Autoconhecimento Psicologia

Não é fácil ser homem!

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Ana Cerqueira
Escrito por Ana Cerqueira

Olá, amigos do Eu Sem Fronteiras!

Vocês devem ter achado estranho o título do texto, sendo escrito por uma mulher, não é? Afinal, os homens devem pensar, como é que ela sabe disso? O fato é que com o trabalho e estudo da psicanálise, muita coisa mudou na minha vida, inclusive a percepção do que é “ser homem”.

Trabalho com homens, sou casada, tenho pai, amigos e ultimamente comecei a me aprofundar mais nesse universo masculino. O título é muito mais utilizado pelas mulheres “não é fácil ser mulher”, temos que trabalhar, estudar, ser mãe, esposa, amante, amiga e mais mil e uma utilidades, mas será que paramos para pensar no que é ser homem?

Young bearded man standing by the window using a smartphone

O patriarcado só se diluiu em teoria, na grande maioria dos casos. Para o homem sobra as obrigações de ser bem-sucedido, provedor, melhor que o pai, irmão, vizinho, amigo, ser forte, não chorar, ser hétero, ser firme… A cobrança da família e da sociedade é impiedosa! Os padrões de perfeição são duros, a autocobrança é formada desde a infância com frases do tipo “você tem que ser homem”, “você não pode brincar disso”, “menino não faz isso”, “menino não chora”. Tudo isso e mais um pouco torna o caminho dolorido e muitas vezes extremamente sacrificado.

Na área dos relacionamentos se espera muito do homem, principalmente nos dias de hoje, já que a mulher se descobriu e começou a exigir o que não teve por tanto tempo. O homem “tem que ter e ser muitas coisas”, romântico, carinhoso, macho, forte, trabalhador, não ciumento, moderno, divertido, etc.

No trabalho a autoexigência pode ser seu maior desafio, é preciso vencer sempre. Mas sabemos que é impossível ganhar todas, não é?

Na família a cobrança começa desde pequeno, os “não podes” e “tem ques” intermináveis definem o que será da sua personalidade e da sua sexualidade. Qualquer atitude diferente do que se esperava de “um menino” é criticada e muitas vezes punida fisicamente. Sim, estamos em 2017 e isso é mais comum do que se imagina, não adianta nos iludirmos.

Ser homem para a sociedade é, em primeiro lugar ser hétero e bem hétero (nada de insegurança e fragilidades “femininas”). Ser homem é fazer faculdade, conseguir um bom emprego, casar, ter filhos, ser bom pai, bom marido, bom filho, bom trabalhador, e também, claro, ser um bom paquerador e até “pegador”. E sabe o que é pior, ele sofre muitas vezes em silêncio com toda essa expectativa em cima dele.

“O caminho pode e deve ser mais fácil, e isso depende de cada um de nós”

Sofre porque quis colo para chorar e talvez não teve coragem de pedir com medo, sofre porque é comparado com todos os homens de sucesso, seja dentro ou fora da família, sofre porque é medido pelo seu poder de conquista, em todas as áreas. Ele sofre porque independente do gênero é um ser humano que precisa de amor, carinho e atenção. Que precisa aceitar sua fragilidade, sua necessidade do outro sem se preocupar com o que esperam dele.

Então, todos nós temos que perceber que não é fácil ser homem, nem mulher. Não é. Mas podemos sempre fazer mais e melhor. Podemos criar filhos mais livres para suas escolhas, podemos parar de projetar os nossos sonhos/desejos neles e nos outros e deixar que cada um viva a vida como bem entender. Podemos ser menos exigentes com o nosso próximo e com nós mesmos. Com amor, respeito e união faremos com que as coisas sejam mais simples e a vida mais leve e feliz.

Um grande beijo e até a próxima!

Sobre o autor

Ana Cerqueira

Ana Cerqueira

Sou Psicanalista Clínico, com especialização em Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente. Tenho graduação em Publicidade e pós-graduação em Comunicação Digital. Sou Autora do Blog “Amor pela Psicanálise”.

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