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O grande teatro da sobrevivência e a nossa finitude

Imagem de fundo azul acinzentado e as mão sde um homem segurando um relógio, simbolizando o tempo, respeitando as fronteiras entre o trabalho e o lazer.
Towfiqu barbhuiya / Pexels / Canva
Escrito por Fabiano de Abreu

Entre metas, rotinas e distrações, muitas vezes esquecemos a fragilidade da existência. O texto propõe uma reflexão sobre a finitude humana, questionando excessos e ambições que afastam do essencial, e convida a valorizar o tempo, a simplicidade e a experiência de viver.

Existe uma reflexão que me acompanha desde a infância, um eco que surgia sempre que eu tentava decifrar conceitos tão vastos quanto Deus, o Universo e a inevitabilidade da morte.

Com o passar dos anos, o acúmulo de conhecimento e a maturidade não apagaram essa inquietação; pelo contrário, deram a ela um contorno muito mais nítido e fundamentado.

A verdade é que grande parte das estruturas que construímos coletivamente funciona como uma tentativa sofisticada de mitigar a nossa realidade mais elementar, que é a urgência de sobreviver.

Entramos voluntariamente em uma engrenagem onde trabalhamos para gerar recursos, compramos alimento para nos mantermos vivos e gastamos energia no deslocamento apenas para repetir esse mesmo ciclo no dia seguinte.

No fundo, criamos uma camada densa de distrações sociais, ambições artificiais e pequenas urgências cotidianas para que a nossa mente não precise encarar de frente a única certeza absoluta que compartilhamos: a finitude da vida.

Imagem de uma mulher segurando um relógio grande na frente do seu rosto. A foto simboliza a necessidade de gerenciarmos o tempo, respeitando as fronteiras entre o trabalho e o lazer.
Peopleimages.com – YuriArcurs / Canva

Quando observamos o comportamento humano, percebemos que muitos permitem que a ganância soterre o que há de mais simples e essencial. Essa busca desenfreada pelo excesso cobra um preço alto, trazendo complexidade e sobrecarga para resolver problemas que nós mesmos inventamos.

Quantas pessoas ultrapassam os seus próprios limites físicos e mentais em busca de um sucesso que nem sequer é financeiro, mas sim uma tentativa de validar a si mesmas, preenchendo o vazio e silenciando o relógio biológico que avança sem pausas?

O verdadeiro equilíbrio, o tesouro que a maioria realmente procura, está na simplicidade de ter um lar confortável, as contas pagas, um meio de transporte que atenda aos que amamos e o espaço para desfrutar da vida.

Contudo, para alcançar essa estabilidade, é indispensável aprender a gerenciar o tempo, respeitando as fronteiras entre o trabalho e o lazer. Afinal, passar a existência inteira focado em métricas ilusórias é um desperdício de tempo; quando o ciclo se fecha, percebe-se que o período considerado útil foi apenas uma distração em que não se viveu de fato.

Não podemos nos afastar do fato de que somos, essencialmente, organismos. Nascemos, buscamos a sobrevivência, nos reproduzimos e, inevitavelmente, morremos.

Esse é o roteiro traçado pela nossa natureza biológica. Mesmo quando alguém escolhe não deixar descendentes, o destino final permanece o mesmo. Apenas deixa-se de cumprir um dos direcionamentos evolutivos do nosso DNA, uma ausência que a nossa própria psicologia se encarrega de acomodar, criando narrativas conscientes que confortam e pacificam o nosso íntimo.

Por isso, antes de alimentarmos qualquer ilusão de soberania em uma rede social ou de nos sentirmos superiores ou inferiores em nossa comunidade, vale a pena resgatar a lucidez. Somos todos organismos biológicos caminhando na mesma direção, criando ocupações para preencher os dias, enquanto aguardamos o momento em que a biologia cumpre o seu papel final.

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Pós PhD em Neurociências e biólogo membro das principais sociedades científicas como SFN - Society for Neuroscience nos Estados Unidos, Sigma XI, sociedade científica onde os membros precisam ser convidados e que conta com mais de 200 prêmios Nobel e a RSB - Royal Society of Biology, maior sociedade de biologia sediada no Reuno Unido.

É membro de 10 sociedades de alto QI, entre elas a Mensa, Intertel, ISPE, Triple Nine Society, coordenador Intertel Brazil, diretor internacional da IIS Society e presidente da ISI e ePiq society, todas sociedades restritas para pessoas com alto QI comprovados em testes supervisionados. Criou o primeiro relatório genético que estima a pontuação de QI através de teste de DNA e o projeto GIP - Genetic Intelligence Project com estudos genéticos e psicológicos sobre alto QI com voluntários.

Autor de mais de 50 estudos sobre inteligência, foi voluntário em testes de QI supervisionados, testes genéticos de inteligência e estudo de neuroimagem já que atingiu a pontuação máxima em mais de um teste de QI em mais de um país corroborando com os demais resultados genéticos e de neuroimagem.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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