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Documentário ‘Observar e Absorver’: repensando os padrões da sociedade

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Há muitos documentários disponíveis para assistirmos que servem de reflexão, seja pelos assuntos tratados ou a forma como nos são repassados. Assim é o documentário ‘Observar e Absorver’, que retrata a vida e a obra do artista plástico e filósofo de rua Eduardo Marinho.

Ele nasceu numa família de classe média no Espírito Santo (ES). Chegou a ser aprovado no concurso do Banco do Brasil (um dos concursos mais disputados no país) e passou na faculdade de Direito. Mas desde pequeno ele se perguntava sobre fatos cotidianos que o reprimiam e que não conseguia entender, por exemplo: por que tanta miséria na favela? Além desse, outros temas da sociedade o intrigavam.

Suas reflexões

Os padrões impostos pela sociedade angustiavam Eduardo, que saiu de casa jovem e foi morar na rua, até que ali ele encontrou algumas respostas. Alguns vídeos de Eduardo na internet têm muitas visualizações ao tocar em temas polêmicos. Sobre a política, afirma o seguinte: “É uma farsa, um teatro macabro de marionetes, numa sociedade que não tem no ser humano o seu centro de importância, mas no patrimônio, no lucro a qualquer custo, inclusive dos direitos constitucionais da esmagadora maioria da população”.

A criança já vai sendo enquadrada para encarar o trabalho como sacrifício. Você só vai se divertir na hora do recreio. Setorizam sua alegria. Você vai se divertir nas horas vagas. No fundo, vai viver nas horas vagas

Em relação ao trabalho e à vida moderna, ele pontua o seguinte:  A criança já vai sendo enquadrada para encarar o trabalho como sacrifício. Você só vai se divertir na hora do recreio. Setorizam sua alegria. Você vai se divertir nas horas vagas. No fundo, vai viver nas horas vagas“.

Já sobre o capitalismo, afirma o seguinte: “É como uma ditadura empresarial, como havia a ditadura monárquica. A Ditadura Militar foi a cara militar da ditadura empresarial, que se viu ameaçada com as mudanças que se faziam no período do Jango, com as movimentações sindicais e populares. A sociedade ainda não superou essa estrutura que serve a poucos com excesso e sacrifica a grande maioria, subalternizada, controlada, explorada, sabotada e excluída dos benefícios da tecnologia, até mesmo dos frutos do próprio trabalho. Aliás, ditadura empresarial encontra muito mais receptividade nos ouvidos da gente do que capitalismo, que já foi por demais trabalhado pelo massacre publicitário-propagandístico-midiático que usa, entre tantos recursos, a psicologia do inconsciente. A rejeição é clara”.

Produção e reflexão

O documentário foi produzido pelos amigos Junior SQL e Igor Goulart. Eles queriam mostrar a história de Eduardo, que seguiu um caminho contrário dos padrões da sociedade. Para muitos, as frases e reflexões de Eduardo chegam a ser duras e até doloridas. Ele já chegou a afirmar que é difícil ser feliz com tanta infelicidade ao nosso lado, e que na maioria das vezes estamos vivendo um mundo “faz de conta”, que é egoísta e não se preocupa com os outros. Sobre os shopping centers, ele afirma o seguinte: “Não vou para não ver os olhares doentes de desejo de consumo, a mentirada publicitária”.

Vale a pena assistir o documentário e as observações de Eduardo Marinho. Pode ter certeza que elas irão lhe tocar de alguma forma.

Assista ao documentário:


Texto escrito por Angélica Fabiane Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras

Sobre o autor

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