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Arrependimento: A armadilha mental que trava sua vida.

Anne Moon
Escrito por Anne Moon
Você já se arrependeu alguma vez? Qual é o seu maior arrependimento? Todos já tivemos algum arrependimento na vida alguma ou muitas vezes, não é verdade? Há coisas na vida que são vergonhosas para nós, as quais queremos apagar da memória, do tipo que, se pudéssemos, voltaríamos para o momento em que aquilo aconteceu e faríamos diferente, certo? Algo que fizemos ou dissemos que gostaríamos que tivesse acontecido de uma outra forma.

O arrependimento nos faz refletir e racionalizar as nossas atitudes, o que falamos e pensamos. É também uma forma de máscara social, no sentido de não nos permitir agir 100% automaticamente, somente pelos instintos; isso evita que tudo vire um grande caos, evita agirmos igual animais, colocando em dúvida o fato de sermos seres racionais. Regressaríamos milênios de evolução da espécie humana. Devemos, porém, ter um certo cuidado com esse sentimento, pois o arrependimento tem tudo a ver com coisas que aconteceram anteriormente, ou seja, está ligado ao passado.

Homem pensando no sofá

Compreenderam o perigo disso, não é? Eu já li em algum lugar que o arrependimento é o oposto da ansiedade.

Veja o porquê. Enquanto o arrependido vive preso em acontecimentos do passado, revivendo-os e trazendo a questão da culpa, o famoso cenário da vítima e do agressor, procurando um culpado, o responsável pela própria miséria, ou seja, julgamento, a vítima é passiva e não pode mudar a própria realidade, não tem controle da própria vida. O agressor tem culpa e, de qualquer forma, você fica na autopiedade. Com isso, vêm o sentimento de frustração, de raiva e de angústia por não poder mudar o que aconteceu, que podia, devia e queria ter feito diferente; ele tira de si mesmo o papel de autor e protagonista da própria vida. A autorresponsabilidade, o amor próprio e a autoestima ficam como nessa história? Destruídos.

Já o ansioso vive no futuro, criando expectativas muito altas, irreais para a realidade dele. Quando as coisas não acontecem da forma como ele queria, frustra-se intensamente.

De qualquer forma, a pessoa que vive na ansiedade e no arrependimento se esquece do presente, de viver no aqui e no agora, de colocar os pés no chão, afasta-se da realidade.

Mulher pensando com o rosto virado

Qual seria o resultado de tudo isso? Pessoas assim se fecham para as suas próprias vidas, ficam estagnadas por serem jogadas de um lado para o outro por duas energias divergentes: a energia do passado, que puxa para um lado, e a energia do futuro, que puxa para o outro.

Viu onde está a armadilha? A pessoa se apega aos eventos que já aconteceram ou que ainda nem aconteceram, esquecem-se do aqui e do agora, não consegue ver o que está à sua frente, a vida simplesmente para, fica tudo desalinhado.

Claro que devemos pensar no futuro, planejar nossa trajetória, refletir sobre o passado, o que podemos tomar de aprendizado, contribuição para a nossa evolução, desde que não nos esqueçamos do presente, do que está à nossa volta, vivendo plenamente.

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Devemos, sim, sentir arrependimento, pois, sem o remorso, não teríamos empatia pelas outras pessoas, nem conosco. O arrependimento é natural do ser humano, nos traz a ideia da causa e efeito do universo. Se não nos sentíssemos arrependidos, seria terrível, não teríamos um parâmetro, equilíbrio em nossas atitudes. O que não podemos nos permitir é mergulhar nisso e em toda a esfera negativa que isso traz. Vergonha, culpa, frustração, raiva e tristeza, não nos deixar nos levar por esses sentimentos ruins.

Somos condicionados pela alta carga das consequências em cima das falhas impostas pela sociedade. Assim, os erros são considerados inadmissíveis, somos punidos geralmente. Sim, é muito fácil apontar os erros alheios julgando, colocado um peso, uma enorme consequência em cima dos erros, o que conhecemos como “pecado”. A frase “você errou”, dita de forma a repreender quem errou, pode fazer com que não haja o perdão, uma segunda chance.

Os erros são aprendizados, fazem parte da vida e, se você tiver uma boa autoconsciência, compreende tudo isso que escrevi aqui nesse artigo.

Então, não é se iludir, recusar-se a aceitar o fato de sermos seres falhos. Seria tolice, é negar a própria humanidade e a própria história. Isso é péssimo. Negar tudo isso é o pior ato de ingratidão que existe, significa que você não entendeu o conceito de ser grato e ser empático consigo mesmo (aquilo que eu sempre falo sobre agir com leveza).

Olhar para si e dizer: “Errei sim. O que eu posso aprender com esse erro? O que eu tenho que trabalhar em mim que eu ainda não percebi?”, pois muitos espiritualistas, até o buda shakyamuni (buda, o iluminado), falam que a raiz do sofrimento é a resistência a mudanças, o apego. Apegamo-nos a ideias retrógradas, a situações, lugares e pessoas que não nos agregam, que nos fazem mal.

Homem cobrindo o rosto

Sobre o passado, não podemos fazer nada a respeito, não podemos mudar o que aconteceu, mas podemos fazer escolhas daqui para a frente, facilitando ou dificultando nossas vidas. Temos a escolha de nos apegar, trazer tudo aquilo novamente, só que muito pior do que a primeira vez, prendendo-nos nesse ciclo vicioso… Ou podemos perdoar a história, os envolvidos, inclusive a nós mesmos, fechar esse ciclo definitivamente e seguir vivendo.

Perdoar não é esquecer, agir como se nada tivesse acontecido, nem ser conivente com atitudes consideradas inadequadas. É você ressignificar tudo aquilo que aconteceu a você e conviver com os envolvidos; dessa forma, fica a seu critério ter ou não essa pessoa em sua vida. Não é algo fácil, eu entendo. Tem pessoas que perdoamos e queremos voltar a conviver, mesmo que a convivência seja limitada; as que perdoamos e não queremos mais conviver cumprimentamos normalmente se as virmos, mas não tem sentido a conviver com elas.

É como meu pai me disse um dia:

“Se a pessoa pisa com força no seu pé e sabe que está te machucando, mas depois age como se não tivesse feito, não faz sentido ficar perto dessa pessoa. Perdoar não é apagar a memória, pois não tem como esquecer, mas tem como deixar isso para traz e seguir.”

Não foi exatamente essas as palavras dele, embora tenha sido praticamente isso que ele me disse uma vez que conversamos sobre perdão, o que seria o perdão se perdoar seria conviver com “quem pisou no seu pé”, como se nada tivesse acontecido… Mas essa história fica para um próximo artigo.

Enfim, o arrependimento não deve estar entranhado na nossa vida. Quando você assume que é um ser falho, como qualquer outro, não se martiriza ou se julga, convivendo com a culpa a vida toda por errar. O certo e o errado são relativos e variam de uma cultura, sociedade para outra.

Tenha em mente isso “Eu sendo um ser humano, falho, quem sou eu para julgar o outro? Que prepotência e ego são esses que me fazem pensar que tenho esse direito?”

Realmente, somos tão perfeitos, divinais a ponto de julgar?

Volto a falar: Não é ser conivente, passivo com atitudes inadequadas e violentas, e sim de não carregar karmas desnecessariamente. Você não tem que carregar um karma negativo a vida inteira e nem carregar o karma negativo dos outros. Falo isso porque a as atitudes dos outros são o karma deles, o modo como reagimos é o nosso karma. Esse também é outro assunto para próximos artigos.

Mulher preocupada com homem atras

A parte de não sermos prepotentes a ponto de julgarmos os outros é sobre atos de compaixão, a não violência, de mostrar caminhos para essa pessoa encontrar a luz, a evolução. E isso só acontece quando paramos de julgar a nós mesmos. O que você fala sobre a outra pessoa é sobre você e nunca sobre ela, há algo em você que precisa ser trabalhado.

Viver com leveza funciona assim. Você não julgando a si mesmo, estando bem consigo mesmo, vendo-se como um ser falho (não se colocar em um pedestal, nem no fundo do poço), ser gentil consigo mesmo nesses momentos (não só em momentos bons) e não se deixar levar pelo arrependimento. Lembrar-se de que o ocorrido no passado não pode ser mudado, viver arrependido não resolve nada, apenas o prende, deixa-o apegado, mas aprender com o passado e levar como aprendizado no presente. Tenha consciência de que o presente é a única coisa que podemos mudar, além de nós mesmos.

Liberte-se!

Gratidão a você que leu até aqui.

Sobre o autor

Anne Moon

Anne Moon

Anne Moon é uma escritora, modelo e estudante de Letras, que nasceu e mora em São Paulo com seus pais e o irmão mais velho. Desde criança adora escrever e contar histórias. Antes dos 10 anos já havia escrito duas histórias de ficção e uma biografia, e aos 14 anos começou a escrever o primeiro volume “The Rise of the Fallen” da série de livros “Dark Wings”

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