Autoconhecimento Espiritualidade

Para que serve mesmo uma religião?

Grupo de pessoas de diferentes religiões lao a lado, rezando
Pedro Paschuetto
Escrito por Pedro Paschuetto

Ao longo da história da humanidade, diversos seres deixaram uma mensagem para determinado povo em determinada época. Podemos citar alguns: Hermes Trismegisto, Abraão, Sócrates, Siddarta Gautama (o Buda), Krishna, Zoroastro, Jesus Cristo, Maomé, Lao Tsé, etc. Essas mensagens levam (ou deveriam levar) à unidade, ao amor e ao bem comum de todos, e não apenas dos que tomam partido daquela mensagem.

Ao longo do tempo, no entanto, essas mensagens foram distorcidas para atender aos interesses egoístas daqueles que detinham poder e influência, e passaram a servir ao propósito de manipular as pessoas e mantê-las em um estado inconsciente, bem longe da verdadeira mensagem.

Ilustração de um militar cristão representando a dominação religiosa pelas Cruzadas.
Foto: Reprodução

É difícil apontar responsáveis, mas é possível refletir sobre a inconsciência dos que deturparam o conhecimento dos mestres que passaram – e dos que estão passando – pela Terra. A criação de uma religião pode até ser válida, caso haja consciência na transmissão da mensagem original. Mas, se não houver consciência, a transmissão será feita de forma a atrair seguidores que possam ser manipulados para gerar riqueza e poder ou para servir a outros propósitos egoístas. Por exemplo, se a mensagem propagada disser que somente aquele mestre ou guru salva, já mela todo o meio de campo…

E o que pode ser dito sobre as religiões mais tradicionais? Você deve estar se perguntando… Imagine que o cerne da verdade de cada religião é uma luz branca bem brilhante, simbolizando o amor incondicional (se é amor, é incondicional). Para visualizar essa luz, foram utilizadas algumas lentes coloridas: uma vermelha (cristianismo), outra azul (islamismo), uma amarela (judaísmo) e uma verde (budismo). Cada uma dessas lentes simboliza uma religião, e seu verdadeiro papel seria mostrar a luz branca e única (o amor) por trás dessa lente colorida.

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O problema vem do apego que temos à cor da lente que adotamos, porque ele acaba por impedir a revelação do real sentido da verdade e da unidade, que é uma – e mesma – luz branca. O apego à religião do “eu”, o apego a uma única crença, que é considerada verdadeira – é justamente isso que cria a separação. Quando alguém acha que “somente a sua salva”, isso se estende para “somente esta prática é a que serve”, e “somente este mestre detém o conhecimento”, etc.

Pergunte-se:

  • De que importa a religião quando se quer obter lucro em um negócio em detrimento da perda financeira do outro?
  • De que importa a religião quando se tenta mudar o outro para satisfazer seus próprios prazeres?
  • De que importa a religião quando se gera ódio, sofrimento, angústia e raiva dentro de si?

Uma vez perguntaram ao Dalai Lama qual era a melhor religião, eis que ele responde: “A melhor religião é aquela que te faz uma pessoa melhor”.

Líder espiritual Dalai Lama
Foto: Reprodução

Não importa em qual deus, orixá, santo, energias ou qualquer outra coisa você acredite… desde que te faça reconhecer o amor que une a todos, e que faça você passar a agir para pôr isso em prática no seu dia a dia. E é só isso que irá importar.

“Em vez de converter pessoas de uma religião organizada para outra religião organizada”, disse S.N. Goenka, “nós deveríamos tentar converter pessoas do sofrimento para a felicidade, do cativeiro para a liberdade e da crueldade para a compaixão”.

Sobre o autor

Pedro Paschuetto

Pedro Paschuetto

Pedro Paschuetto é natural de São Bernardo do Campo, SP. Iniciou sua trajetória em 2010, quando ingressou no curso de filosofia livre na academia, na Escola de Filosofia Livre, onde se formou como professor e orientou aulas de filosofia livre e meditação durante cinco anos.

Em 2011 iniciou sua prática de Tai Chi Chuan pelo Shobu Dojo, arte marcial que ensina desde 2014, ano em que se formou no curso de instrutor de Tai Chi Chuan pelo Espaço Caminho da Luz – professor Laércio Fonseca.

Fortemente identificado com a meditação, experimentou diversas técnicas. Se estabeleceu na Vipassana, tendo concluído seu primeiro curso em 2012.

Admirador das artes orientais, pratica Iaidô (espada japonesa) e Sumi-ê (pintura com tinta preta).

Por sua intensa necessidade de investigação da natureza da mente humana, em 2018 iniciou seus estudos em psicanálise.

CONHECE-TE é um projeto para a extinção do sofrimento por meio de autoconhecimento, consciência e verdade.

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