar.

Dédalo recolheu o corpo do filho, conseguiu escapar e deu ao rio onde o rapaz morreu um nome em sua homenagem: Mar Icáreo, que fica, atualmente, entre a Grécia e a Turquia, abaixo da ilha de Çesme.

O significado da história

Assim como as parábolas trazem importantes lições de moral para os cristãos e os ensinamentos de Buda cumpram esse papel entre os budistas, a história de Ícaro parece servir, entre outras razões, para ensinar aos filhos, desde cedo, que é preciso confiar na palavra daqueles que são mais experientes e querem o seu bem.

A primeira lição apresentada pela história é, portanto, um aviso de que é necessário mesclar a necessidade de liberdade e autonomia que sentimos na juventude com a experiência dos conselhos das pessoas mais velhas.

Outra lição que fica evidente é a ruína que a inveja pode causar, porque ela foi motivo da derrocada de Dédalo, que matou seu sobrinho motivado por esse sentimento.

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Por fim, o ego inflado é outra característica bastante presente nesse mito, já que tanto pai quanto filho foram vítimas dele: o pai ao assassinar o próprio sobrinho só porque o trabalho do rapaz, que o admirava, era mais admirado que o dele; e o filho, mesmo sem experiência nenhuma na vida, que acha que pode ignorar seu pai e voar perto demais do sol, o que causa a sua morte.

Estátua de Ícaro caída no chão, sem as pernas, braços e com as asas quebradas, em frente ao Partenon - um monumento cheio de pilares.
Pierangelo Averara / Pixabay

Conclusão

Como quase todas as histórias com cunho religioso ou que envolvam deuses, a história de Ícaro e de seu pai é uma alegoria a respeito das muitas falhas que cometemos quando humanos quando nos colocamos numa situação superior, acima do bem e do mal, únicos merecedores de todas as dádivas que o mundo pode dar.

E o seu ego, como está? Você tem ouvido as pessoas mais experientes, que se preocupam com você e tentam lhe passar ensinamentos, para que a sua vida seja mais segura e para que você não cometa os mesmos erros que eles cometeram no passado? Ou você tem voado perto demais do sol por puro desejo, desconsiderando o que é mais seguro e melhor? Reflita!

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