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Por que algumas pessoas sentem desejo sexual após uma briga? A Neurociência explica

Imagem de um casal deitado se beijando. Ele está sobre ela.
Dean Drobot / Canva
Escrito por Fabiano de Abreu

Após um conflito, homens e mulheres reagem de formas neuroquímicas distintas. Enquanto um busca o prazer para aliviar a dor, o outro precisa de segurança para voltar a desejar. Compreender essas diferenças substitui o julgamento pela empatia e fortalece os vínculos.

É um cenário comum em muitos relacionamentos: após uma discussão, uma das partes parece subitamente tomada por um forte desejo sexual, enquanto a outra sente um completo bloqueio emocional e físico.

Para quem está de fora, pode parecer uma contradição de sentimentos, mas a explicação reside profundamente na nossa neuroquímica e na forma como lidamos com a queda de neurotransmissores essenciais.

O ponto de partida de qualquer conflito é o estresse. Durante uma briga, o nosso cérebro ativa o eixo HPA, elevando os níveis de cortisol e provocando uma queda drástica na serotonina.

A serotonina é o neurotransmissor do bem-estar e da estabilidade; quando ela baixa, o organismo entra em um estado de desconforto e busca desesperadamente por uma via de escape ou compensação.

É aqui que a biologia de homens e mulheres costuma bifurcar, influenciada pelos hormônios sexuais.

A testosterona e a busca pela dominância

No homem, a resposta à queda de serotonina é frequentemente mediada pela testosterona. Este hormônio tem uma relação intrínseca com a busca por status e a reafirmação de domínio. Diante do desconforto do conflito, a testosterona impulsiona o sistema de recompensa cerebral para elevar a dopamina.

Para o cérebro masculino, o sexo pós-briga funciona como uma ferramenta de “reset” neuroquímico. É uma fuga da baixa de serotonina por meio de uma explosão dopaminérgica. Além disso, existe o componente da “fixação de domínio”: o ato sexual serve para reafirmar o vínculo e encerrar a disputa por meio da posse ou da entrega física, trazendo uma sensação de controle sobre o caos emocional que a briga gerou.

O bloqueio feminino e a necessidade de contexto

Do outro lado, a biologia feminina tende a ser mais dependente do contexto e da segurança emocional. Para a mulher, a queda da serotonina durante um conflito é interpretada pelo cérebro como um sinal de alerta ou ameaça.

Imagem de um casal deitado sobre uma cama forrada com lençois brancos. Eles estão de mãos dadas, se amando.
Kaspars Grinvalds / Canva

Diferente do homem, que tenta gerar química do bem-estar através do sexo, a mulher geralmente precisa estar em um estado de bem-estar para despertar a libido. Com o cortisol alto e a serotonina baixa, o organismo feminino não encontra razões para elevar a dopamina. O parceiro, naquele momento, deixa de ser visto como uma fonte de prazer e passa a ser visto como o agente do estresse. Sem a estabilização prévia do conflito, o desejo simplesmente não floresce.

Conclusão: Biologia, não insensibilidade

Entender essas dinâmicas é fundamental para a saúde dos casais. O homem não é necessariamente “insensível” por querer sexo após uma briga, e a mulher não é “fria” por recusá-lo.

São apenas dois cérebros tentando lidar com a falência neuroquímica de formas distintas: um busca o prazer para se curar da dor, o outro precisa que a dor pare para poder sentir prazer.

No fim, o conhecimento neurocientífico serve para substituir o julgamento pela compreensão. Quando entendemos como nossos hormônios e neurotransmissores ditam nossas reações, passamos a respeitar os tempos e as necessidades biológicas de cada um.

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Pós PhD em Neurociências e biólogo membro das principais sociedades científicas como SFN - Society for Neuroscience nos Estados Unidos, Sigma XI, sociedade científica onde os membros precisam ser convidados e que conta com mais de 200 prêmios Nobel e a RSB - Royal Society of Biology, maior sociedade de biologia sediada no Reuno Unido.

É membro de 10 sociedades de alto QI, entre elas a Mensa, Intertel, ISPE, Triple Nine Society, coordenador Intertel Brazil, diretor internacional da IIS Society e presidente da ISI e ePiq society, todas sociedades restritas para pessoas com alto QI comprovados em testes supervisionados. Criou o primeiro relatório genético que estima a pontuação de QI através de teste de DNA e o projeto GIP - Genetic Intelligence Project com estudos genéticos e psicológicos sobre alto QI com voluntários.

Autor de mais de 50 estudos sobre inteligência, foi voluntário em testes de QI supervisionados, testes genéticos de inteligência e estudo de neuroimagem já que atingiu a pontuação máxima em mais de um teste de QI em mais de um país corroborando com os demais resultados genéticos e de neuroimagem.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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