Psicanálise

Psicanálise: moral ou imoral?

Sessão de terapia.
lana / 123rf
Escrito por Vitor Vieira

Não vejo como falar em ser psicanalista sem falar em ética e moral. É uma profissão que exige postura, seriedade e responsabilidade consigo mesmo e com o próximo. Apesar de, em uma sessão psicanalítica, o analista não ser o protagonista, como muitos pensam, faz parte do trabalho manter uma determinada conduta para com seu paciente, afinal ele busca respostas, mesmo que algumas vezes elas estejam no silêncio. Não há oito ou oitenta nesse caso. De fato, para cada caso, para cada sessão, um senso e equilíbrio diferente. Os pacientes mudam, o psicanalista também. Somos diversas versões dos nossos pacientes. É preciso estar dentro e fora da caixa ao mesmo tempo para analisá-los, porém seguindo uma ética e moral pré-estabelecidas e regidas pelas próprias experiências pessoais, profissionais e sociais dentro da clínica.

Agora, é preciso ficar claro qual é a relação entre ética e moral de acordo com o que conhecemos como sociedade. A ideia é que deveríamos ser todos sócios, mas isso não acontece na prática, talvez por divergências éticas e morais, que para alguns podem ser boas, pois gera diversidade, mas para outros são ruins, pois geram antipatia com os costumes e a cultura do próximo, seja estética, religião, educação etc.

A ética tem como base uma tríade como suporte que seria: Eu quero? Eu posso? Eu devo? No equilíbrio entre essas três questões se encontra a ética. Há situações nas quais eu posso mas não devo, devo mas não quero, quero mas não posso — esse conjunto em harmonia determina uma ética pessoal dentro de uma ética social. Um exemplo de como esses costumes éticos mudam é o fato de que, anos atrás, pisar na grama não era um problema. Depois alguns pisavam, outros não. Em determinado momento era necessário colocar placas dizendo: “Não pise na grama”, e hoje basta ter bom senso que ninguém pisa. O que isso quer dizer? Nossa postura perante a ética muda. Dito isso, a moral nada mais é do que colocar os princípios éticos em prática, como na filosofia antiga era dito: “A ação é guiada pela reflexão”.

Mulher branca na janela de carro com expressão pensativa.
Anastasia Shuraeva / Pexels

Já que esclarecemos o que é ética e moral, é importante trazermos a diferença entre o que é imoral e amoral. Imoral é tudo que vai contra a moral; quando o indivíduo tem o senso e noção do que é moral mas escolhe agir contra, ele agiu de forma imoral. Já o indivíduo amoral é aquele que não tem senso ou noção de certo ou errado; na mente dele não há essa distinção, como em uma criança com poucas experiências ou em alguém com determinada patologia mental.

Há uma colocação do grande escritor irlandês Oscar Wilde que diz: “A arte não é moral, nem imoral; é amoral. O que mais me chama atenção nessa frase é que é preciso ouvi-la com certa sensibilidade que a própria arte muitas vezes pede. Uma determinada expressão artística pode ser incrível e decente para alguns e, ao mesmo tempo, sem sentido e indecente para outros, e isso não faz com que a arte seja sem senso ou sem noção, mas que ela é quem provoca o que determina ser ou não moralmente artístico de acordo com a ética de cada um e do todo. Sendo assim, é necessário entender que a ética não é uma questão de opinião. Devido a isso, ainda não existe uma ética que seja universal.

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Poder entender que estamos em uma constante evolução ética e moral é fundamental tanto para a psicanálise quanto para a vida no geral. Quando um psicanalista senta frente a frente com seu paciente, ali tem muito em jogo. São duas pessoas que possivelmente têm opiniões divergentes, raízes diferentes, educações distintas — e até que ponto tudo isso influencia na hora de uma análise? É por isso que a psicanálise trabalha com uma ética que não coloque essas questões em julgamento; pelo contrário, não há julgamento. Há um acordo, e cumprir esse acordo é o equilíbrio ético necessário entre analista e analisando sem que interfira de forma negativa na moral de cada um, mas sim durante o tratamento. Se o paciente julgar que são necessárias mudanças, é preciso mudar com ele, mas buscando discernir o que é realidade e fantasia do ponto de vista da análise. Muitas pessoas pensam que, por pensarem muito sozinhas, já estão de certa forma fazendo uma análise, mas na verdade isso pode ser perigoso, pois nossa mente tem a capacidade de burlar, modificar, mascarar e transformar qualquer sentimento e pensamento em menos de 1 segundo ou treinar para que uma mentira seja verdade, mas quando você fala em voz alta, o fato de você se ouvir já tem um impacto essencial. Durante uma sessão, é sobre esse impacto que se trata, pois sua forma de se relacionar com o mundo em algum momento é exposta no processo analítico. Quando isso acontece, de fato a análise começa.

Sobre o autor

Vitor Vieira

Vitor Vieira, 24 anos, psicanalista, cantor, compositor, escritor e apaixonado por filosofia.

Sou colunista nos sites Eu Sem Fronteiras e Ajudaria.

Escrevi o livro “Voz da Luz – Viagens astrais, missões terrenas”, no qual descrevo e conto um pouco da minha trajetória até agora na espiritualidade, entre desdobramentos e despertar de consciência.

Acredito que somos todos um só, dentro de cada particularidade. Somos irmãos, aprendendo e evoluindo dia após dia, sempre em busca de somar e multiplicar conhecimento e sabedoria.

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