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O que é a fobia social

A fobia social é um distúrbio psicológico em que a pessoa sente medo e angústia ao estar perto de outras pessoas e ser julgada por suas falas e ações. Esse medo é manifestado de forma irracional e desproporcional em relação à a realidade.

A origem desse distúrbio pode estar, muitas vezes, associada a traumas da infância, que, quando negligenciados e não encarados de maneira sadia, geram feridas psicológicas profundas que necessitam de uma atenção especial para que o quadro não se agrave ainda mais com o passar dos anos.

Não se deve confundir a fobia social com timidez. Enquanto a última é apenas uma característica comum a várias pessoas, e não necessariamente causa dificuldades de socialização, a fobia social prejudica significantemente a qualidade de vida das pessoas que convivem com ela.

É importante entender mais sobre esse distúrbio, para que seus sintomas sejam contornados e, assim, evitar que cada vez mais pessoas tenham sequelas em suas vidas. Neste artigo, vamos nos aprofundar no conceito de fobia social, suas causas e consequências, e também apontar algumas soluções para aprender a conviver com a condição.

O que é a fobia social:

Fobia social é um transtorno ocasionado pela ansiedade intensa, medo do que as pessoas estarão pensando sobre você e desconforto ao se expor a alguma situação social. Pessoas com fobia social se preocupam em demasia ao apresentar algum trabalho, iniciar uma conversa com algum desconhecido, falar ao telefone ou até mesmo realizar atividades rotineiras na frente de outras pessoas, como comer ou ler em um lugar público.

Como consequência, elas acabam evitando determinadas situações sociais para não passarem por esse sofrimento, e assim acabam se isolando do resto do mundo e raramente criam vínculos com novas pessoas. Essa grande angústia se manifesta fisicamente, e o medo de ser humilhado, julgado e ridicularizado acaba se materializando em sudorese excessiva, falta de ar, dificuldade para falar, ritmo cardíaco acelerado, tremores, entre outros.

Há uma nítida diferença entre timidez e fobia social. Embora muitas pessoas com um perfil mais introvertido apresentem insegurança em diversas situações de suas vidas, uma pessoa tímida, apesar da insegurança e do desconforto, consegue manter um contato social dentro da normalidade e realizar tarefas comuns do seu dia a dia.

Mulher dentro de uma caixa usando seu laptop
Andrea Piacquadio / Pexels

Já alguém que sofre de fobia social tem uma grande dificuldade para seguir sua vida. Manter um simples contato visual com outra pessoa, ir a festas, participar de uma entrevista de emprego ou simplesmente passar por um grupo de estranhos são alguns acontecimentos cotidianos que são evitados ao máximo, em razão do medo desproporcional que causam.

É importante ressaltar que o que gera mais incômodo não é a situação em si, mas o julgamento que farão dela. O medo não é direcionado às pessoas, mas às suas reações. Por exemplo, a pessoa evita falar em público com medo de ficar corada ou gaguejar, e, com isso, pensarem que ela é alguém ansiosa, fraca ou infantil.

Quem tem fobia social evita um simples aperto de mão, pois se a mão estiver fria e suada, isso pode ser avaliado negativamente pela outra pessoa. Ou, ainda, por medo de que as mãos tremam, prefere não comer ou beber em público.

Apesar de reconhecer que esse é um medo exagerado, a fobia social faz com que o indivíduo se sinta frágil e deprimido. A ansiedade também pode afetá-lo além das ações. O medo de ser rejeitado pode ser tão forte e irracional que essa pessoa evita o contato social por medo também de ofender as pessoas com suas falas e atitudes.

Principais causas

Com o passar das décadas, estamos cada vez mais expostos a novas situações sociais que demandam uma maior interação com indivíduos com quem não temos tanta afinidade, além de cobranças externas e pressões internas. A fobia social é, portanto, uma condição que surge da relação do indivíduo com o ambiente em que vive, associado a fatores genéticos.

Não há uma causa específica para a fobia social acontecer. Na verdade, ela surge a partir de um conjunto de fatores, tais como ter vivenciado alguma experiência negativa e traumática com outras pessoas no passado, doenças de natureza psiquiátrica e psicológica preexistentes – como depressão e transtornos de ansiedade –, exposição frequente a situações de risco na infância etc.

Garota sofrendo bullying de dois meninos
Keira Burton / Pexels

Associa-se também a fobia social à maneira com que a pessoa foi educada pelos pais durante a infância e a adolescência, além de ser possível correlacionar a possíveis traumas vividos nessa fase, como bullying na escola e rejeição entre amigos ou no ambiente familiar.

Sintomas

Os principais sintomas relacionados com a fobia social vão além de sentir desconforto e ansiedade ao falar em público. O medo de fracassar, a sensação permanente de que “o pior pode acontecer” e o ato de antecipar mentalmente situações de maneira desproporcional ao que de fato pode acontecer afetam toda a rotina do indivíduo e prejudicam sua qualidade de vida, seja no ambiente escolar, profissional ou pessoal.

Os sintomas característicos da fobia social podem ser divididos em:

1 – Fisiológicos: seriam os sinais que o nosso corpo emite quando o indivíduo é exposto a situações desconfortáveis ou às quais não está habituado, como taquicardia, sensação de boca seca, tremores, palpitações, suor frio, mãos geladas ou enjoos.

Mulher com as mãos nas orelhas enquanto grita
SHVETS production / Pexels

2 – Comportamentais: inclui basicamente o modo como age em situações sociais, evitando-as ou expressando-se de maneira retraída. A pessoa que sofre com a fobia social tem a constante sensação de que está atrapalhando ou se sente perdido quando está na presença de outras pessoas. Ela encontra dificuldade para falar, começa a gaguejar, ou a voz se torna trêmula, e ainda pode manifestar alguns tiques e movimentos repetitivos.

3 – Cognitivos: são as consequências sentidas com o passar do tempo, tais como ansiedade, depressão, tristeza profunda, vergonha de interagir com desconhecidos e baixa autoestima.

Os sintomas da fobia social podem aparecer de muitas maneiras e manifestam-se de forma única em cada pessoa. Ou seja, é possível que nem todos estejam presentes ao mesmo tempo, e apresentar algum desses sintomas em momentos específicos não é fato determinante para ser diagnosticado com a condição. Entretanto esteja atento e procure ajuda de um profissional caso sinta necessidade.

Diagnóstico e tratamento

Os sintomas da fobia social surgem mesmo com a vaga ideia de passar por alguma situação em que o indivíduo precise se expor ou ser observado. O medo de parecer ridículo perante os demais, dizer alguma besteira e ser mal interpretado ou, ainda, ter a sua aparência e gestos ridicularizados gera uma insegurança intensa. Os pensamentos negativos imperam, trazendo ansiedade e sofrimento a quem convive com esse mal.

Para não ter que passar por nada disso, a pessoa prefere se fechar, prejudicando seu lado pessoal e profissional. Faz-se urgente a identificação desses sintomas para que a fobia social seja tratada e, assim, ninguém deixe de aproveitar as oportunidades da vida devido a essa condição.

Para um correto diagnóstico, é preciso analisar três principais aspectos: se a pessoa se preocupa de forma excessiva com as atividades cotidianas, se o medo a paralisa diante dessas situações e, por fim, se ela evita encarar qualquer cenário em que se sinta acuada, atrapalhando diretamente na condução de sua vida.

Terapeuta e paciente em sessão de terapia
SHVETS production / Pexels

Identificar as origens dessa fobia é o primeiro passo para encará-la e superá-la. É bastante comum que crianças que tenham tido pais autoritários ou superprotetores e tenham sido proibidas, por exemplo, de ir a festas e frequentar a casa dos amigos cresçam e se tornem adultos com dificuldades para socializar.

Além disso, se em suas poucas experiências sociais, vivenciaram algum trauma ou presenciaram casos recorrentes de violência, é possível que tenham desenvolvido essa fobia como forma de proteção.

Um dos métodos utilizados para realizar o diagnóstico e o tratamento da fobia social é a psicoterapia. Há várias abordagens terapêuticas disponíveis dentro do campo da Psicologia, entre elas a Terapia Cognitivo-Comportamental, que vai auxiliar diminuindo os sintomas de ansiedade, proporcionando um aumento da autoconfiança e trazendo maior bem-estar ao paciente.

Como lidar com a fobia social

A fobia social gera bastante desconforto e traz insegurança e pensamentos negativos que atrapalham demais a vida das pessoas. Para não deixar que essa ansiedade domine a sua vida e seja um empecilho em seu crescimento pessoal, essa condição precisa ser controlada.

É preciso entender que a fobia social se manifesta em distintos graus de intensidade, portanto pessoas que apresentam os sintomas desse transtorno podem precisar de um maior ou um menor esforço para lidarem com a exposição social.

A primeira atitude que deve ser tomada depois de reconhecer que você convive com esse problema é procurar a ajuda profissional de um psicólogo. Para evitar que a fobia social cause danos à sua vida, é preciso enfrentar os possíveis medos e traumas que levaram a esse problema.

Mulher escrevendo em um caderno
SHVETS production / Pexels

Além das sessões de terapia, é preciso reforçar diariamente algumas atitudes positivas. Pensar “eu posso” ou “eu consigo” antes de realizar alguma tarefa que pode ser desafiadora é uma boa maneira de ir enfrentando o medo aos poucos.

Reconhecer seus pontos fortes e evitar a autocobrança excessiva deve ser um exercício diário. Mas saiba que a sua opinião importa e comece a aceitar os elogios direcionados a você. Aos poucos, você passará a acreditar mais em si e a pensar positivamente diante de qualquer situação.

Outras dicas menos óbvias, que podem também ajudar a superar a fobia social, são a inclusão de atividades físicas relaxantes e ao ar livre em sua rotina; a prática de meditação, como, por exemplo, o mindfulness; ou o ingresso em cursos de seu interesse para, assim, quem sabe, conhecer pessoas com quem você tenha mais afinidade e possa compartilhar coisas em comum.

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Por fim, evite o consumo excessivo de algumas substâncias, como álcool, drogas, cafeína e nicotina. Embora pareçam auxiliar em situações de estresse, relaxando o corpo, essas substâncias intensificam os sintomas da ansiedade e, a longo prazo, podem prejudicar ainda mais os sintomas da fobia social. Opte por uma rotina saudável, alimente-se bem e durma ao menos 8 horas por noite. Lembre-se de que corpo e mente estão conectados, e um precisa estar sadio para influenciar o outro.

Essas são algumas dicas práticas para amenizar os sintomas causados pela fobia social. Não é certo que funcionarão para todas as pessoas, mas podem ser um começo para o fortalecimento da autoestima e um primeiro passo para um longo caminho de cura e autoconhecimento, que deve vir a seguir.

Se não tratada, a fobia social pode resultar em isolamento e pensamentos negativos. Sem falar que os riscos de desenvolver depressão e crises de pânico são mais elevados. Não há uma solução rápida e fácil para enfrentar a doença, mas o mais importante é ter a vontade de superá-la e ir modificando o comportamento aos poucos. Jamais se automedique, e procure um profissional habilitado para te ajudar.

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