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Por que as pessoas de 30 e poucos anos odeiam seus trabalhos?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Durante seus vinte e poucos anos, a vida se resume em escolher uma profissão para seguir, estudar, se especializar, arrumar um bom emprego e quem sabe até se estabilizar financeiramente. Ao chegar à casa dos 30, você passa a repensar se era isso mesmo o que você queria para sua vida, mas quando esse pensamento começa a te atormentar você entra em desespero e se vê em um beco sem saída, já que talvez seja tarde demais para jogar tudo o que já foi construído no lixo.

De acordo com a pesquisa realizada pela empresa britânica The Association of Accounting Technicians, ao atingir os 30 anos as pessoas passam a se sentir “presas” em suas profissões e o principal fator para isso é o alto custo para se especializar em uma nova área. A pesquisa relata que mais de 30% dos entrevistados pensam em mudar de ramo, no mínimo, duas vezes por mês.

O estudo destacou a situação profissional de algumas pessoas:

“Meu trabalho não é nada parecido com o que eu sonhava. Achei que acabaria fazendo algo mais interessante e glamouroso que isso. Eu trabalhava como agente de apostadores e gostava mais desse trabalho, mas trabalhar na porta de clubes era melhor para mim e para minha esposa. Não estudei muito na escola e nunca achei que teria o tipo de trabalho onde você precisa usar uma camisa engomada. Trabalhar na porta das baladas pode ser difícil – você nunca se acostuma realmente a dormir durante o dia”.

Habib, 34 anos, segurança de clube noturno

“Fiz Artes Cênicas na universidade, e aí achei que iria trabalhar na TV, fiz isso por um ano ou dois então saí e comecei uma trupe de esquetes de comédia. Tentamos mesmo tornar isso uma carreira. Alguns amigos estão ganhando Baftas e escrevendo para a Radio 4 agora. A maioria não. Eu fazia trabalhos temporários para bancar minha escolha, mas aí senti que queria realmente ganhar algum dinheiro e não sofrer tanto para pagar o aluguel, então peguei um trabalho permanente de marketing, pensando em escrever no meu tempo livre. Me casei e peguei outro trabalho de marketing, mais bem pago, mais difícil de abrir mão. Continuo escrevendo, mas aquela pretensão de ‘escrever é minha carreira’ está se dissipando. A ambição, acho, ainda está aqui, aos 36 anos. Mas há outras coisas lutando por espaço no meu cérebro, um casamento para manter vivo, filhos, uma hipoteca…”.

James, 36 anos, trabalha com marketing

“Nunca ganhei muito dinheiro na minha vida. Estou relativamente feliz com minha escolha de carreira, mas gostaria de fazer algo mais bem pago. Começar algo novo leva muito tempo e é geralmente muito caro. Levei 25 anos para decidir o que queria fazer da minha vida, achando que eu poderia continuar nisso e obrigar as pessoas a me pagarem mais. No futuro, gostaria de ser eletricista – você ganha bem e pode ver o interior da casa das pessoas!”.

Jay, 31 anos, tapeceiro

“A fase em que fui mais ambiciosa foi no final dos 20 anos. Aí, por volta dos 30, decidi que isso era bobagem, por isso virei freela. Para mim e muitos dos meus amigos, ao chegar aos 30 você passa a valorizar outras questões como formar uma família e criar raízes. No momento, só quero que meu trabalho seja mais fácil e bem pago, o que, quando você faz a mesma coisa há quase 15 anos, o que aparece é que provavelmente você não é muito bom no que faz. Acho que quando você ganha uma certa renda, é muito difícil mudar de carreira. Acho que a exceção são pessoas que fazem algo por conta própria ou abrem o próprio negócio”.

Abigail, 34, jornalista freelance

E você que também já chegou aos 30, sofre com seu atual trabalho? O que vale mais a pena, viver infeliz em sua escolha profissional, que já pode ser considerada estável, ou começar do zero e ser feliz?

  • Escrito por Natália Nocelli da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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