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Pose: lições que podemos aprender com a série

Indya Moore como Angel em um dos pôsteres oficiais de Pose
Divulgação da FX
Escrito por Eu Sem Fronteiras

“Pose” é o nome de uma série que foi lançada em 2018 e é classificada como musical, ainda que apresente outros gêneros em cada episódio, como drama e comédia. O enredo se desenvolve em Nova Iorque, no final dos anos 80, com um grupo de pessoas LGBT que foram acolhidas em um novo lar. Eventualmente, elas participam de bailes luxuosos nos quais precisam fazer poses para vencer competições.

Além de “Pose” ser uma série que aborda temas como transexualidade, homossexualidade, ascenção da cultura do luxo e a realidade dos anos 80 de forma original, a escolha do elenco é inovadora. Em toda a história da televisão, “Pose” se consagrou como a primeira produção a ter atores e atrizes transexuais em grande número.

A representatividade da comunidade LGBT não está presente apenas na escolha do elenco. Em vez de apresentar essas pessoas de forma caricata e pouco respeitosa, como muitas produções já fizeram, “Pose” nos mostra os conflitos, os sonhos e os amores desses indivíduos em um roteiro encantador.

Também é fundamental compreender quais são as lições que a série transmite a cada episódio. Com cenas emocionantes e fortes, podemos mergulhar em um universo que tantas vezes é esquecido de propósito pela mídia.

Família não é só de sangue

A concepção mais comum que temos de família é que ela é formada a partir das pessoas que carregam o mesmo sangue. A família tradicional, assim, é representada por um pai, uma mãe e filhos. Porém o que se verifica é que nem sempre a relação de sangue é sinônimo de acolhimento, de respeito e de amor incondicional.

Duas mulheres se abraçando de olhos fechados
Anna Shvets / Pexels

Uma evidência disso é a relação dos personagens de “Pose” com as próprias famílias de sangue. Por pertencerem à comunidade LGBT, muitos deles foram expulsos de casa por aqueles que deveriam protegê-los acima de tudo. Então quem cumpre esse papel de família é a personagem Blanca, chamada de mãe por todos a quem ela recebeu em casa.

Como em qualquer família, Blanca e os filhos dela também enfrentam problemas. Discutem sobre as regras que ela criou, discordam do que ela planeja para cada um e entram em conflito muitas vezes. Mas mais importante do que tudo isso, ela os acolhe, aceita e acredita no potencial de todos eles, incentivando-os sempre.

Sendo assim, o conceito de família vai muito além de uma relação sanguínea. Na verdade, é o que une um grupo de pessoas, em um mesmo lar ou não, garantindo que cada indivíduo se sinta amado, protegido, aceito e motivado a buscar os próprios sonhos.

É possível lutar por uma vida melhor

A comunidade LGBT ainda enfrenta marginalização em todo o mundo. Devido ao preconceito contra diferentes formas de ser e de amar, pessoas homossexuais e transexuais, por exemplo, são excluídas da sociedade e perdem oportunidades de emprego.

Por causa disso, muitos integrantees dessa comunidade não veem outra opção senão se submeter a trabalhos subvalorizados, como a prostituição. Uma das personagens, Angel, recebe incentivo de Blanca para abandonar essa realidade e tentar uma carreira como modelo, visto que ela domina a arte de fazer poses.

Elektra Abundance comemorando o prêmio após o desfile
FX / Reprodução

Esse é apenas um dos exemplos de cenas nas quais Blanca mostra para os filhos que é possível ter uma vida melhor do que aquela que estão levando. Outro foco de atenção da mãe é Damon, um jovem que deseja ser dançarino e, para isso, precisa se dedicar a uma rigorosa rotina de treinamentos. Ainda que ele se sinta desmotivado em alguns momentos, Blanca o inspira a seguir em frente.

Com o desenvolvimento de cada personagem, aprendemos que a comunidade LGBT pode ter um destino diferente do que a sociedade LGBTfóbica atribui a ela. Não é fácil combater a discriminação, a insegurança e o medo de que tudo dará errado, mas sempre existe alguém para apoiar os nossos sonhos e nos ajudar a enfrentar qualquer problema.

Cuidar da saúde é fundamental

Um tema amplamente abordado em “Pose” é o cuidado com a própria saúde que todas as pessoas devem ter. A batalha contra as drogas e contra a AIDS, que estava afetando grande parte da comunidade LGBT no final dos anos 80, são duas prioridades dos personagens mais velhos, como Pray Tell.

Blanca se apresentando
FX / Reprodução

A preocupação de Pray com os mais novos se deve ao fato de ele mesmo enfrentar a AIDS e de já ter perdido muitos amigos para a doença. Então a série cumpre o papel de fazer uma campanha de prevenção contra o vírus, estimulando o uso de camisinhas masculinas durante as relações sexuais.

No que diz respeito ao combate às drogas, ele também presente na série. Blanca definiu como regra da casa que as drogas são proibidas. Quando um dos personagens descumpre essa regra, ele é expulso temporariamente da moradia. Porém a reflexão mais profunda é visível quando Angel faz uso de cocaína, tendo dificuldades para trabalhar e para viver normalmente depois disso.

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Dessa maneira, observamos que há um esforço de “Pose” para incentivar que as pessoas da comunidade LGTB estejam atentas às saúdes delas. Todos nós precisamos nos cuidar, mas o preconceito da sociedade contra esse público faz com que essas pessoas acreditem que não têm mais nada a perder, o que não é verdade.

Todos nós estamos fazendo poses

O nome da série, “Pose”, faz referência a duas questões. A primeira delas é a ação de posar para uma foto ou para um desfile, representando o que acontece nos bailes LGBT daquela época. Porém outra abordagem diz respeito às poses que nós executamos diariamente, quando vestimos máscaras para que a sociedade nos aceite.

As pessoas LGBT recebem tanto ódio da sociedade que podem acreditar que ser quem elas realmente são não está certo. Sentem que devem desempenhar um papel diferente da própria essência, que somente assim serão vistas com mais carinho e respeito pelos outros.

Dois homens deitados um ao lado do outro de olhos fechados
Jameson Mallari Aten / Pexels

Em “Pose”, no entanto, vemos que as pessoas LGBT também são livres para mostrar a própria essência, para viver com autenticidade, para mostrar ao mundo os sonhos que têm, para amar e para serem amadas. É uma revolução na maneira de representar e de compreender essa parcela da sociedade.

Por outro lado, muitos indivíduos que não fazem parte da comunidade LGBT ainda desempenham performances para terem uma imagem melhor no trabalho, por exemplo, ou em um grupo de amigos. Nesse sentido, todas as pessoas estão submetidas a fazer poses em algum momento da vida, mas essa imposição é mais agressiva para quem não segue os padrões.

Considerando cada informação apresentada, observamos que a série “Pose” é inovadora em muitos aspectos. Com uma escolha de elenco compatível com os personagens apresentados pela produção e com um enredo respeitoso e original, a maior qualidade da série é a defesa da ideia de que pessoas LGBT são dignas de viver com boas condições de vida. Assista a todos os episódios e se encante!

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