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Medo: é possível viver sem?

Ana Racy
Escrito por Ana Racy
Medo!

Uma palavra tão pequena e que pode causar tantos problemas na vida de uma pessoa. Isso significa que o medo deveria ser eliminado de nossas vidas? A resposta é: não exatamente. O medo faz parte da nossa natureza. É um tipo de mecanismo que preserva a vida.  Muitas vezes, não gostamos de senti-lo, mas sem ele poderíamos correr risco de morte o tempo todo.

Podemos pensar em dois tipos de medo: o de preservação e o patológico.

O primeiro nos faz prestar atenção antes de fazermos as coisas. Tomamos cuidado e avaliamos os perigos e consequências da ação que teremos.

O segundo, que é o patológico, nos paralisa, impedindo assim o nosso crescimento e a nossa evolução.

Inúmeras situações reais ou não podem gerar o medo, como por exemplo o medo de bichos, do novo, da morte, da violência, do desemprego, da solidão, da mudança, do não reconhecimento e muitas outras.

No livro “A face e suas emoções” de Marcos Roberto e Thiago Luigi, os autores dizem que o medo é uma das emoções primárias que resultam da aversão natural à ameaça, presente tanto nos animais como nos seres humanos. Os autores nos mostram que pela leitura das microexpressões faciais, podemos identificar a emoção que a pessoa está sentindo. Eles dizem também que o medo é uma das emoções mais estudadas, por ser uma emoção cognitiva reativa, associada ao mecanismo de sobrevivência.

Sabemos que quando uma pessoa se sente ameaçada, o corpo se prepara para duas situações: a fuga ou o ataque. Essa é uma reação instintiva comandada pelo cérebro reptiliano, que é a parte mais primitiva do nosso cérebro.

Hoje em dia, fala-se muito em fobia social. A fobia é caracterizada pelo medo irracional e persistente com determinadas situações ou objetos e há uma enorme dificuldade para conseguir evitar esse medo.

As pessoas que apresentam esse tipo de fobia têm medo de se expor, de ir para festas e de falar com outras pessoas, entre outras coisas. O que costuma estar por trás dessa fobia é o medo de ser criticado, de não ser visto como gostaria, de não se mostrar tão perfeito como gostaria. Muitas vezes, a pessoa tem uma ideia negativa sobre ela mesma, tem a crença negativa de não ser boa o suficiente. Talvez tenha ouvido em algum momento de sua vida que não era boa e isso pode ter gerado essa crença e fez com que ela desenvolvesse uma autocrítica severa demais. A consequência será um afastamento dos eventos sociais cada vez maior. O afastamento, de forma inconsciente, a protegerá das críticas e do não reconhecimento.

E o que poderia ser feito para combater essa fobia?

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Algo importante e que pode gerar bons resultados, é a pessoa começar a conversar com ela mesma para aceitar a sua imperfeição, compreender que os “erros” fazem parte do aprendizado e da vida. Ser menos severa com aquilo que espera de si, não se cobrar além do que pode oferecer. Entender que a evolução se faz passo a passo.

Enfim, os medos e fobias podem nos auxiliar na questão do autoconhecimento e na aceitação de nós mesmos, com todas as imperfeições e limitações que temos. Os medos nos mostram que algo precisa ser melhorado em nós e para nos livrarmos desses “incômodos”, podemos fazer o enfrentamento desses medos, terapia e, dependendo do caso, um trabalho conjunto com psiquiatras. Então, mãos à obra! Temos muito trabalho a ser feito para nos tornarmos seres melhores e mais livres a cada dia.

Para encerrar, deixo uma frase de Jean-Paul Sartre para reflexão:

“Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal, isso nada tem a ver com a coragem”.

Boa sorte a todos nós nessa caminhada evolutiva!

Sobre o autor

Ana Racy

Ana Racy

Psicanalista Clínica com especialização em Programação Neurolinguística, Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente, Microexpressões faciais, Leitura Corporal e Detecção de Mentira. Tem mais de 30 anos de experiência acadêmica e coordenação em escolas de línguas e alunos particulares. Professora do curso “Psicologia do Relacionamento Humano” e participou do Seminário “O Amor é Contagioso” com Dr. Patch Adams.

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