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Quais são os tipos de autismo e suas características

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Escrito por Eu Sem Fronteiras

Muitas pessoas já ouviram falar sobre autismo. Algumas delas podem até mesmo conhecer crianças ou adultos autistas. E há ainda aquelas que não compreendem do que trata esse transtorno, então julgam negativamente quem o tem ou as famílias das pessoas que enfrentam essa doença.

Embora o autismo atinja cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a desinformação sobre essa condição continua atraindo olhares preconceituosos para as pessoas que sofrem do transtorno. Para combater a exclusão desses pacientes é preciso aprender sobre o transtorno.

Imagem de uma criança autista de costas olhando para uma parede na cor azul. Em uma das mãos ela segura um ursinho de pelúcia marrom.
Direitos autorais : serezniy

O que é autismo?

Autismo é definido como um transtorno que compromete o desenvolvimento psiconeurológico de uma pessoa. Ele afeta a capacidade de falar, de se comunicar e de se comportar, provocando dificuldade para se relacionar com outras pessoas, para elaborar um raciocínio, para se concentrar e para se movimentar.

O transtorno, que afeta o sistema nervoso, não apresenta uma causa determinada. Os sintomas começam a aparecer aos três anos de idade e duram até o fim da vida.

Somente em 1993 é que o autismo entrou na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). Até 2012 não existia uma declaração oficial de que há mais de um tipo de autismo. Apesar disso, o transtorno não é considerado uma doença. Em 2013, no entanto, depois da realização de estudos sobre o transtorno, a OMS determinou que a condição passaria a ser chamada de transtorno do espectro autista.

A denominação do transtorno como um espectro indica que existem diferentes níveis e tipos de manifestação do autismo. O diagnóstico deve ser feito, obrigatoriamente, por um(a) profissional da saúde.

Imagem de um pequeno garoto autista. Ele está de costas, sentado no chão da sala ambientada com sofás cinzas e almofadas amarelas e cinzadas. Ao lado dele um cachorro de pelúcia.
Direitos autorais : belchonock

Quais são os tipos de autismo?

O autismo se manifesta de diferentes formas, porque nem sempre duas pessoas autistas apresentarão os mesmos déficits de desenvolvimento. Para compreender as especificidades de cada um, basta conhecer os tipos de autismo mais comuns.

1) Síndrome de Asperger

A série da Netflix “Atypical”, de 2017, tem como personagem principal uma pessoa autista. Sam Gardner é um jovem que leva uma vida de trabalho e de estudos, construindo relações de amizade que serão essenciais ao longo da série.

As pessoas que assistem aos episódios recebem uma interpretação mais ampla de como é a rotina e de quais são os desafios enfrentados por uma pessoa que se enquadra no espectro autista I, a Síndrome de Asperger. Em geral, quem sofre com essa condição apresenta inteligência acima da média para determinados tópicos e pode sentir obsessão por um objeto. A fala, porém, não é comprometida.

A Síndrome de Asperger é três vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino. O diagnóstico ainda na infância impede que a criança se torne uma adulta depressiva ou ansiosa.

2) Transtorno invasivo do desenvolvimento

Menos conhecido do que os outros tipos de autismo, o transtorno invasivo do desenvolvimento se caracteriza como um nível intermediário entre a síndrome de Asperger e o transtorno autista.

Esse transtorno pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa, mas alguns sintomas são comuns na maioria delas. Não há reprodução frequente de comportamentos repetitivos, as dificuldades com interação social são agravadas e a habilidade de falar é menor do que a de uma pessoa que sofre de Asperger.

Esse tipo de transtorno pode ser identificado nos primeiros meses de vida, principalmente se a criança apresentar alguma síndrome, como síndrome de Down, síndrome de Angelman ou síndrome fetal alcoólica. É importante destacar, porém, que uma criança que apresente alguma síndrome não será, necessariamente, autista do tipo transtorno invasivo do desenvolvimento.

Imagem de um garoto autista - da boca para baixo. Ele está enconstado em uma parede branca. Ele veste uma camisa azul clara com listras brancas, calça cinza claro e um tênis azul jeans.
Direitos autorais : Katarzyna Białasiewicz

3) Transtorno autista

Lançado em 1993, o filme “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador” representa as dificuldades e os preconceitos que a família de uma pessoa autista enfrenta. Diferentemente de outros tipos de autismo, o transtorno autista é uma condição mais grave, que inclui sintomas característicos da condição.

O personagem de Leonardo DiCaprio no longa-metragem apresenta a maioria dos indícios de que ele sofre de transtorno autista: ausência de contato visual, realização de movimentos repetitivos (balançar as mãos, por exemplo) e desenvolvimento tardio de habilidades comunicativas.

A maior dificuldade que as pessoas que sofrem dessa condição ou que convivem com alguém que a tem é o preconceito. As pessoas autistas precisam de cuidados diferentes da maioria da população, mas ainda são capazes e dignas de terem boas condições de vida. As famílias, em geral, assumem o papel de proteger essa pessoa, apesar de todas as críticas que recebem.

4) Transtorno degenerativo da infância

Entre todos os tipos de autismo apresentado, o transtorno degenerativo da infância é o menos comum. Ele acontece quando uma criança que já passou por etapas de desenvolvimento começa a regredir, então se torna incapaz de recuperar tudo aquilo que já havia conquistado.

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Até os quatro anos de idade, uma criança já é capaz de falar, caminhar, seguir regras, criar histórias, conviver com outras pessoas e realizar atividades simples. Aquelas que sofrem de transtorno degenerativo da infância, porém, entre os dois e os quatro anos de vida podem começar a perder essas habilidades. O que era simples e corriqueiro se torna difícil.

Nesse caso, é preciso consultar um(a) profissional da saúde para encontrar as melhores formas de lidar com essa condição. Qualquer tentativa de fazer a criança recuperar os conhecimentos adquiridos pode dificultar a relação com ela, afastando-a em vez de ajudá-la.

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