Saúde Integral

Masturbação infantil. Como lidar?

Mãe e filha conversando
Daniela Jovanovska-Hristovska / Getty Images Signature / Canva
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Entre os diversos assuntos considerados tabus na nossa sociedade, a masturbação é um dos que causa mais espanto nas pessoas. Quando acontece durante a infância então, costuma ser um enorme choque para os pais ou responsáveis pela criança.

Nessa fase, pode acontecer de os pequenos colocarem a mão dentro da cueca ou da calcinha enquanto assistem à televisão, posicionarem um bichinho de pelúcia entre as pernas ou ficarem se esfregando em cadeiras ou no braço do sofá. Também é o momento em que eles ficam mais curiosos em relação aos corpos dos pais e começam a fazer perguntas (por vezes, constrangedoras) sobre as partes íntimas de parentes e amigos.

Por mais que o comportamento possa ser inicialmente assustador, é preciso entender que não há malícia nesse tipo de atitude ou questionamento. Como as crianças ainda não têm noção das convenções sociais como nós, adultos, elas exploram o próprio corpo sem pudores – muitas vezes, até na frente de outras pessoas.

Por isso é tão importante compreender o que se passa na cabeça dos pequenos durante esse período e ajudá-los a lidar da melhor forma com as próprias descobertas sexuais. Além de fazê-los entender o que acontece quando eles mexem no “pipi” ou na “periquita”, a fase da masturbação infantil pode ser ideal para conversar sobre privacidade, intimidade e consentimento.

Vamos nos aprofundar nesse assunto? Continue lendo e entenda como lidar com isso sem deixar de proteger o seu filho!

Masturbação infantil: o que é?

No mundo dos adultos, a masturbação possui uma conotação extremamente sexual, sendo uma forma de estimular a própria libido ou a do parceiro. Mas, quando ocorre ainda na infância, por volta dos 3 ou 4 anos de idade, a criança não possui o discernimento do que está fazendo e não entende ou pratica tal ato como algo malicioso. Isso pode causar muita confusão para os pais, afinal flagrar um filho pequeno se masturbando é uma cena difícil de ser entendida.

A verdade é que o interesse e a curiosidade pelos órgãos genitais têm início precoce em nossas vidas. Ainda que varie de pessoa para pessoa, a curiosidade costuma começar com o desfralde, já que o acesso aos genitais fica mais livre. A criança olha para o próprio pênis ou a própria vagina e não possui desejos maliciosos, mas vontade de entender como essa parte do corpo funciona.

Quando o pequeno toca ou fricciona algum objeto nessa região, ele sente uma espécie de prazer que nada tem a ver com o sexo, mas com a enorme presença de terminações nervosas nos genitais. É como o bebê que leva tudo à boca ou gosta de mexer no cabelo dos adultos: está relacionado com a descoberta de novas sensações diferentes daquelas às quais já está acostumado. Na mente infantil, estão apenas pensando: “Como é diferente quando eu mexo nessa parte do meu corpo!”.

Aos papais e cuidadores das crianças, entender isso é o primeiro passo para lidar bem com a masturbação infantil dentro de casa. Vamos para o próximo passo: aprender como conversar sobre esse assunto com as crianças. Acompanhe!

Cuidado com sua reação

Mãe e filho conversando
EvgeniyShkolenko / Getty Images / Canva

Se você flagrar o seu filho ou qualquer outra criança se masturbando, não xingue nem faça ela achar que aquilo é errado. Gritar “Tire a mão daí” ou dizer que esse comportamento é feio pode até gerar o efeito contrário, como um reforço negativo – quando há repressão por parte dos adultos, é comum que a criança fique ainda mais curiosa e repita a ação. Além disso, ela pode vir a associar o ato prazeroso a um sentimento de culpa.

Por outro lado, o ideal também não é tratar a masturbação infantil como se fosse um troféu. Muitos pais demonstram orgulho ao presenciar o filho praticando algum ato que remeta à prática sexual, especialmente se for menino. Como falamos, a criança não tem intenções eróticas durante essas descobertas. Estimular esse tipo de comportamento é prejudicial aos pequenos, porque eles ainda não entendem nem sentem necessidade do prazer sexual.

Então o que fazer?


A melhor saída é a comunicação. É importante que você explique à criança que existem certas coisas que não podem nunca ser feitas na frente ou perto de outras pessoas, como urinar, fazer cocô ou tocar em suas partes íntimas. Ensine a ela o que é intimidade, o que pode ser feito em público e o que deve ocorrer somente no privado.

Mãe conversando calmamente com sua filha criança
Kumikomini / Getty Images Signature / Canva

No caso das crianças de até 3 anos, ou seja, que acabaram de desfraldar, tente desviar a atenção dela a outros prazeres, como realizar as atividades da escola, brincar e fazer atividades físicas, como correr, andar de skate, jogar… A ideia é distraí-lo para ocupar a mãozinha com algum outro estímulo, o que deve acontecer sem maiores problemas.

Já quando se trata de crianças maiores, a conversa é a chave. Evite frases como “Você já é quase uma mocinha, feche as pernas” ou qualquer outro tipo de comentário que possa ridicularizar ou até mesmo envergonhar as crianças — tais ações podem gerar traumas futuros e problemas de autoestima. Chame o pequeno para uma conversa e reforce a questão da intimidade. O ato não deve ser tratado como uma coisa errada, mas é importante destacar que não pode nunca ser feito na frente de outras pessoas.

Aproveite para trabalhar o consentimento: os genitais são uma parte importante do corpo que ninguém além da criança pode tocar, exceto os pais ou responsáveis por seu banho. E, mesmo nesses casos, apenas com a permissão do pequeno. Se o contrário acontecer, ele não precisa ter medo ou vergonha em lhe contar.

Essa conversa pode ser difícil, principalmente para os papais, mas já existem várias músicas e outras ferramentas na internet que ajudam a trabalhar a educação sexual com mais leveza e tranquilidade.

Porém e se mesmo assim a criança continuar praticando a masturbação? Não é preciso entrar em desespero, a gente ajuda você!

Você também pode gostar:

Pode fazer mal? Como entender?

A masturbação infantil vira um problema quando a criança não quer fazer outra coisa e os atos são muito frequentes. Sinais como isolamento, baixa energia, dificuldade de fazer atividades com outras pessoas, problemas para se enturmar e conversar com outras crianças da mesma idade, cansaço, entre outros fatores, também são indícios de que algo não vai bem. Tanto pais quanto educadores precisam descobrir em qual momento do dia a prática ocorre e buscar a ajuda de um psicólogo.

Por mais que esse assunto seja um pouco delicado para muitas pessoas, ele deve ser encarado com o máximo de naturalidade e seriedade. A masturbação infantil é uma questão que só pode ser resolvida se os pais realmente compreenderem toda a situação. Até porque, como vimos, reagir com xingamentos ou de forma negativa pode causar inúmeros traumas, inclusive no desenvolvimento e na vida adulta do seu filho.

Se, por acaso, você sentir dificuldade de lidar com a masturbação infantil, não pense duas vezes antes de ir atrás da orientação de um profissional. A criança não faz por mal ou para desobedecer, ela está apenas em fase de descobertas e tudo o que ela absorver nesse momento será levado para as outras fases da vida. Não é vergonha alguma não saber lidar com a masturbação infantil, mas é preciso buscar informações para lidar com essa fase da melhor forma!

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para colunistas@eusemfronteiras.com.br