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Por que nos sentimos bem fazendo compras?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Mesmo com uma forte crise econômica que assola o país consideravelmente, os índices de consumo aumentam cada vez mais. Segundo pesquisas realizadas nos últimos meses em institutos especializados, como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os números são favoráveis no que diz respeito à recuperação frente a essa quebra.

Tais apontamentos servem para ilustrar um fenômeno bastante intrigante em meio aos dados divulgados diariamente nos meios de comunicação, pois, apesar de se reerguer aos poucos, vale lembrar que a taxa de desemprego no Brasil, de acordo com relatório recente (Janeiro/2017) divulgado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), é grande e deve chagar a 13,8 milhões de desempregados em 2018. Em paralelo a isso, comprar ainda está na lista das práticas mais comuns da população.

Diante a tais fatos, por que será que as pessoas sentem tanto prazer em fazer compras, independentemente dos problemas financeiros que possam surgir futuramente? Talvez a resposta esteja escondida em um termo um pouco esquisito e diferente: a oneomania, que é mais conhecida como a doença do consumismo.

Entendendo um pouco sobre a oneomania

Muitos são os motivos que levam uma pessoa a gastar compulsivamente. Esse fato tem levado milhares ao endividamento e a restrições em instituições financeiras. A vontade insaciável em comprar aparece devido ao sentimento de vazio, angústia, ansiedade e um querer incontrolável de saciar esse estado que beira ao desespero. É um distúrbio psicológico caracterizado como um vício parecido com o alcoolismo ou o consumo de drogas. A pessoa que padece desse mal dificilmente enxerga que passa do ponto e se prepara para uma dose mais forte que a leva ao sofrimento. De acordo com o site Psicósmica, estes são alguns dos sinais que indicam a compulsão:

– Quando está triste ou frustrado, sempre busca comprar algo;

– Tem preocupação excessiva em comprar;

– Acaba sempre gastando mais dinheiro e mais tempo do que o planejado;

– Tem problemas familiares e desgaste em suas relações sociais por conta dos gastos excessivos;

– Tem dívidas que superam o valor que pode pagar;

– Sempre está procurando maneiras de conseguir dinheiro para cobrir o rombo da conta bancária;

– Compra itens desnecessários ou em quantidades exageradas;

– Sempre se arrepende logo após as compras e sente-se frustrado com isso;

– Toma empréstimo para cobrir os gastos;

– Mente, omite e esconde as compras excessivas e também as dívidas.

Tal transtorno pode ser desencadeado por meio de outros gatilhos, como a dependência em substâncias químicas, doenças que afetam a alimentação (como a anorexia e bulimia), bipolaridade, dentre outras. É como se um fósforo estivesse esperando o momento para ser riscado e queimar tudo. Uma pessoa que lida com depressão, por exemplo, tem mais possibilidades de sofrer de oneomania, por causa dos sentimentos negativos que possui. É como se o ato de comprar desse a ela a sensação falsa de alegria e alívio, que logo, logo será trocada por insatisfação e tristeza.

Por que nos sentimos bem ao fazer compras?

“É um desejo de possuir, de ter poder, que fica reprimido. Ao não conseguir dar vazão ao seu desejo, a pessoa sofre uma enorme pressão interna que a leva à necessidade de possuir coisas novas como única forma de prazer”, afirma a coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP, Denise Gimenez Ramos, que também é psicóloga.

Entre as mulheres, a atenção deve ser redobrada, já que elas são maioria nas pesquisas que apontam a proporção de compulsivos. Segundo a psicóloga Tatiana Filomensky, isso se dá pelo fato de elas serem mais responsáveis pelas compras da casa e também por serem mais vaidosas ao buscar tratamentos de beleza, acessórios, roupas e artigos diversos. É parte da cultura feminina essa relação com produtos cosméticos, moda e embelezamento. Portanto, as mulheres ficam mais suscetíveis a gastar além do necessário.

Contudo vale ressaltar que a ideia não é deixar de consumir, até mesmo porque tal artimanha é impossível, já que vivemos em um sistema capitalista que precisa circular dinheiro para sobreviver. O que deve ser levado em conta é o desenvolvimento de uma consciência um pouco mais apurada na hora de gastar dinheiro.

Analise com cautela os itens de extrema importância para o uso, reflita sobre o seu estilo de vida, sua classe social, e viva de maneira adequada à sua renda. Faça um planejamento financeiro e organize os seus gastos, anotando tudo em uma planilha ou caderno. Desta maneira, é possível localizar com facilidade as despesas e o que fazer para diminuí-las. Esses são alguns passos a serem adotados para a mudança.

No entanto, se a situação for mais grave, procure ajuda psicológica e não se deixe vencer por essa doença, que de fato é bastante nociva.


Escrito por Juliana Alves da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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