Saúde Integral

Masturbação infantil. Como lidar?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A masturbação traz prazer pela estimulação dos genitais com as mãos ou algum objeto. O primeiro a utilizar o termo foi o psicólogo britânico Havelock Ellis, em 1898. A prática sexual é realizada desde os tempos mais remotos. No Antigo Egito, era algo coletivo feito em homenagem às divindades. No Império Romano, os homens se masturbavam antes das relações sexuais, no intuito de adiar a ejaculação, algo recomendado até hoje para tratar a ejaculação precoce. Já os indianos consideravam a prática como um sugador de energia.

O cristianismo classificou o ato como uma doença. As consequências do ato eram pouco apetite ou fome excessiva, problemas estomacais, vômitos, náuseas, tosse, complicações respiratórias, paralisias, perda do desejo e impotência. Entretanto, hoje sabe-se que a prática não causa infertilidade nem outros problemas de saúde. O “sexo solitário” é rotina de pessoas com vida sexual satisfatória, pois traz autoconhecimento. Veja os vários benefícios para a saúde física e mental:

  • Ameniza a insônia;
  • Evita incontinência urinária feminina;
  • Fortalece os músculos uterinos e ameniza cólicas menstruais;
  • Evita a ejaculação precoce e diminui os riscos de câncer de próstata.
Masturbação infantil

Os pais ficam preocupados ao flagrarem seus filhos se masturbando. Quando Freud revelou suas descobertas sobre a sexualidade infantil, a sociedade entrou em choque, pois ele quebrou o paradigma da pureza inerente às crianças. Para o psicanalista, essa sexualidade é dividida em cinco fases: oral, anal, fálica, latência e genital. Veja as características de cada fase:

  • Fase oral de 0 a 1 ano: a boca é a região de prazer, por isso, a criança leva tudo a boca;
  • Fase anal de 2 a 4 anos: o ânus é a área de maior satisfação, a criança descobre que pode controlar as fezes;
  • Fase fálica de 4 a 6 anos: nesse estágio, a criança volta sua atenção para o genital e começa a examiná-lo e estimulá-lo. Para os pequenos, é apenas uma experiência sensorial e vai se repetir por ser agradável, explica Anna Cláudia Eutrópio B. d’Andrea, psicóloga e doutoranda em educação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
  • Fase de latência de 6 a 11 anos: a criança concentra sua energia em atividades sociais;
  • Fase genital a partir dos 11 anos: resgate dos impulsos sexuais, ruptura com a identidade infantil.
O que fazer?

Jamais finja que não viu nem tire a mão da criança. Tampouco diga que vai crescer pelos nas mãos ou espinhas. Nem pense em xingar e bater, a violência gera traumas que trarão dificuldade na hora de exercer a sexualidade na vida adulta.

Os pais e educadores precisam explicar que é algo exclusivo da intimidade, portanto, devendo ser praticado quando estiver sozinho. Também é importante falar que tocar os genitais com as mãos sujas e introduzir objetos pode machucar a região. Outra coisa a fazer é pergunte a criança se ela já viu os pais fazendo isso em público. De cara, essa medida ajuda os pequenos a não aceitarem doces, presentes ou dinheiro para deixarem adultos tocarem seus corpos.

Atitude comum é achar bonitinho o menino se masturbar e recriminar a menina. Tal costume é reforçar desde cedo a desigualdade entre gêneros. Famílias que agem dessa forma criam adultas que terão sérios problemas com sua sexualidade.

Quando vira um problema?

A masturbação infantil é problema quando a criança não quer fazer outra coisa. Isolamento, cansaço, baixa energia e problemas de relacionamento são sinais de alerta. Pais e educadores precisam saber em qual momento a prática acontece. Se o pequeno não tem outros interesses, é hora de procurar ajuda psicológica.

O assunto é delicado, porém deve ser encarado com naturalidade. A masturbação infantil é uma realidade e reagir a ela com violência acarreta traumas na vida adulta. Procure mais informações sobre o assunto e não hesite em procurar orientação psicológica caso sinta que não conseguirá lidar com isso.


Texto escrito por Sumaia de Santana Salgado da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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