Convivendo

O que você acha de passar um ano sem comprar nada?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Há poucos anos, em plena era do consumismo exacerbado, a jornalista alemã Greta Taubert de 30 anos resolveu sair de seu país e ir morar na região de Barcelona (Espanha) durante 12 meses. Neste período, ela se propôs a não fazer nenhuma compra e produzir tudo que era necessário para sua sobrevivência. A decisão foi tomada durante uma reflexão em que se deu conta de que toda sua família já tinha passado por fases em que se viu obrigada a deixar de lado o luxo e a praticidade das compras fáceis e muitas vezes superficiais.

Ela foi de carona apenas com uma mochila nas costas para uma comunidade composta por cerca de trinta agricultores. Lá, aprendeu a caçar, pescar e plantar para obter seus alimentos (além de ganhar hortaliças e frutas que os mercados consideravam muito feias para serem vendidas); conseguiu roupas no sistema de troca e aprendeu também a construir móveis. Os itens de higiene também foram todos por fabricação própria, tendo todo material advindo da natureza.

Com essa experiência, a jornalista relata que o mais surpreendente foi constatar que existe uma certa quantidade de pessoas bem diferentes que testam e ou realmente adotam esse estilo de vida pra si. O motivo é um só: resistir ao capitalismo atual e ir além da superficialidade do ato de comprar sem pensar.

A família de Greta foi contra esta decisão exatamente porque sabia que a geração dela não está acostumada a criar, trocar ou até mesmo consertar coisas. É uma geração baseada no consumo e que passa muito longe das dificuldades que seus pais e avós tiveram com o período entre guerras, em que era dificílimo conseguir itens básicos como açúcar e leite.

Greta relatou a experiência em seu livro intitulado “Apocalipse Now”. Nele, propõe uma nova forma de vida em comunidade, mas deixa claro que se livrar do capitalismo é praticamente impossível; no entanto, o hiperconsumismo pode e deve ser combatido por cada um de nós.

Após relatar essa história, proponho aqui uma reflexão. Será que você conseguiria negar ou ao menos diminuir este hiperconsumismo que provavelmente você abaste diariamente? Já se perguntou se realmente precisa de tudo que compra ou se dá seu dinheiro apenas pelo prazer de gastar?

Não temos costume de consertar coisas, de trocar, revender ou mesmo de fabricar e criar os produtos dos quais precisamos.

O capitalismo hiperconsumista é uma cultura tão arraigada às últimas gerações e já faz tão parte da vida e costume de cada um que muitas vezes podemos nem nos dar conta de que vivemos num ciclo de descarte e de compra de novas coisas. 

Em cada esquina, encontramos padarias, mercados e lojas das mais diversas espécies prontas para atender nossas necessidades e isso sem nem citar as lojas virtuais que vendem de tudo, entregam em cada canto do planeta e não nos deixam sentir falta de alguma coisa por muito tempo. A praticidade tirou o lugar de situações básicas como o de cozinhar, reajustar uma roupa ou construir um móvel do zero. Não precisamos aprender nada disso e acabamos nos tornando pessoas supérfluas e descartáveis. Invariavelmente, este tipo de atitude reflete também em outros aspectos da vida como os relacionamentos. Mas isso já é assunto para outro texto.

Se você está disposto a mudar isso, me permita algumas sugestões:
  • Compre de pequenos produtores. Artesãos precisam de incentivo e produzem peças muito mais originais do que grandes distribuidores.
  • Encontre uma horta comunitária em seu bairro ou um pequeno pedaço de terra em que possa iniciar o plantio de verduras, legumes e frutas. Com o passar dos meses, será autossustentável e todos por perto terão produção fresca e de maior qualidade.
  • Conheça sistemas de economia colaborativa. Hoje em dia já temos sites de venda de produtos, troca de serviços e até mesmo venda de experiências. Aquela roupa que não te serve mais pode ser de grande valia para outra pessoa.
  • Cozinhe mais. Reserve um tempo para comer mais em casa e menos em restaurantes. A comida feita em casa traz economia e também permite que você tenha contato com o alimento e descubra novos sabores. Além de trazer mais saúde a sua vida também.
  • Faça bazares. Reúna seus amigos e proponha que todos tragam produtos, roupas, objetos de decoração e o que mais for para que vocês troquem entre si. O dinheiro não sai do bolso e todos podem conquistar novos utensílios.
  • Use a internet. Conhecimento é primordial, mas será que você realmente precisa de novos livros, DVDs e revistas? A internet é uma rede sem fim de informação, basta saber usá-la.

Com estas atitudes, você notará sem dúvida uma diferença na sua qualidade de vida. A economia que fará pode viabilizar seus sonhos e facilitar as grandes conquistas. Quem sabe assim você finalmente não tira aquela viagem pela Europa do planejamento e realmente faz acontecer?

Proponho não só ficar sem comprar nada por um ano, mas sim fazer uma mudança na forma de vida. É possível e mais fácil do que parece. É aos poucos que se começa. Vamos tentar?


Texto escrito por Roberta Lopes da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]