Adolescentes e jovens adultos estão se organizando em grupos para cometer crimes contra animais. Isso está acontecendo agora, no Brasil. A impunidade, na prática, virou regra.
Plataformas como o Discord se tornaram pontos de encontro desses grupos. Ali eles trocam conteúdo violento, incentivam crueldade e planejam ataques. Hoje, ele funciona como meio de organização e disseminação de crime.
Mas é preciso ir além da plataforma e olhar para a origem do problema. Onde estão os pais desses adolescentes? O que fazem enquanto seus filhos participam de grupos criminosos, praticam violência e exibem isso publicamente?
Educação começa em casa. Empatia se aprende na convivência. Respeito à vida é ensinado no cotidiano, pelo exemplo e pelos limites. Quando os pais falham em acompanhar, orientar e responsabilizar, o resultado aparece. E ele é grave.
A situação se agrava quando, diante de críticas ou denúncias, alguns pais passam a ameaçar quem defende os animais. Em vez de reconhecer o erro, corrigir e assumir responsabilidade, escolhem proteger comportamentos violentos. Isso não é cuidado. É omissão.
Isso precisa parar.
Animais sentem dor, medo e sofrimento. Eles não são objetos. Têm direito à vida e à proteção. Violência contra animais não é brincadeira, nem desvio passageiro.
Do ponto de vista psicológico, a crueldade deliberada contra animais, especialmente quando ocorre em grupo e é compartilhada como forma de prazer, é um sinal de alerta sério. Falta de empatia, prazer no sofrimento alheio e ausência de culpa são características associadas ao transtorno de personalidade antissocial.
Esses traços não dependem de classe social, idade ou contexto econômico. Podem estar em qualquer ambiente. O que costuma se repetir é a ausência de limites, a formação moral falha e a falta de consequências claras.
A violência não surge do nada. Ela escala. Estudos mostram que quem agride animais tem maior probabilidade de cometer violência contra pessoas. O que começa com um animal pode terminar em agressões graves contra seres humanos.
Hoje, menores cometem esses crimes e voltam para casa sem qualquer mudança real. Maiores de idade seguem soltos. Enquanto isso, pessoas que não têm relação direta com esses atos adoecem. Apenas consumir essas notícias já provoca ansiedade, angústia, crises de pânico e depressão.
As leis existem. A Lei Federal 14.064/2020 prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para maus-tratos contra cães e gatos. O artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais criminaliza maus-tratos contra qualquer animal. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas socioeducativas.
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O que falta é aplicação. Punição efetiva. Responsabilização dos pais. Avaliação psicológica e psiquiátrica obrigatória. Acompanhamento contínuo.
Se os pais não educam, se a justiça não age e se a sociedade se cala, a violência cresce. E todos pagam o preço.
Se você está sofrendo ao lidar com essas notícias, se sente angustiado ou sobrecarregado emocionalmente, não ignore isso. Procure apoio profissional.
