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O que é autoestima segundo a psicologia?

Imagem de uma linda mulher, feliz e com a sua autoestima elevada. Ela está deitada sobre um fundo todo florido.
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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Autoestima. Você provavelmente já ouviu falar sobre ela, sobretudo nos tempos atuais em que questões a respeito do próprio corpo e da saúde mental estão bastante em alta. Esse tema está sendo discutido com muita frequência, especialmente nas redes sociais.

Mas o que, afinal, é autoestima? Segundo o dicionário, por exemplo, autoestima é “a qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e demonstra, consequentemente, confiança em seus atos e julgamentos”.

E a psicologia? O que diz a respeito de autoestima?

Se você sabe um pouquinho sobre psicologia, sabe também que há várias vertentes e teorias muito diferentes no estudo do comportamento e da mente humana, então não há um consenso a respeito do significado de autoestima para a psicologia como um todo. Uma explicação, porém, é bastante utilizada em trabalhos acadêmicos a respeito do tema, tendo sido apresentada no artigo “Portraits of the Self” (“Retratos do Eu”), escrito por Aiden Gregg e Constantine Sedikides e publicado em 2003: “Em psicologia, autoestima inclui uma avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau”.

Em resumo e em palavras mais simples, autoestima é aquilo que pensamos a respeito de nós mesmos. Gregg e Sedikides vão ainda mais longe e defendem que não existe autoestima neutra, como fica evidente na frase construída por eles, porque nossa avaliação a respeito de nós mesmos é, em maior ou menor grau, positiva ou negativa.

Autoestima alta versus autoestima baixa

Como saber se a sua autoestima é alta ou baixa? Não há nenhum método para medir a autoestima, até porque cada pessoa enxerga o mundo, a vida e os seres humanos de uma forma, então seria impossível definir um padrão a respeito do que é bom ou ruim. O que você pode fazer para descobrir a quantas anda a sua autoestima é uma série de perguntas bem simples, como: eu gosto de mim mesmo? Eu me considero uma boa pessoa? Eu acho que as pessoas gostam de mim? Eu me considero uma pessoa com mais sucesso ou fracassos? Como eu lido com os meus fracassos e como eu lido com o meu sucesso?

Percebe-se, portanto, que é tudo tão subjetivo, que você é o único que pode saber como anda a sua autoestima, o que também não é uma ciência exata, porque somos muito parciais quando nos avaliamos, não é? Quantas vezes você já supervalorizou ou diminuiu um fracasso ou um sucesso, autossabotando-se?

Imagem de uma linda mulher ruiva usando um vestido branco. Ela está sentada em um sofá de couro marrom e está rindo e com a autoestima elevada.
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Os perigos da autoestima

Como tudo na vida, a autoestima exige equilíbrio, porque é tão perigoso ter autoestima muito alta quanto ter autoestima muito baixa. “Quem anda com a autoestima alta demais acaba achando que é capaz de fazer qualquer coisa, que dá conta de tudo, que é desejado por todos… Isso pode causar decepções e frustrações grandes. Assim como uma pessoa com a autoestima muito baixa nunca acha que é merecedora de felicidade ou até mesmo das coisas básicas, como respeito e ser ouvido”, opina o psicólogo Felipe Tadeu Pontes.

Como, então, promover esse equilíbrio? Segundo o profissional, não há fórmula exata, assim como acontece com tudo o que toca a individualidade dos seres humanos: “Ter uma visão neutra sobre a vida é impossível; sobre si mesmo, então… O que podemos fazer é um exercício constante de reavaliação das nossas conquistas e também dos nossos tropeções, por menores que sejam, evitando supervalorizar as conquistas e achar de si mesmo a pessoa mais incrível do mundo, mas também sem supervalorizar os fracassos e se achar uma péssima pessoa. Não há nenhuma receita de bolo quanto a isso. É a vida acontecendo”.

Para promover esse equilíbrio, o profissional dá dois conselhos. O primeiro deles é se cercar de pessoas que conheçam você e sua trajetória: “Quando nos aconselhamos e compartilhamos nossos pensamentos com alguém que nos conhece, essa pessoa poderá nos ajudar, recomendando que pisemos um pouquinho no freio se estivermos indo rapidamente demais, ou que nos animemos um pouquinho, porque tropeços fazem parte da vida”.

O outro conselho do psicólogo é entender que a autoestima não é uma característica fixa e imutável. “Há momentos em que nos sentimos bem, em que sentimos que somos capazes e merecedores de bons acontecimentos e conquistas, mas há momentos em que sentimentos negativos se abatem sobre nós e ficamos um pouco tristes, achando que não somos merecedores das coisas boas que nos acontecem ou que permaneceremos numa situação negativa por muito tempo. E tudo bem! Essa inconstância é parte do comportamento humano”, opina Pontes.

O problema, segundo ele, é quando tanto a autoestima muito elevada quanto (e principalmente) a autoestima muito baixa se mantêm assim por muito tempo. “Tanto o excesso de estima por si mesmo quanto a ausência dele, em longo prazo, são maléficos, porque distorcem nossa realidade e impedem que vejamos a vida como ela é. Se você percebe que a sua visão a respeito de si mesmo tem colocado você em situações negativas, tem causado sensação de fracasso, tristeza e infelicidade, procure uma terapia. No espaço da terapia você pode, sem medo de ser julgado, falar sobre tudo o que pensa e sente a respeito de si mesmo. O terapeuta pode ajudar você a validar alguns sentimentos, descartar outros e questionar outros tantos”, aconselha o profissional.

Enfim, em linhas gerais, se você acha que merece menos do que as pessoas ou que não tem direito à felicidade, ou se você pensa que não é tratado pelas pessoas, pelo mundo e pela vida da maneira como acredita que deveria ser, falar sobre isso é essencial, porque equilibrar a autoestima é primordial para levar uma vida mais tranquila e equilibrada.

Imagem de uma linda mulher negra, feliz e com a autoestima elevada. Ela está cheirando uma linda flor cor de rosa.
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Como manter a autoestima em dia?

Como vimos nos tópicos anteriores, não existe fórmula mágica para mantermos uma opinião equilibrada a respeito de quem somos, mas preparamos uma lista com algumas dicas para ajudar você a ser mais cuidadoso e imparcial a respeito de si mesmo e da visão que tem de si. Confira abaixo 5 dicas para manter a autoestima em dia:

Aceite suas falhas

Sempre que passar por um momento de fraqueza ou de tropeço em sua caminhada, não supervalorize isso. Você conhece alguém que nunca errou? Os erros são parte de quem somos e nos ajudam a ser quem seremos no futuro. Além disso, o oposto também é importante: não ignore os seus erros. Aprenda com eles e tire uma lição sempre que for possível, porque isso evita que os cometamos no futuro.

Confie em si mesmo

Sim, esse é um conselho difícil de ser aplicado com frequência. Na correria do dia a dia moderno, com tantas exigências e obrigações, é comum que achemos que não somos capazes de fazer aquilo que a vida exige demais, mas pegue leve consigo. Tente, arrisque e vá à luta. Se der errado, serve como aprendizado. Ah! Fica aquele lembrete: confiança demais é tão perigoso quanto confiança de menos, então tente medir as consequências das suas decisões para não tomar tombos muito altos.

Compartilhe seus pensamentos

Ter amigos em quem é possível confiar é essencial para manter uma autoestima equilibrada, como vimos no texto. Cerque-se de pessoas que vão te consolar e te erguer nos momentos de derrota e também puxar a sua orelha nos momentos de excessos e inconsequências.

Não se compare aos outros

Esse conselho serve tanto para quem tem autoestima muito elevada quanto para quem tem baixa autoestima. Para os primeiros, o perigo é achar que todo mundo (ou quase todo mundo) é menos importante, colocando-se acima do bem e do mal, sendo que todos têm falhas e tropeços. Já o segundo grupo precisa entender que cada pessoa tem seu tempo na vida; não devemos nos cobrar por não ter o que o outro tem, não viver o que o outro vive e não estar onde o outro está, pois isso pode ser uma fonte inesgotável de frustração.

Seja sincero consigo

Errou? Admita para si mesmo. Conseguiu algo que queria muito? Celebre. Quando reconhecemos nossos fracassos e nossas vitórias, sem diminuí-los ou supervalorizá-los, conseguimos manter um estilo de vida mais equilibrado. Se conseguir, celebre, console-se e se repreenda (de maneira leve, é claro) assim que as coisas acontecerem, porque dessa forma você tende a não distorcê-las no futuro.

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Autoestima, enfim, é o modo como nos vemos e como pensamos a respeito de nós mesmos, por isso é que essa característica precisa estar em dia em sua caminhada. Como você é a pessoa mais importante da sua vida, estar bem consigo mesmo é primordial para viver uma vida saudável e com bastante bem-estar. Aproveite as dicas e também explore aquilo que faz você ficar bem e feliz, porque você é o único que pode descobrir o que te faz bem!

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