Budismo Espiritualidade

Entendendo o Carma. Você está carregando um fardo?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras



Na cultura principalmente ocidental, acredita-se que cada pessoa tenha um “destino” ou um “fardo” a carregar até o fim dos seus dias e isso nunca mudará.

Entre alguns dos significados da palavra “destino” estão: encadeamento de fatos supostamente fatais, fatalidade; fado, sorte ou, ainda, entidade misteriosa que determina as vicissitudes da vida (Michaelis: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo, Companhia Melhoramentos, 1998). Esse termo está diretamente ligado à crença da existência de um ser supremo, ou seja, um Deus externo que determina uma sorte e condições diversas para cada pessoa, conforme sua vontade e consideração. Cada pessoa vive sua existência sobre caminhos já preestabelecidos por Ele. As pessoas, nesse caso, são meras coadjuvantes numa grande peça teatral na qual não lhes cabe a opção de alterar seu roteiro, somente viver.

Chega a ser um tanto triste ao analisarmos desta maneira: nossas vidas já predeterminadas e nós sempre à mercê de algo ou alguém.

No entanto, a cultura e as religiões orientais apresentam um outro cenário. Ao invés de “destino”, as pessoas são dotadas de poder para moldar e mudar sua realidade à maneira que quiserem, transformando o seu carma. A palavra “carma” tem sua origem no sânscrito “karma”, ou “karman”, e significa “ação”. O budismo prega que a vida é eterna e que é o carma que determina a trajetória de uma pessoa, ou seja, as ações por ela praticadas são o que traçam sua sorte nesta existência e nas futuras, assim como suas ações de um tempo passado são os fatores que definiram sua realidade atual. Ao estabelecer um paralelo com o termo “destino”, pode-se dizer que carma é uma espécie de destino que está constantemente sendo atualizado e alterado conforme as ações do indivíduo, sendo ele o único responsável, tanto pelo presente como pelo futuro. Nesse caso, cada pessoa é protagonista de sua grande peça, na qual ela própria é roteirista e diretor.

Esse novo “modelo de vida” é visto de maneira mais positiva, uma vez que, ao sabermos que podemos mudar para melhor e progredirmos sempre, o otimismo e uma nova determinação brotam das profundezas de nossa vida, fazendo com que ajamos sempre com foco na vitória na própria vida.

As ações às quais o budismo se refere para a construção do carma são identificadas como três: física, verbal e mental. Isso significa que uma pessoa forma o carma por suas ações para com as pessoas e a sociedade como um todo, mas também por suas palavras e seus pensamentos. Mesmo que não se traduza os pensamentos em palavras ou atos, e mesmo que ninguém mais saiba o que se está fazendo, essa “ação” em si já registrou um efeito para sua vida, o Universo já registrou esse ato. Outro princípio budista a ser observado é a lei de causa e efeito que elucida que toda causa produz ou registra seu efeito no momento exato em que foi realizada, sendo que esse efeito pode se manifestar imediatamente na vida da pessoa, num momento futuro, na existência seguinte ou mais além, dependendo do grau de importância dessa causa, tanto boa como má, e ainda conforme estímulos e condições externas. Para cada causa, haverá sempre um efeito correspondente.

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A sequência para a formação do carma ocorre da seguinte maneira: primeiramente, as intenções — tanto boas quanto ruins — agem na mente da pessoa. Em seguida, essas intenções originam palavras ou manifestam-se em atitudes. Os efeitos dessas causas (pensamentos, palavras ou ações) ficam registrados na vida como uma espécie de força ou energia latente que vai definir sua vida presente ou futura.

O grau do carma que a pessoa forma depende da força de sua intenção no momento que a causa foi realizada. Quanto maior for, mais intenso será esse registro e seu efeito. Por exemplo, quanto maior o ódio que uma pessoa alimenta por outra, maior será o grau do efeito que se manifestará em sua vida, não exatamente como ódio, mas como um efeito negativo em algum momento. Conforme as intenções ou os pensamentos vão sendo expressos em palavras ou ações, o tamanho do carma formado na vida torna-se cada vez maior. A quem é direcionado esse ódio também é um fator que deve ser considerado. O buda NItiren Daishonin ressalta sobre essa questão: “Para simplificar, se alguém golpear o ar, seu punho não ficará ferido, mas, se bater numa rocha, sentirá dores… A gravidade de um pecado depende de quem ferimos.”

A melhor forma de transformar seu carma negativo em positivo é trabalhar a culpa e o perdão agregados à consciência.
 Além disso, meditação e oração também agregam no acúmulo positivo de carma. Tente manter uma prioridade espiritual em sua vida, reconhecer a força inerente e ilimitada dentro de si mesmo e nos outros e respeitar isso.

Todo o carma formado a cada instante da vida é acumulado num repositório chamado “alaya”, ou oitava consciência. Todas as experiências são depositadas nessa consciência e elas nos acompanham por todas as existências, passando pelo ciclo de nascimento e morte. As ações cármicas, positivas e negativas, continuarão a existir nessa consciência até que encontrem situações propícias para manifestar seus efeitos. A força dessas ações depositadas como energia latente nunca diminui nem desaparece por si só. Ela sempre se manifestará. Mas, como tudo depende de cada indivíduo, ele próprio tem as condições de transformar seu mau carma e direcionar sua vida para a felicidade, além de amenizar seus efeitos cármicos. O modo mais rápido para obter essa transformação é recitar os mantras, como o “Nam-myoho-rengue-kyo”, ou a Lei Mística que permeia todo o universo, e atuar em benefício de outras pessoas realizando o bem maior, ou ensinar-lhes o caminho dessa felicidade. Não é uma tarefa simples, até porque nós estamos expostos a todo momento a várias situações e reagimos de maneira diferente em cada uma delas.

O pacifista e filósofo Jossei Toda disse certa vez: “Por que nascemos exatamente neste mundo caótico? Porque cada qual tem o carma, a boa sorte e a felicidade de poder cumprir a sua missão pela paz mundial superando e vencendo todas as adversidades para viver uma maravilhosa existência compartilhada com todos ao redor”, “Por meio deste budismo, é possível transpor qualquer infortúnio que seja nesta vida. No momento em que se levantar com esta convicção, uma infinita alegria e vitalidade transbordam de dentro do seu ser”.

Buscar o desenvolvimento e a revolução humana interior, agir com pensamentos e palavras positivas e elevar seu estado de vida são as chaves para transformar o carma negativo em positivo e assim permear uma vida repleta de tranquilidade e realizações.

“Como as pessoas lhe tratam é o karma delas; o modo como você reage, é seu karma.”

– Wayne W. Dyer

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