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O Instinto Moderno – Por quê ainda somos os mesmos e vivemos como nossos ancestrais?

Felipe M. Viagi
Escrito por Felipe M. Viagi
Segundo o Historiador Yuval Noah Haari, autor do livro “Sapiens, ma breve história da humanidade”, no mundo antes da prática da agricultura o consumo humano era baseado na caça e na coleta. Os humanos se movimentavam em grupos de até 10 pessoas e suas principais atividades eram comer, lutar, fugir e transar. Todos esses eram os atributos de sobrevivência de nossa espécie naquela época.

Aqueles que sobreviveram e se reproduziram foram então os que conseguiram desenvolver com maestria a habilidade mais requisitada da época, o que chamaremos aqui de “instinto animal”.

Defino “instinto animal” como a nossa capacidade de sobreviver fisicamente dentro do mundo material. Na prática, era nossa capacidade de enfrentar outros animais, de conseguir alimento, de procriar nossa espécie e não podemos deixar de lado a habilidade de nos curar de doenças.

O Instinto Animal no Mundo Moderno

No mundo moderno, essa habilidade se manifesta em nossa capacidade de nos defender em argumentos, nosso desejo de conquistar posses materiais para garantir o pão de amanhã, o impulso de conquistar pessoas a fim de perpetuar a espécie e até mesmo nosso sonho de viver em condomínios ou casas com muros altos.

Hoje, quem aqui na terra se encontra, é descendente desses grandes guerreiros instintivos (há controvérsias…) e portamos, possuímos essa habilidade em nós. Embora, em muitos de nós essa inteligência se encontre em parte adormecida devido ao baixo uso e a repressão social-moral.

Trazendo a lógica adaptativa de Darwin, com o advento da agricultura começamos a nos tornar sedentários e desenvolver habilidades necessárias para a nova forma de sobrevivência da época.

Algumas das novas habilidades necessárias eram na prática: plantar, compreender os ciclos da natureza, planejar, se organizar em grupo e construir barreiras.

Porém todas essas habilidades estão subordinadas a uma habilidade principal, que sem ela nenhuma das outras seria possível ou seja o instinto moderno, que eu denomino como o Instinto Social.

Imagem gráfica de um homem e uma macaco. Ambos olham em direções opostas. No topo da imagem está escrito Evolução em inglês.

O Instinto Social

Se o instinto que conhecemos está associado à sobrevivência física no planeta (chamarei de instinto animal), o instinto social é a nossa capacidade de sobreviver como parte de um grupo de pessoas.

Uma espécie de sobrevivência social.

O que você leitor já sacrificou para pertencer a um grupo? 

Feche os olhos e reflita por um instante.

Hoje, ao caminhar pelo mundo moderno, vivenciamos quase que diariamente dezenas de grupos sociais diferentes.

Nossa família, o grupo em que praticamos esporte, o grupo do nosso trabalho, o grupo de amigos, comunidades online que detém o mesmo interesse, o tipo de balada a que vamos.

Todos esses são exemplos grupos sociais em que nos inserimos e convivemos. 

Cada um desses grupos ou comunidade detém seu próprio propósito, valores, verdades, regras (explicitas e implícitas, além de comportamentos que são valorizados, aceitáveis, não aceitáveis e deploráveis.

Exemplificando: a comunidade do autoconhecimento tem a unidade em comum em que todos buscam se conhecer. Alguns dos valores que são compartilhados são gratidão, auto responsabilidade, paz e amor. Algumas das regras implícitas são: não explodiras de raiva com o próximo, um comportamento deplorável é votar no Bolsonaro, um comportamento valorizado é uma meditação diária e desapego material. Enquanto um comportamento aceitável é ganhar dinheiro vendendo workshops de autoconhecimento, por exemplo.

Quando nos filiamos a esses grupos, mesmo que inconscientemente, começamos a mudar nossos valores e crenças afim de manter nossa sobrevivência dentro desses grupos.

Uma parte nossa, no fundo de nossa psiquê, detém um alerta que grita quando podemos fazer algo que nos acarrete a morte social. Essa voz, eu chamo de instinto social. 

Bonecos de madeira representando grupo social. Um boneco tingido de vermelho representa uma pessoa fora do grupo. Fundo azul.

Ao nos filiarmos a esses grupos é esperado de nós que mantenhamos nossa concordância com esses pontos, caso contrário, podemos encarar a “morte social”, ou em outras palavras, a exclusão.

De quais grupos você se recorda de ter sido sutilmente expulso caro leitor?

Pergunte a si mesmo

Por que eu fui expulso desse grupo?

Qual parte do “regulamento” eu infligi?

Feche os olhos e espere pacientemente pela resposta.

Nesse momento antecessor à exclusão, alguma outra parte dentro de você foi mais forte que o instinto social (tema para um próximo texto).

Você infligiu as regras do grupo e como consequência foi excluído.

Ps: Em uma perspectiva profunda nós mesmos nos excluímos quando percebemos que a influência daquele grupo social não está mais de acordo com nosso momento de vida.

A quem o Instinto Social serve?

O instinto social trabalha para o instinto animal, pois, em essência, buscamos pertencer a grupos devido a facilidade que o grupo proporciona a nossa sobrevivência física. 

Proponho um pequeno exercício de visualização para que você sinta essa afirmação na pele.

Imagine só viajar para uma região que não detém a estrutura humana de comercio, proteção ou estradas e nem mesmo um só humano pode ser visto.

Ou você terá dificuldades de sobreviver pela existência de animais, ou dificuldade de comer pela falta dos mesmos.

Feche os olhos e faça a visualização de você sozinho neste local.

Essa pequena visualização nos dá uma ideia de como o instinto social é importante e como ele substitui, em nossa sociedade, grande parte do nosso instinto animal. 

Gratidão por ele!

Instinto Social Aplicado As Constelações Familiares

Bert Hellinger, fundador das Constelações Familiares, descobriu em seus mais de 40 anos de psicoterapia, três leis que regem o sistema das relações humanas na terra.

Assim como a lei da gravidade é infalível, quer desejemos ou não, o mesmo acontece com as leis descobertas pelo sábio alemão.

Ou aceitamos e nos movimentamos no mundo consciente delas ou recusamos e seremos controlados pelas mesmas.

Uma dessas leis se denomina a lei do pertencimento. 

De maneira simplista, a lei do pertencimento, diz que não podemos excluir alguém de nosso sistema familiar sem que o sistema se retroalimente. 

Quando excluímos alguém, as características que foram o motivo dessa exclusão continuarão no sistema, se manifestando em outra pessoa do sistema familiar.

Por exemplo, se um tio alcoólatra é excluído da família, seu sobrinho, mesmo sem conhecê-lo, começa a beber e se torna alcoólatra.

Jovem bebendo álcool pensando no vício. Está em um bar.

Essa pessoa que recebe essas características faz isso por amor ao excluído, segundo as palavras do alemão.

Provavelmente o sobrinho também será excluído, e o ciclo se repetirá na família.

Até que alguém consciente das leis sistêmicas dê um lugar dentro de seu coração para os alcoólatras da família.

Fazendo a ligação com o instinto social, quando este não funciona somos excluídos do grupo, porém o grupo não consegue se excluir de nós.

O mesmo padrão acontece com todos os grupos a que pertencemos.

Quando alguém começa a infligir as regras de um grupo a que pertencemos, temos 2 opções. A mais fácil que é simplesmente isolar o baderneiro e divulgar informalmente através de fofoca sua eminente exclusão ou tomar o caminho mais difícil.

Cuidar da divergência.

Cuidamos quando compreendemos que o excluído faz o máximo que pode fazer, e faz por amor a alguém.

Cuidamos quando aceitamos o destino do excluído sem que entremos em correntes de fofocas.

Cuidamos quando escutamos o excluído sem julgar e sem intenção de “ajuda-lo”.

Hoje você está do lado de cá, amanhã poderá estar do lado de lá.

O mesmo padrão acontece dentro de nós mesmos.

Tudo que excluímos se apodera de nós, enquanto daquilo que aceitamos, nos libertamos. (Carl Jung)

Quando temos um comportamento ou característica que não aceitamos, tiramos esse comportamento de nossa vista. 

Excluímos da nossa consciência e lançamos para o fundo de nosso inconsciente aqueles pensamentos ou comportamentos que nos desagradam.

E de lá do fundo do nosso inconsciente, eles comandam nosso destino.

O que você secretamente está excluindo?

Medite por alguns instantes…

Qual é o Propósito dos meus artigos?

É com imensa honra que apresento meu primeiro artigo neste portal. Desta forma, deixarei aqui o meu propósito em investir minha energia mental para compartilhar minhas experiências e percepções com vocês!

Meu principal propósito é gerar gradualmente a percepção em você leitor de que não somos nossos instintos, nem os pontos de vistas que defendemos e muito menos nossas doenças e emoções destrutivas.

Mas sim, somos a consciência de nossas “manifestações”.

As escolas místicas do Egito antigo, da índia e da região do Oriente Médio, chamavam essa percepção de “lei da impermanência”.

Tudo se altera, apenas um elemento se mantem: a nossa percepção daquilo que se altera.

Através do conhecimento sobre a psiquê humana se torna possível perceber a nós mesmos. Alguns, aqui no ocidente, chamam a auto percepção de elevação da consciência.

Conceito de elevação da consciência. Um cérebro dentro de uma cabeça. Fundo de universo.

O nome não importa. O que importa mesmo é que percebamos nós mesmos.

Que lembremos de nós a todo instante.

Gradualmente, a auto percepção vai se tornando desidentificação de quem nós somos com aquilo que estamos vivenciando.

Assim seremos capazes de respeitar o diferente, tolerar o que antes era absurdo, equilibrar nossa vida e estar em paz mesmos nos momentos de “turbulência”.

Afinal, o mundo pacifico, amoroso e abundante, sob minha ótica, passa pela consciência de quem nós verdadeiramente somos.

Gratidão a todos que aqui chegaram.

Foi uma honra dividir esse espaço em suas mentes e corações.

Namaste “tchau” como diria um amigo indiano que ama o Brasil.

Sobre o autor

Felipe M. Viagi

Felipe M. Viagi

Felipe Viagi, Aprendiz assíduo do método Kumon e pianista até os 13 anos. Aspirante a jogador profissional de futebol até os 16 anos.

Aos 16, foi estudar arte e cultura de um dos países mais exóticos do mundo em um intercâmbio de 1 ano na Índia.

Aos 20, foi estudar negócios na Alemanha.

Aos 22, começou sua primeira empresa na área da educação.

Aos 25, sua segunda empresa na área de hospedagens.

Já morou em 5 países diferentes, fala 5 idiomas fluentemente e conhece mais de 45 países pelo mundo.

Vivenciou um retiro de meditação com os monges na Tailândia. Fez cursos de meditação ativas na sede do Instituto Osho em Pune, Índia. Estudou e praticou a antiga ciência da Krya Yoga nas montanhas geladas dos himalaias.

É formado em Constelação Familiar pela UHB (Universidade Holística do Brasil) e com especialização na sede da Constelação familiar em BadReichenHall, na Alemanha.

É apaixonado por viajar, estudar culturas e emoções humanas, filosofar,meditar, curtir uma praia e servir a vida humana.

Seu propósito na terra hoje é se tornar mestre de si próprio e estimular outros a buscarem o mesmo.

Suas principais crenças são

" quem não vive para servir , não serve para viver "

"Todos nós somos 1 e ao mesmo tempo somos vários."

Seus principais valores são; respeito, equilíbrio e a verdade consigo próprio.

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