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Outubro Rosa: Câncer de colo de útero

Mulheres usando camiseta rosa e laço simbolizando o Outubro Rosa
lightfieldstudios/123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Embora muito se tenha conseguido em relação ao combate do câncer de colo de útero, ele ainda é uma das doenças que mais acomete mulheres no mundo e no Brasil.
Conheça mais sobre esse tipo de câncer e reflita sobre a ideia de que combatê-lo é uma questão de amor.

O que é o câncer de colo de útero?

O câncer de colo de útero é decorrente da infecção persistente causada por alguns tipos do Papilomavírus Humano, o HPV, chamados de oncogênicos.

Embora a infecção genital causada por esse vírus seja frequente, em alguns casos ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Essas alterações, entretanto, podem ser identificadas por meio do exame Papanicolau e, quanto mais precocemente são detectadas, maior é a oportunidade de cura da doença.

Mulher com as mãos na barriga usando calcinha
Polina Zimmerman/Pexels

Esse tipo de câncer acomete, sobretudo, as mulheres acima dos 25 anos. Embora a incidência esteja diminuindo, ele ainda é o quarto câncer no mundo mais comum em mulheres (desconsiderando o câncer de pele não melanoma) e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Felizmente, 44% dos casos diagnosticados no país são de lesão in situ, anterior ao câncer, que ainda está restrita ao colo do útero, sem características de malignidade, fase que pode ser curada na quase totalidade dos casos.

A conscientização para a prevenção ao câncer de colo de útero é uma das formas de reduzir a incidência e a letalidade desse tipo de câncer entre as mulheres. Ele foi incluído na campanha do Outubro Rosa a partir de 2011, com a finalidade de aumentar ainda mais o diagnóstico precoce e o tratamento imediato.

O que causa o câncer de colo de útero?

A principal causa do câncer do colo de útero é o Papilomavírus Humano (HPV), um vírus transmitido, na maioria dos casos, pela relação sexual, que nos homens pode evoluir para o câncer de pênis.

A maioria das mulheres será exposta a esse agente durante a vida sexual, porém apenas uma pequena parte desenvolverá as lesões, que, frequentemente, são as verrugas genitais, seguidas das lesões pré-câncer e evoluindo para o câncer invasivo.

Mulher com as mãos na barriga
serezniy/123RF

Existe mais de uma centena de tipos diferentes do HPV, mas somente alguns estão relacionados ao câncer do colo de útero. Os de alto risco são os tipos 16, 18, 45 e 56. Os de risco intermediário são 31, 33, 35, 51 e 52 e os de baixo risco são 6, 11, 41, 42 e 44.

Caso a mulher entre em contato com um tipo de Papilomavírus de alto risco, ele pode causar alterações celulares, com mutações inicialmente leves e benignas, chamadas de displasias ou lesões pré-cancerosas. Se essa infecção, porém, persistir e as alterações não forem diagnosticadas e tratadas, essas lesões podem evoluir para uma neoplasia invasiva, que pode crescer e acometer os tecidos ao redor do colo de útero.

Quando o tumor é detectado precocemente e quanto menos a doença evoluir, maior será a oportunidade de cura, atingindo quase 100% dos casos.

Há dois tipos de tumores malignos mais frequentes, sendo 80% dos casos, os carcinomas epidermoides e 20% os adenocarcinomas.

Quais são os sintomas de câncer de colo de útero?

Nas fases iniciais, o câncer do colo de útero é assintomático. Quando surgem os sintomas de câncer no colo de útero, os mais importantes são:

Sangramento vaginal, especialmente após as relações sexuais, e no intervalo entre as menstruações ou mesmo após a menopausa;

Corrimento vaginal, chamado de leucorreia, de cor escura e com mau odor.

Em estágios mais avançados, podem surgir como sintomas do câncer no colo de útero:

Mulher segurando uma flor em frente ao umbigo
cottonbro/Pexels

Hemorragias;

Obstrução das vias urinárias e dos intestinos;

Dores lombar e abdominal;

Perda de apetite e de peso;

Massa palpável no colo do útero.

Diagnóstico do câncer de colo de útero

Já no consultório, quando o médico realiza o exame clínico, é possível identificar sinais suspeitos. A confirmação, entretanto, só é feita por meio de diagnósticos complementares, sendo o primeiro deles o Papanicolau, que analisa as células colhidas do colo de útero e verifica se existem alterações compatíveis com a doença, mesmo na fase de mutações leves.

Mulher conversando com doutor
archnoi1/123RF

Caso ocorram alterações na citologia no exame Papanicolau, é realizado outro exame, chamado de colposcopia, que permite ao médico visualizar as alterações não detectadas no exame ginecológico a olho nu. Se for identificada qualquer lesão, será solicitada a biópsia, realizada junto com a colposcopia.

Na biópsia, são retirados alguns fragmentos das áreas suspeitas para que, ao serem analisados, seja identificada a natureza benigna ou maligna de suas alterações. Esse exame, portanto, é o veredicto para o câncer de colo de útero.

Quando há sinais de malignidade, ainda é necessário determinar o tipo de vírus infectante, o tamanho do tumor e se ele está localizado no colo de útero ou se invadiu outros órgãos e tecidos, na chamada metástase. Nesse caso, são solicitados exames de imagem como a tomografia, a ressonância magnética e o raio X de tórax.

Fatores de risco para o câncer de colo de útero

Alguns fatores são propícios para o surgimento do câncer de colo de útero, principalmente porque viabilizam a infecção pelos tipos de Papilomavírus Humano ou permitem a vulnerabilidade do organismo. São eles:

Mulher com as mãos na cintura
Polina Zimmerman/Pexels
  • Início precoce da vida sexual;
  • Multiplicidade de parceiros sexuais;
  • Contato com parceiros com vida sexual promíscua;
  • Tabagismo;
  • Baixa imunidade do organismo;
  • Falta de realização regular do exame preventivo Papanicolau;
  • Más condições de higiene;
  • Histórico familiar para a doença;
  • Histórico de neoplasia do trato anogenital (vulva, vagina ou ânus);
  • Infecção por clamídia ou herpes simples;
  • Uso de contraceptivos orais por mais de dez anos.

Como se prevenir contra o câncer de colo de útero?

A melhor forma de prevenção do câncer de colo de útero é realizar regularmente o exame preventivo Papanicolau.

Paciente sentada na maca com a doutora ao lado com a mão na barriga
Olena Kachmar/Pexels

Outras ações que devem ser adotadas para a prevenção da doença são:

Usar a camisinha em todas as relações sexuais, como meio de evitar a infecção não só pelo HPV, mas também de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis, como o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).

Imunizar-se contra o HPV por meio da vacina, que é comprovadamente segura e eficaz.

A vacina do HPV protege contra alguns dos principais tipos de vírus relacionados ao câncer de colo de útero. No SUS, a vacina é gratuita para meninas entre 9 a 14 anos de idade, para meninos entre 11 a 14 anos, para pessoas portadoras de HIV e para transplantados entre 9 e 26 anos (desde que em acompanhamento médico).

É importante ressaltar que não existe uma idade mínima para imunização com a vacina do HPV, embora o Ministério da Saúde tenha determinado uma faixa etária, que é de os 45 anos.

Vale lembrar que, mesmo tendo se imunizado com a vacina do HPV, o exame Papanicolau deve continuar sendo rotineiramente realizado, pois ele é muito eficaz em detectar anormalidades antes que os sintomas do câncer de colo de útero apareçam e porque alguns tipos do Papilomavírus Humano não são contemplados na vacina.
O exame de Papanicolau é oferecido gratuitamente pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde.
Evidentemente, manter-se fora dos fatores de risco também é uma forma de prevenção do câncer de colo de útero, por isso é fundamental evitar o tabagismo, cuidar da higiene pessoal, utilizar apenas contraceptivos orais sob orientação e acompanhamento médico e incluir alimentos ricos em nutrientes na dieta alimentar.

Como é o tratamento do câncer de colo de útero?

Mulher deitada no sofá com as mãos na barriga
Polina Zimmerman/Pexels

Quando surgem os sintomas do câncer de colo de útero e após confirmação do diagnóstico, o médico é a pessoa adequada para determinar o tipo de tratamento a ser adotado, de acordo com a gravidade do quadro ou do estágio em que a doença se encontra e com as características da mulher, quanto às condições físicas, à idade, ao desejo de ser mãe etc.

O objetivo do tratamento é a destruição ou extirpação das lesões precursoras da doença ou as pré-malignas.

A cirurgia só será indicada quando o tumor, chamado de carcinoma in situ, está confirmado no colo de útero e, de acordo com a extensão e a profundidade das lesões, ela poderá ser conservadora ou retirar totalmente o útero, na chamada histerectomia.

Como recurso terapêutico eficaz para destruir as células cancerosas e reduzir o tamanho dos tumores, tem se adotado a radioterapia, que pode ser externa ou interna (braquiterapia).

A quimioterapia não tem os mesmos efeitos benéficos, porém ela pode ser indicada caso os tumores sejam mais agressivos e em estágios mais avançados do câncer de colo de útero.

A quantidade de sessões de radioterapia e de quimioterapia, quando aplicável, e o tempo de tratamento variam de acordo com cada paciente e são determinados e acompanhados pelo médico especialista.

O Outubro Rosa

Flores rosas uma ao lado da outra
Isabelle Taylor/Pexels

A campanha do Outubro Rosa é muito positiva no sentido de proporcionar o conhecimento para a população em geral sobre as informações acerca dos dois principais tipos de câncer (de mama e de colo de útero) que mais acometem as mulheres no mundo todo e para os quais se deseja uma menor letalidade.

As estimativas do triênio 2020-2022 constantes do relatório “Estimativa/2020 – Incidência de Câncer no Brasil”, de 2019, do INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva) e do Ministério da Saúde alertam para o surgimento de mais de 16.700 novos casos a cada ano, excluindo os tumores de pele não melanoma, sendo o câncer de colo de útero o segundo mais incidente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; o quarto, na região Sul, e o quinto, na região Sudeste.

Em decorrência da doença, mais de 6.500 mortes foram registradas em 2018 em todo o país. A letalidade está relacionada ao diagnóstico tardio e à falta de acompanhamento ginecológico que toda mulher sexualmente ativa deve realizar periodicamente.

No sentido de que as mulheres não ignorem os exames periódicos, principalmente porque no início não são percebidos sintomas do câncer de colo de útero, as ações do Outubro Rosa são direcionadas à população feminina para que seja feita a prevenção.

Durante o mês de outubro, além de muita informação sobre o câncer de colo de útero, a realização do exame Papanicolau é facilitada, pois a identificação de lesões na fase de pré-malignidade é a melhor forma de reduzir a letalidade pela doença.

Cinco exames para diagnosticar o câncer de colo de útero

A realização regular de exames para a prevenção do câncer de colo de útero é uma “arma” eficaz no combate à doença e alguns deles são muito simples e rápidos. Conheça agora esses exames:

Papanicolau: é o principal exame preventivo, no qual é coletada uma amostra de secreção vaginal, para verificar a presença de lesões ou células escamosas atípicas e as condições da parede do colo de útero onde possa haver a presença de infecção por HPV.

Ultrassom transvaginal: é um exame de imagem e um dos principais recursos para identificar doenças ginecológicas graves. O câncer de colo de útero aparece no ultrassom por meio da presença de alterações celulares sugestivas da doença.

Colposcopia: por meio do colposcópio (instrumento que funciona como uma lente de aumento), o médico examina visualmente as condições do útero.

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Histeroscopia com biópsia: quando a colposcopia apresenta fortes indícios de neoplasia, o médico solicita o exame para identificar áreas afetadas por lesões ou cânceres. Uma câmera percorre a região uterina e coleta pequenas partes para análise patológica posterior.

Curetagem uterina: é um exame comprobatório do diagnóstico do câncer de colo de útero, feito por meio de uma pequena cirurgia com anestesia geral, quando é coletado material para análise patológica posterior.

O câncer é uma doença preocupante no mundo e, entre as mulheres, os dois tipos que mais ocorrem e causam letalidade são o câncer de mama e o câncer de colo de útero.

O Outubro Rosa a cada ano contribui para alertar a população sobre as formas de prevenção dessas doenças. Muitas ações e pesquisas são desenvolvidas por governos e instituições, mas o comportamento individual, unindo conhecimento e a realização de exames preventivos, inclusive bastante simples, ainda são os melhores métodos de combate.

Ainda que o maior alerta seja no mês de outubro, reforçado na campanha Outubro Rosa, durante todo o ano é tempo de cuidar da sua saúde. Adote esse comportamento agora para evitar o câncer de colo de útero e converse sobre isso com as mulheres que você conhece. Preserve a vida!

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