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Meditar é Chato? – Palestra de Nisargan no Congresso Felicidade e Espiritualidade

Goiânia – Outubro de 2019

Mulher apresentando:

É também com muita honra e alegria que eu gostaria de introduzir a vocês Anand Izhar Khan. Anand Izhar Khan é o criador do Espaço Presença e é instrutor dos seus cursos de retiro de meditação. Formou-se em medicina pela Unicamp, no ano de 1979. Em 1994 avaliou qual seria a sua maior contribuição à evolução da consciência humana em coerência com o seu próprio processo interior, o que o levou a abandonar o seu trabalho como médico psiquiatra para tornar-se instrutor de meditação, continuando esse trabalho ininterruptamente até os dias de hoje. Em sua jornada, Nisargan percebeu que não basta ensinar técnicas consagradas de meditação, então no ano de 2000 escreveu o livro “A arte de estar no presente”, que acompanha um CD com técnica própria e inovadora: “A meditação fluir consciente”, em que o meditador escolhe, entre vários estágios, aqueles deseja praticar. Com vocês, Nisargan.

Nisargan:

Muito obrigado! Qual é a minha fala? Quando eu recebo pessoas que querem aprender meditação nos retiros, elas têm uma imagem da meditação com algo difícil e chato. Difícil e desagradável. Eu observo quais são os conceitos que as pessoas trazem a respeito e que impedem que elas curtam porque tem que curtir. Para mim, meditação é o maior desfrute da minha vida. Realmente é um desfrute.

A meditação que eu faço basicamente tem a ver com a consciência de estar voltado para o aqui e o agora, estar presente, ser o centro ou ser o observador neutro do que está acontecendo no momento. Se eu tenho essa clareza, começo a ver que tem coisas que não são essenciais, como a postura. Se a pessoa acha que ela tem que estar em uma postura X, que é difícil para ela, isso é essencial? Eu posso estar como observador neutro em qualquer postura. Existem posturas que facilitam, mas eu não preciso estar em um postura X, Y, Z, definida, confortável, mas que ao mesmo tempo me deixe em estado de alerta. Algumas pessoas acham que precisam estar sentadas numa almofada sem encostar as costas. Você pode encostar as costas, você pode estar presente encostando as costas. Você tem que meditar.

Mulher sentada em frente à janela, de olhos fechados, meditando.

Algumas linhas falam de duas horas por dia, mas é muita exigência. Se a pessoa curte vinte minutos, beleza, mas se vinte minutos for muito, cinco minutos não está bom? Não é melhor cinco minutos bem curtido do que vinte minutos sofrido? Faz cinco minutos bem curtido. Cinco minutos. Se você realmente curtir, provavelmente vai querer mais, mas vai ser não porque você forçou mas porque você quer, porque você acha que você merece.

Tem uma outra coisa: “Meditação é não pensar”. Se a pessoa acha que meditação é não pensar, ela vai se frustrar e vai terminar uma meditação falando assim: “Eu não consegui”. Nós temos de cinquenta mil a sessenta mil pensamentos desnecessários por dia e é claro que um deles vai passar, então faz parte da meditação pegar em flagrante a entrada de pensamentos. Não é que não temos que pensar, porque vai acontecer, então eu pego em flagrante a vinda dos pensamentos e interrompo. Como eu interrompo? Voltando a ser observador neutro do que está acontecendo agora. O que está acontecendo agora? Aí veja bem: eu preciso criar uma imagem de paz ou de felicidade, então existe uma certa divergência.

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Agora eu vou falar algo que é um pouco divergente de outras linhas, com todo respeito às outras, mas se eu estou observando o que está acontecendo eu não estou querendo criar o que está acontecendo. O observador neutro intrinsecamente é sereno; ele está bem, eu preciso estar nele. Se eu estou me sentindo agitado, observo agitado. A questão é não querer impor uma realidade àquilo que já está acontecendo. Outra coisa: eu preciso ter consciência plena enquanto eu medito, aí também é uma outra divergência. Na minha opinião, consciência plena é muita exigência. Eu preciso estar presente.

Eu vou propor uma meditação agora: teria mais pontos para falar do que eu vejo de algumas coisas que tornam a experiência desagradável e difícil, mas eu quero propor uma estratégia que nós façamos aqui, todo mundo. Chama-se Raming (5:56). Raming é uma técnica tibetana em que eu provoco uma vibração nas cordas vocais. Ela, em si, tem efeitos fisiológicos muito interessantes, porque alonga a respiração, então deixa a respiração mais ampla, o que é muito bom para a gente. Agora o ponto é o estar consciente do aqui e do agora enquanto eu estou fazendo certo. Meditação é isso: eu estou consciente do aqui e do agora enquanto eu estou fazendo. É assim: respira fundo, faz até acabar o ar.

Silhueta de um homem de perfil, sentado, com os olhos fechados, em um campo de centeio.

Nós vivemos de dois modos: nós vivemos em um modo pensando e vivemos no modo percebendo. Pensando: eu estou ruminando pensamentos. Percebendo: eu estou percebendo qualquer coisa neste momento, qualquer coisa, não precisa ser X, qualquer coisa. Enquanto nós tivermos fazendo Raming, vamos procurar perceber qualquer coisa, ser o observador de qualquer coisa. A cada ciclo do Raming, que é uma inspiração profunda e uma respiração profunda soltando essa vibração, eu procuro estar mais no modo percebendo do que no modo pensando. Olha, eu não estou falando para ficar cem por cento do tempo no modo percebendo, porque isso é muita exigência. O tempo todo eu tenho que ficar com a consciência desperta. Vamos fazer uma cobrança correspondente à nossa capacidade. O iluminado consegue. Para nós, ficar o tempo todo é mais difícil. Que prevaleça o modo percebendo qualquer coisa: pode ser meu corpo, pode ser o som, pode ser uma emoção… Perceber o que está acontecendo é interno também, não só externo, tranquilo? E sinalizo para mim de alguma forma se eu consegui ou não. Pode ser um leve movimento de cabeça ou de dedo. É preciso ter um feedback meu mesmo, aí o próximo ciclo também.

Sobre o autor

Anand Nisargan

Anand Nisargan

Anand Nisargan é o criador do ESPAÇO PRESENÇA e focalizador de seus Retiros de Meditação.

Formado em Medicina na Unicamp, em 1994 abandonou seu trabalho como médico psiquiatra para tornar-se instrutor de meditação.

Bebeu da fonte do Mestre Osho em sua própria presença física e foi membro de suas comunas na Alemanha, Itália e Brasil, sendo tradutor de dezenas de seus livros e vídeos. Autor do livro “A Arte de Estar Presente”.

Site: espacopresenca.com.br
E-mail: [email protected]
Telefone: (12) 99700.5670 (Vivo | WhatsApp)