Sagrado Feminino Xamanismo

Pachamama ou Pacha Mama — A Mãe Terra da cultura andina

Imagem de um ser similar a uma mulher esculpida em pedra com cabelos que se misturam com as plantas do chão.
Delesha / 123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Pachamama, conhecida também como Pacha Mama, é o nome da deusa da fertilidade, tida como a maior divindade feminina aclamada por inúmeras culturas – mas principalmente pela cultura Inca, que possui a mitologia que a originou. Este nome incomum provém de uma língua indígena chamada Quéchua, muito antiga e falada por um povo anterior aos Incas, os andinos. Pachamama significa “Mãe Terra”, e carrega consigo o simbolismo de “A mãe de todos”. Confira o artigo e conheça mais sobre essa divindade máxima que é tida como a deusa da fertilidade da terra!

História da Pachamama

De acordo com a história da civilização Inca, as mulheres não tinham liberdade alguma em meio à sociedade do povo antigo, mas foram essenciais para que o sistema de crenças da sociedade fosse criado e estruturado. Assim, elas se tornaram o motivo pelo qual todas as coisas existem e são figuras cruciais de todas as organizações religiosas. Com isso, dentro da ligação cultural, Pachamama é uma figura fundamental da mãe que gera a vida, que doa a sua vida e dá sentido para tudo e todos – tanto para a terra quanto para os seres humanos.

Na atualidade, a Pachamama é um grande símbolo de fertilidade, abundância, abrigo e cuidado para a terra e para todos os seres que vivem nela.

Imagem de duas mãos arrumando a terra em volta de uma planta que está nascendo - simboliza a fertilidade
Karolina Grabowska / Pexels

Seus diversos nomes

A Mãe Terra possui muitos nomes – cada cultura a intitula de uma forma com base nas suas crenças e percepções. Conheça alguns de seus nomes: Gaia, Terra Mater, Danu, Erce, Mulher Aranha, Mahimata, Nerthus, Haumea, Mulher Mutante, Haumea, entre outros. Universalmente, o seu símbolo é a gruta, que possui ligação ao ventre e remete o nascimento e o acolhimento – há quem diga que todas as coisas provêm de grutas e crateras da Terra. Inclusive, na cultura hindu, muitos locais de adoração foram firmados em cavernas e grutas. Nesta época, existia o costume de deitar-se sobre o corpo da Mãe Terra, com o intuito de receber a cura e respostas por meio de sonhos, e de reconectar-se com ancestrais e seres de outros planos.

Imagem da Pachamama

A Pachamama é representada frequentemente como um corpo disperso em uma imagem simétrica ou como parte da natureza em si. Sua imagem representa a perfeição – em algumas de suas representações, ela possui um círculo de braços e pernas que envolvem o seu corpo, com um recém nascido no colo. Sua face é sempre tranquila ou sorridente, com o intuito de proporcionar paz aos seres que são seus filhos.

A força da sua imagem representa uma mulher calma que está sempre trabalhando – no contexto de divindade, sempre produzindo vidas. O seu corpo é um símbolo de segurança e calmaria sobre o mundo.

Comemorações

No dia 01 de agosto, celebra-se o dia da Pachamama, e muitos credores dessa divindade fazem oferendas em sua homenagem. Costuma-se enterrar uma panela de barro com comida pronta ou outros itens como álcool, cigarros, vinho, etc.

A Pachamama é tida como a maior divindade feminina do mundo, especialmente para o xamanismo, pois foi a partir da Mãe Terra que todas as coisas foram criadas e muitos ensinamentos foram espalhados pela Terra.

Pachamama e a natureza

É possível encontrar inúmeras referências à Pachamama em meio às tradições conhecidas no decorrer dos anos, e em muitas delas, a Mãe Terra possui nomes diferentes e representa coisas distintas, porém com o mesmo sentido: a maternidade, a fertilidade, a criação, o ventre sagrado, o início e o fim dos ciclos. Essa figura é a sustentação da existência, em diferentes texturas, cheiros, cores, formatos, de acordo com a sua nobreza exalada em cada estação do ano. Reconhecer a Terra como uma figura materna proporciona uma reverência a tudo o que ela nos oferece, desde a nutrição até à segurança.

Imagem de uma mulher de lado em meio à um campo verde com grande reflexo do sol.
Life Of Pix / Pexels

A Pachamama é o nosso lar, é por meio dela que as coisas chegam até nós. Ela é a divindade que preza pelo cuidado da natureza, que alimenta o ecossistema, que preserva os ciclos, os elementos e todas as coisas que por mais que não percebamos, estão contidas dentro do nosso ser. Conectar-se com a Mãe Terra é se sincronizar com a nossa natureza interior, para que haja abundância na vida externa. Antigamente, a principal representação dessa divindade era “a que nutre, a que dá abundância” – por isso muitas formas de espirais e círculos foram encontradas em cavernas e em imagens de deusas. Esses símbolos representam a Terra, circular, assim como a vida na Terra.

Você também pode gostar

Cultos da Mãe Terra

Qualquer tipo de ritual feito à Pachamama sempre foi cuidado e liderado por mulheres. Em seus ritos, muitas conversavam de forma suave com ela, beijavam e faziam carinho na terra durante todo o período de plantio e colheita, muitas vezes derramando oferendas sobre a superfície escolhida. Em outras épocas como casamentos, por exemplo, a Mãe Terra também era cultuada por fomentar a fertilidade. Existiram e ainda existem muitas formas de celebrar, honrar e conectar-se com a Pachamama, e todas as formas são bem vistas.

Mas de todo o modo, a Pachamama está dentro de cada um de nós e é possível conectar-se a ela e respeitá-la diariamente. Quando cuidamos do externo (meio ambiente), trabalhamos com ela no macro; e quando cuidamos do ecossistema existente no nosso próprio corpo físico, trabalhamos com ela no micro. Esse cuidado e honra partem do respeito, do nutrir e do alimentar tudo o que provém desta divindade.

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]