Autoconhecimento Comportamento Saúde Integral

Quem cuida de você?

Mulher com as mãos sobre a nuca em sinal de cansaço.
Juliana Meyer Luzio
Escrito por Juliana Meyer Luzio

Você se cuida? Você percebe seu corpo? Você sabe quando algo está em desequilíbrio em você? Você sente o que está vivendo no momento e identifica as dores causadas por esse viver? Você repara em sua respiração e em como ela muda no decorrer do dia e das situações vividas?

O que estou perguntando na realidade é se você sabe cuidar de você mesma, se conhece as coisas que te alimentam física, emocional e mentalmente para seguir adiante confiante ou se terceiriza essa tarefa, seja com médicos, amigos, familiares, companheiros, enfim, não importa com quem, mas se terceiriza a atenção que precisa dar a você mesma diariamente.

Menina jovem de roupa preta olha seu reflexo no espelho com aspecto triste.

Os dias voam as tarefas só aumentam, assim como as metas, os sonhos de consumo e o padrão estético que nos é cobrado. Fica difícil encontrar tempo pra se perceber, se cuidar, se acarinhar, quem dirá se gostar. O ano é cada vez mais curto, já estamos no final de mais um, aliás, e muito ouço das pessoas que elas nem o viram passar, no entanto onze meses passaram e agora?

Provavelmente já estamos marcando compromissos para 2020, já estamos- nos preocupando e ocupando o novo ano antes mesmo dele chegar e pra que? Por que se tornou tão difícil parar e se perceber, se cuidar, se acarinhar e se gostar? Em que momento nos perdemos de nós mesmos ou pior passamos a achar que é perda de tempo investir em nossos sentimentos, medos, angustias? Em que momento a gente passou a valer tão pouco que nos colocamos no fim ou nos tiramos da lista de tarefas importantes?

Imagem ampliada de uma pessoa olhando para o relógio com fundo desfocado.

Pergunte-se e observe: como é o seu acordar? Você dedica alguns minutos para despertar o corpo, observar como se sente, como dormiu ou levanta se arruma rapidamente, sai correndo e mal engole um café?

Pergunte-se e observe como é seu almoço? Você almoça ou pede um lanche pelo Rappi? Você saboreia o que está comendo ou mastiga automaticamente enquanto fala do trabalho?

Pergunte-se e observe como é seu jantar? Ele é tranquilo, leve e te prepara para uma boa noite de sono ou é na frente da TV devorando uma série?

E sua noite de sono, já reparou nela? Você sonha ou desmaia na cama, tem insônia ou dorme bem? Sua agenda te permite esse repouso ou você está na lista dos que acreditam que dormir é perder tempo?

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Você pratica alguma atividade física? Se sim, faz algo que gosta e que te envolve por inteira ou faz o que é possível de acordo com a localização e disponibilidade de agenda achando um saco fazer aquilo?

Quando passeia, vai a lugares que te interessam ou apenas segue seus colegas de trabalho no happy hour? Escuta músicas que gosta ou as que estão nas paradas de sucesso? Pode parecer bobagem essas perguntas, mas elas denunciam o seu grau de envolvimento com você mesmo e o quão importante você se percebe e qual lugar da tal lista de tarefas você ocupa.

Estamos cada vez mais doentes e os índices de depressão, ansiedade, suicídio, violência estão cada vez mais assustadores, nos tornamos viciados em remédios, drogas sintéticas, bebidas alcoólicas, maconha, cocaína e tantas outras substancias que nos adormecem, nos dessensibilizam e nos tiram do eixo, do prumo de nós mesmos.

Mulher loira sentada ao lado de uma janela com expressão pensativa. Ao lado, uma mesa com um copo e um pedaço de torta.

Buscamos fora, terceirizamos para outrem ou substâncias na tentativa de uma solução rápida e fácil a tudo que nos incomoda em nós e em nossa vida. A pergunta é até quando?

Até quando vamos adoecer ao invés de nos respeitarmos?

Até quando vamos tomar remédios e afins ao invés de descobrir, acolher, entender e transformar o que causa dor?

Até quando vamos ter conosco um relacionamento abusivo acreditando que é o outro que nos trata mal?

Há um tempo atrás escrevi um texto chamado Relacionar-se, em que perguntei qual era sua vontade de se relacionar com outras pessoas. Hoje, neste texto, pergunto: qual é sua vontade de se relacionar com você mesma?

Retrato de mulher de cabelos cacheados em meio a flores amarelas.

Qual o tamanho da sua autoestima no sentindo bem puro da palavra, o quanto você se estima, se quer bem, se cuida?

Acredito que muitas doenças são desencadeadas por falta de autoestima, de autoamor, autocuidado, penso que elas vão se instalando devagarinho e tomando forma, intensidade, vão se fazendo perceber enquanto tentamos calá-las com sedativos, analgésicos fingindo que está tudo bem. Ai quando o incomodo é muito grande marcamos consulta, exames e às vezes até seguimos as orientações médicas, mas cadê a investigação interna sobre o que pode ter gerado aquilo? Cadê a implicação com o que se come, como se vive, com o padrão de pensamento e tantas outras variáveis que nos cabe interessar-se? Muitas disfuncionalidades do corpo se tornam disfuncionais por desinteresse e descaso.

Eu sei que nosso corpo adoece e não sou daquelas que acredita que fazemos um câncer, mas acredito que somos capazes de evitar muitas dores e desconfortos e que isso é possível na medida em que olharmos pra nós, que nos permitirmos sentir coisas desagradáveis e acolhe-las como uma parte nossa. Sem querer esconde-las ou fazer com que desapareçam num passe de mágica.

Mulher sorrindo ao olhar para o horizonte, com o sol refletido no rosto.

Nossa rotina é insana eu sei, mas também sei que sempre podemos olhar e sorrir pra nós mesmos reconhecendo nossas guerras internas, nossos desafios, tropeços e nossa força em nos mantermos de pé na luta.

O convite que te faço com esse texto é o de apropriar-se de sua vida, de suas dores ao invés de delegá-las aos outros, o pedido é por um olhar gentil, amoroso para sua história, seu sentir e as escolhas advindas disso. Cuide-se, relacione-se com você mesma e mergulhe no infinito de sabedoria, amorosidade, beleza, irmandade que cada uma de nós carrega dentro de si.

Você precisa ser a pessoa que mais se preocupa com o seu estar bem e a primeira que lhe oferece ajuda quando algo está mal.

Sobre o autor

Juliana Meyer Luzio

Juliana Meyer Luzio

Terapeuta que constrói sua clínica através de um espaço que integra fala, consciência corporal e quietude, tornando possível uma reconexão com o que há de belo, delicado e muito forte em nós - nossa saúde.

Formada em Psicologia, Psicanálise, Terapia de Integração Craniossacral, Transmutation Therapy, entre outros, está sempre em busca de conhecimentos que agreguem, em seu dia-a-dia maneiras, diferentes de olhar a vida.

Atualmente, além de sua clínica, lançou a Îandé, onde tem se dedicado à arte de criar e costurar produtos exclusivos e cheios de carinho.

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