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O que seu coração diz: trabalho ou serviço?

Silvia Jara
Escrito por Silvia Jara


É engraçado como a gente passa a vida repetindo palavras sem compreender direito o que elas significam, como foram formadas, sua etimologia. Quando observamos um pouco a origem e formação das palavras com seus prefixos, sufixos, radicais e seja lá mais o que for, podemos nos surpreender profundamente.

Gosto dessa análise e, muitas vezes, busco essa origem para compreender exatamente do que estamos falando.

Pois bem, o assunto hoje é trabalho, a palavra trabalho e o significado dele para nós. Em março tive a oportunidade de ver uma palestra que me chamou a atenção para essa análise.

Homem sentado em uma mesa de escritório, olhando para tela de computador, tomando nota em um pequeno caderno

Parece que entre as línguas latinas como português, espanhol e francês, a palavra se origina de “tripalium”, nome dado a um instrumento de tortura usado para animais e pessoas. No italiano, se associa a cansaço. No alemão a palavra se relaciona à escravidão.

Seja em que língua for, o vocábulo “trabalho” está associado a algo cansativo, obrigatório, que demanda muito esforço, servidão; em última análise, uma tortura.

Na mesma palestra, foi sugerido que a palavra trabalho fosse substituída por serviço, ou seja, estar a serviço, servir a um propósito.

Tá, as palavras são bastante próximas, “trabalhar para” ou “servir a” trazem consigo a ideia de algo penoso. E que tal buscarmos um novo olhar das nossas percepções sobre o trabalho e o servir? Talvez possamos diminuir o peso que se atribui às atividades que executamos.

Homem jovem, cansado, dormindo debruçado em cima de um notebook fechado em cima de uma mesa de trabalho.

Sabemos que muitas pessoas percebem o trabalho exatamente dessa forma, como um fardo, um peso enorme, porque não encontram nenhum sentido naquilo que estão executando. Também sabemos que isso é uma realidade que cabe aos interesses de muitas empresas e empregadores que, por não compreenderem a importância daqueles que os servem, transformam o trabalhar em algo cada vez mais árduo.

Por outro lado, temos pessoas que têm no trabalho, no servir e em suas atividades, uma verdadeira fonte de energia para a vida. Tanto é fato que muitas pessoas se sentem completamente perdidas, sem ânimo e sem direção quando lhes é cerceada a possibilidade produtiva.

Trabalho envolve dignidade, faz pertencer, traz o homem para sua essência, traz significado à vida e deveria ser fonte de criatividade e trazer alegria ao coração.
Deveria fazer com que uma pessoa pulasse da cama com um sorriso no rosto sabendo que cada dia é mais uma oportunidade de servir e de se desenvolver.

Uma nova era está chegando em nosso planeta, muitas coisas estão mudando vertiginosamente e acredito que essa relação com o trabalho não há de ser poupada nesses novos tempos.

Já temos ouvido falar que daqui a alguns anos, muitas das profissões que conhecemos não existirão e darão espaço para outras novas, que ainda nem imaginamos quais sejam.

Cada vez mais vemos jovens que têm buscado exercer trabalhos que lhes ofereçam não só um salário, mas também a possibilidade de extrair dessa atividade a energia alegre que está muito próxima da gratidão e do amor.

Homem feliz, olhando para a tela de um computador aberto em cima de uma mesa, ao lado de uma criança pequena, que está sentada em cima da mesa.

A economia compassiva, por exemplo, está se desenvolvendo cada vez mais para atender à humanidade e transformar o trabalho numa tarefa colaborativa, próspera, que atenda a todos os que participam da cadeia produtiva e não apenas os que detêm o capital.

Segundo Hélio Couto, Economia Compassiva “é uma economia em que as pessoas se ajudam… é uma decisão de cada pessoa quando alcança a Iluminação Espiritual ajudar aos demais na medida das suas capacidades.
Quando as pessoas virem que os que praticam a economia compassiva são prósperos e continuam prosperando cada vez mais, ficará evidente a vantagem de aplicar a EC em suas vidas… o princípio da EC é que sempre dará melhor resultado para todos se ajudarmos aos demais. Isso deve ser feito de forma desinteressada e altruísta. Ajudar porque é a coisa certa a fazer. E é a melhor coisa para todos os envolvidos. Quando ajudamos, nós progredimos de inúmeras formas. Toda ajuda volta mais cedo ou mais tarde multiplicada para nós. Mas, não ajudamos por causa disso. Não é uma troca. É unilateral. Ajudamos porque acreditamos que é o melhor. E os resultados mostram que essa é a melhor coisa que se pode fazer. Ajudar sempre, incondicionalmente…”.

Pessoalmente, acredito nessa mudança, numa visão mais amorosa do trabalhar e do servir, mudando a concepção pesada que, até hoje, essas palavras nos trazem, e, quem sabe, daqui a um tempo possamos abrir o dicionário e encontrar a seguinte explicação: trabalho: atividade que se exerce por amor, para servir a todos e ao Todo.

Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele.” (Buda)


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Sobre o autor

Silvia Jara

Silvia Jara

Depois dos dois primeiros anos do Eu Sem Fronteiras, resolvemos atualizar nossas informações e isso foi um belo exercício de reflexão!
Nosso propósito sempre foi ajudar as pessoas na busca do autoconhecimento e eu, pessoalmente, não fiquei isenta disso.

Contato:
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Em meu perfil anterior disse: “olhando para trás percebo que, em minha vida, as coisas sempre aconteceram de maneira fluida, sem muito planejamento, embora tenha verdadeira admiração pelo planejamento ‘das coisas'”. Hoje entendo que foi o foco no presente que me fez seguir o fluxo da vida em muitos momentos, sem me preocupar com o ontem ou com o amanhã. As coisas caminharam como deveriam ser.

Minha paixão pela publicidade se transformou na paixão por pessoas, comportamentos, sentimentos, atitudes e, principalmente, na capacidade e necessidade do ser humano de se comunicar, compartilhar e crescer. Minha formação acadêmica em Publicidade não mudou, mas minha formação humana tem sofrido diversas e importantes mudanças no sentido de compreender que sozinhos não chegaremos longe. Somos um sistema e como tal, precisamos uns dos outros.

Minha capacidade analítica e observadora, aplicada à Pesquisa Qualitativa de Mercado que, até então, me serviu para compreender o comportamento de consumo das pessoas e grupos, agora parece muito mais voltada a me compreender, a olhar para dentro de mim e buscar minha essência verdadeira. É praticamente impossível ficar ilesa, isolada e desconsiderar tantas informações e conteúdos com os quais lidamos no dia a dia de nossa redação.

Hoje entendo que o trabalho em áreas comerciais, marketing de empresas, agências de publicidade e a atuação em pesquisa de mercado estavam me preparando para esse mergulho no autoconhecimento. Nada é coincidência!

A curiosidade pelo mundo espiritual, pela meditação, pela metafísica, pela energia vital está se transformando em novos conhecimentos e práticas: Reiki, Apometria, Constelação Familiar, Thetahealing, PNL, EFT, Florais e tantas outras técnicas. Sigo acreditando que o questionamento, a busca de informação e a vivência me levarão a conhecer minha missão de vida, meus caminhos e minha plenitude.

Trabalhando no Eu Sem Fronteiras desde 2014, tenho aprendido muitas coisas, vivenciado outras tantas e não sei onde isso chegará! O que me importa é continuar nessa busca. É um caminho sem volta no qual o grande objetivo é aceitarmos que somos sujeitos de nossa própria vida, os únicos capazes de transformá-la.

Grande abraço e muita luz!