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O que podemos aprender com diferentes religiões

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A maioria das pessoas tem alguma fé. Não necessariamente seguem outras uma religião, mas acreditam em alguma coisa: destino, astrologia, forças cósmicas, entre . É a fé que traz algum tipo de conforto e segurança para uma pessoa, principalmente quando ela se sente desamparada. A crença, por outro lado, manifesta-se essencialmente por meio de uma religião. É possível acreditar na existência de um ou de vários deuses, e levar a vida seguindo aquilo que os livros sagrados, por exemplo, determinam como certo.

Entretanto, a crença e a fé não devem ser limitantes da realidade. Muitas pessoas passam a acreditar em algo e rejeitam a existência de quaisquer outras formas de pensamento ou de existência. É preciso compreender que existem inúmeras maneiras de ver e sentir o mundo, e que é necessário conviver em paz com todas elas.

Para que você possa aplicar esse conceito de harmonia, paz e compreensão na prática, vamos aprender o que cada religião pode nos ensinar. Não consideraremos a base da religião em si, mas os conceitos que podemos seguir, independentemente de qual seja a nossa crença. Faça este exercício! Sempre há o que aprender

Imagem de três cruzes, referindo-se à ressureição de Jesus Cristo.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

1) Cristianismo

O cristianismo é a religião com mais adeptos em todo o mundo. Isso se dá pelo fato de a Igreja Católica ter catequizado povos que estavam sendo explorados, aumentando a região de influência da religião. Embora pareça contraditório, impor o cristianismo para outras pessoas, anulando a religião delas, não faz parte do que prega essa religião.

O cristianismo traz uma mensagem sobre praticar o bem para as outras pessoas, amando-as como ama a si mesmo. Seguindo esse conceito, de espalhar amor para quem está a seu redor, teríamos uma sociedade mais igualitária, justa e respeitosa.

2) Islamismo

O islamismo é outra religião de muitos adeptos em todo o mundo. Quem a segue é considerado muçulmano, e deve viver toda a vida tendo como foco os princípios pregados por Alá, a figura sagrada desse povo. Ainda que existam diferenças no tratamento de homens e mulheres de acordo com o islamismo, a religião é mais do que isso.

“Maktub” é a expressão que significa “estava escrito”, e é o que diz para as pessoas muçulmanas que o destino delas já foi traçado. Assim, tanto o que acontece de bom ou de ruim pode trazer algum ensinamento no futuro. Tudo estava destinado a acontecer, e não podemos fugir desse destino. É uma boa forma de pensar quando estamos enfrentando um momento de muita dificuldade.

3) Hinduísmo

O hinduísmo funciona como um conjunto de cultos que teve origem na Índia. Diferentemente de qualquer outra religião, o hinduísmo abrange a diversidade de divindades e de pensamentos, sendo que os seguidores podem escolher com qual se identificam mais.

A crença em uma força cósmica formadora do Universo é uma característica do hinduísmo, mas a maior lição que podemos aprender com a religião é a de que existem múltiplas formas de pensar e todas elas são válidas. Crendo em uma ou em várias divindades, você ainda estará conectado(a) com algo maior, com o Universo.

Imagem de Buda em posição de meditação. Ao fundo temos um lago, uma árvore com copa bem frondosa e um lindo por do sol.
Imagem de Karin Henseler por Pixabay

4) Budismo

Confundido com uma filosofia, o budismo é uma religião que segue os princípios de Siddhartha Gautama, chamado de Buda. Monges budistas são conhecidos no mundo todo, por levarem a religião a um outro patamar: o da devoção completa. As pessoas que atingem esse estado de espírito passaram, inicialmente, por um processo que qualquer um pode reproduzir.

O budismo ensina a necessidade de se desapegar das coisas que são transitórias. Objetos, por exemplo, não são essenciais na vida de uma pessoa, muito menos fazer compras de bens não necessários todos os meses. O luxo, a ostentação e as riquezas não favorecem a evolução espiritual de uma pessoa, nem a conexão dela com o que existe de mais puro no mundo. O desapego é o segredo do budismo. Valorize o que realmente importa.

5) Judaísmo

O judaísmo é a primeira religião monoteísta da história. Antes dela, todos os povos acreditavam na existência de inúmeros deuses, que governavam elementos da natureza e emoções. A mudança que o judaísmo trouxe não anula a possibilidade de crer em múltiplas divindades.

O que podemos aprender com o judaísmo é o que a religião considera como maior pecado: a idolatria. Quando idolatramos uma pessoa ou um conceito, nos fechamos para outras possibilidades e nos recusamos a enxergar o ser idolatrado como alguém que pode ter cometido erros. É preciso estar com a mente sempre aberta.

6) Espiritismo

O espiritismo é a religião que mais cresce no mundo, e conquista adeptos a todo momento. Para fazer parte dela, não há qualquer ritual específico. Basta começar a frequentar os cultos e acreditar no que a religião prega.

Existe uma característica fundamental do espiritismo que pode ser aprendida e seguida por qualquer pessoa. A caridade é vista como uma atitude fundamental para a evolução da alma de uma pessoa. Mesmo que você não acredite na existência da alma, você ainda pode praticar caridade e espalhar o bem para outras pessoas.

Imagem de um ritual de Candomblé. Várias fitas coloridas e ao fundo mães e pais de santos.
Imagem de José Eugênio Costa jecosta por Pixabay

7) Candomblé

O candomblé é uma religião que foi criada por pessoas negras escravizadas, que trouxeram as crenças africanas para o Brasil, enquanto tentavam sobreviver. Por mais que a origem da religião tenha vindo de pessoas que viviam em péssimas condições, o candomblé pode surpreender.

É uma característica da religião a prática de festas e oferendas, com dança, música e batuques tipicamente africanos. É assim que quem crê nessa religião homenageia o deus e os orixás nos quais acreditam. Isso significa que a festa, a dança e a música podem transmitir sentimentos e emoções puras, sendo uma forma essencial de comunicação com o divino.

8) Umbanda

Diferentemente do candomblé, a umbanda é uma religião que une as crenças africanas às crenças europeias, que foram trazidas ao Brasil com os colonizadores. A união das duas formas de ver o mundo criou uma religião nova e que tem muito a ensinar.

Para a umbanda, as entidades que conduzem as pessoas não podem ser consideradas totalmente boas ou totalmente ruins. Cada uma delas age de acordo com uma intenção, que pode ser prejudicial ou benéfica. É importante pensar assim também sobre as pessoas, que não devem ser julgadas como boas ou ruins a partir de simples atitudes ou formas de pensar.

9) Wicca

Wicca é uma religião diferente de qualquer outra. Nesse caso, não há crença em uma divindade, sendo uma religião pagã. A fé se manifesta na Wicca por meio da conexão entre espiritualidade e natureza, sendo uma religião que prega o contato com a essência da vida na Terra.

O que podemos aprender com a Wicca é a possibilidade de explorar o que a natureza nos fornece de forma respeitosa e consciente. É preciso compreender cada elemento que vemos como parte de um todo, buscando aprender que tipos de energia a Lua, o Sol e o mar, por exemplo, podem nos transmitir.

Imagem em preto e branco de uma bíblia antiga aberta.
Imagem de Free-Photos por Pixabay

O amor deve prevalecer

Ainda que a liberdade de praticar qualquer religião seja garantida pela Constituição Federal do Brasil, o racismo e a intolerância religiosa continuam atacando as religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.

De janeiro a novembro de 2018, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebeu 213 denúncias de ataques a religiões de matriz africana. Infelizmente, esse número cresce a cada ano. Em 2017, por exemplo, foram feitas 145 denúncias.

O ataque aos praticantes de candomblé e de umbanda representa a recusa da população em aceitar a presença da população negra no Brasil. Ainda acreditam que as pessoas negras existem para servir as pessoas brancas, e que devem pensar e agir como tais.

Por mais que o Brasil se declare como um Estado laico, os temas relacionados à religião, quando votados no Congresso, são definidos por uma maioria de pessoas cristãs. Isso não significa que as pessoas que praticam umbanda e candomblé são minoria ou que não se interessam por política. Pessoas negras que seguem essas duas religiões são sistematicamente excluídas da sociedade.

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Os ataques aos terreiros (onde são praticados os rituais religiosos) e aos fiéis vão contra os princípios de quaisquer religiões, que pregam, acima de tudo, o amor. Rejeitar a existência de crenças diferentes para cada pessoa não condiz com os ideais de igualdade, respeito e harmonia que as religiões definem.

Impor a própria crença, negando a fé de outra pessoa, não irá converter alguém, muito menos convencer outra pessoa de que a religião dela não é válida. Todas as religiões têm direito de existir e de serem praticadas, sem o risco de seus fiéis serem atacados.

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