Autoconhecimento Energia em Equilíbrio Yoga

Praticar Yoga é uma caixinha de surpresas

Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro
Praticar Yoga é uma caixinha de surpresas. É um mar de frustração, para falar a verdade. Eu sempre falo das maravilhas do yoga, aquelas que estão colocados no par de oposto “sentimento bom”. Mas hoje a sensação foi de frustração mesmo. E eu já me senti assim antes, muitas vezes, talvez pelo menos um pouco a cada vez que eu pratiquei. Porque é mesmo.

Sempre tem um asana que consegui fazer de boa no dia anterior, e hoje não vai. Ou uma postura de equilíbrio que eu desequilibro. Ou um esforço tão grande para relaxar, que fico tensa. Uma expectativa tão grande de ser leve, que me sinto pesada. Uma vontade enorme de estar no momento presente e me pego vagando pelo futuro, pelas comparações, pela frustração de algo não sair do jeito que eu imagino e queria que fosse. A prática leva à perfeição, mas só o divino em nós é perfeito. E há que se crer nisso e não buscar mais nada. E como que faço isso na prática? Sem ficar me comparando comigo mesma ou com alguém que tem uma prática mais avançada de asanas? Como sair dessa repetição de padrão mental de “tem que ser melhor, sempre melhor, e agora”?

Quando estou praticando, em dias que não há tanta cobrança, sinto uma diferença, leveza e flexibilidade, presença e fluidez. Quando piso no tapetinho decidida a realizar uma façanha, a dominar, a ser forte, a passar por cima, eu me frustro. Me coloco para baixo em conversas internas, me comparo com outras celebridades, me sinto insegura e sem valor.

Isso me parece uma repetição de quando eu passei por um ano sofrendo de anorexia. Parecia que tudo dependia do quão magra eu era. Meu valor, sucesso, beleza, conquistas, tudo estava baseado na sensação de perder peso. Quanto mais perdia peso, poderia sentir como uma força, mas logo depois a cobrança de perder mais e mais… É um vício!

Então, cuidado minha gente, yoga pode ser perigoso!

Você pode passar, como eu, por esse mesmo engrandecimento do ego, e depois, cair lá de cima com alguma lesão, dor e frustração. Essa briga interna da mente querer controlar o corpo, a mente acha que manda aqui. Só que não. A yoga existe justamente para sair do ego e poder olhar de fora como ele é e saber usá-lo para o nosso próprio bem, e não para o sofrimento. Hoje eu vi o quanto estou presa nessa armadilha do ego e da máscara. Ainda não aprendi a confiar na perfeição do universo que eu sou e deixar de tentar me sufocar tanto para mostrar que sou merecedora de amor.

Sim, porque quando fazemos uma postura difícil na prática ganhamos elogios, não? É aí que isso vicia. Ficar querendo sempre elogios, então, tem que fazer algo mais difícil. O elogio não é o problema, mas sim o vício na sensação de ser engrandecido e o apego de se sentir importante. É a repulsa de errar, de cair, de sentir dor, de sentir a limitação desse corpo humano que habito. Que é cheio de limitações. E dor. E doenças. E morte.

O elogio não é o problema, mas sim o vício na sensação de ser engrandecido e o apego de se sentir importante.

Parece um jogo de esconde-esconde entre a mente superior e o ego. Quando sinto que entendi algo muito profundo, que curei, que superei, bum! Nos dias que seguem o ego e as defesas se levantam mais fortes e caio em quadros de sentimento e de comportamento há muito tempo deixados para lá. Elas voltam com tudo, como que mostrando que são parte de mim, sempre serão. E a tarefa mesmo é aprender a aceitar essas sombras e transformar em luz e sabedoria, integrar todas as partes em um, pois de que adianta ser contra as guerras e preconceitos se dentro de mim está instalada uma guerra de não aceitação, julgamento, expectativas, cobranças e frustração?

Sim, é bom sair da zona de conforto e experimentar o novo. Mas se respeitando, se amando. Às vezes parece que sinto uma inveja de mim mesma, porque percebo claramente que o amor que dou aos outros, eu não dou para mim. As lições que falo, a aceitação que mostro, a força para não julgar… O que mostra que agora a máscara está começando a cair. A minha própria. E dói. Mas é isso que quero.

Nunca vou parar de praticar. Não vou desistir. Vou aprender, me capacitar, entender e ter paciência. Ter fé. Eu tenho fé. Vamos desenvolver essa habilidade, porque acredito que esse caminho é o único. E ele me leva em direção à liberdade.

Por isso, cuidado! Não confunda essa liberdade com seu ego querendo ser o melhor em tudo. Cuidado com as armadilhas do caminho espiritual. Esteja atenta e siga desfrutando.

Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée. Depois fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de um ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pela yoga e pela meditação. No Brasil: morou, deu aulas de yoga e se formou como massoterapeuta, em Paraty, RJ. Foi nessa época que concluiu quatro cursos de dez dias de meditação Vipassana e se aprofundou na prática de Ashtanga Yoga. Hoje, ela está estudando Ashtanga Yoga no KPJAYI, em Mysore, Índia. E dá aulas de Ashtanga Yoga online.

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